O que fazer com as quase 20 toneladas diárias de lodo que saem do tratamento de esgoto em Balneário Camboriú? Hoje, a resposta tem custado caro aos cofres públicos: cerca de R$ 5 milhões por ano para levar esse material até aterros sanitários licenciados. Além do peso no orçamento, há também o passivo ambiental de décadas, herança das antigas lagoas de tratamento da época em que a cidade ainda não tinha gestão própria de saneamento.
Como é o Senna Tower, prédio mais alto de Balneário Camboriú
Mas, se antes o lodo era tratado apenas como resíduo, agora começa a ser visto como matéria-prima. Uma tecnologia apresentada pela empresa gaúcha BEINTEC mostrou que é possível transformar esse material em óleo, gás, adubo e até combustíveis como diesel e gasolina. Durante uma demonstração na própria Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) da cidade, uma pequena amostra de lodo virou óleo combustível — testado ali mesmo, comprovando seu poder energético. Uma equipe da prefeitura de BC irá analisar a viabilidade de implementação do sistema no município para, depois, buscar a contratação desta tecnologia
A própria máquina se mantém funcionando ao utilizar como energia parte do que ela mesma produz. Um ciclo inteligente, autossustentável e que, se implantado, pode representar uma virada de chave na gestão de resíduos da cidade.
Além da transformação em combustível, Balneário Camboriú está prestes a ser pioneira em outra tecnologia. Um termo de cooperação foi assinado com a Wastech Brasil para viabilizar um projeto que transforma lodo em pedra inerte. A tecnologia, acompanhada por uma universidade paulista, usa arco de plasma que pode chegar a impressionantes 30 mil graus Celsius, suficiente para eliminar qualquer tipo de contaminante.
O processo reduz cada tonelada de lodo a 300 quilos de pó contaminado, que, após um segundo tratamento, se transforma em 30 quilos de pedra limpa, estável e reutilizável. Uma solução que não só elimina um problema ambiental, mas ainda pode gerar um novo produto.
Do passivo ao ativo
O lodo, que até então era custo e dor de cabeça, passa a ser visto como ativo. Combustível para frota pública, matéria-prima para indústrias ou material para construção civil, dependendo da regulamentação futura. Balneário Camboriú poderá inverter a lógica: transformar gasto em renda.
A expectativa é que, se o modelo for validado, a cidade ainda receba royalties pela patente e pelo uso da marca BC.
Leia Mais
Cidade de SC tem versão gourmet do Minha Casa, Minha Vida
Sem dinheiro, UFSC mostra descolamento da sociedade com mudança de nome do campus










