Santa Catarina mostra que o caminho é a política

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Mais municípios aderiram ao Plano 1000 que distribui recursos para obras de infraestrutura (Foto: Peterson Paul / Secom)

Muito se discute sobre a união do presidente Jair Bolsonaro com o centrão. Mas, esse debate tem sido equivocado, pois está inserido num contexto de negação e demonização da política, o que não é correto e tampouco produtivo. Santa Catarina é um exemplo claro de que a composição política e a governabilidade são importantes para os bons resultados de governo.

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Em 2018, o governador Carlos Moisés se elegeu na onda 17, com um forte discurso antipolítica, à qual chamava de “velha”. O tom só lhe rendeu derrotas e fracassos. No primeiro ano de mandato aprovou apenas a reforma administrativa, acumulando derrotas pesadas, e, ao final do ano viu esfarelada a pequena base que havia construído.

Após dois processos de impeachment aprovados no parlamento, Moisés se articulou politicamente com a mesma política que chamava de velha e quase o derrubou. E, foi após essa guinada que o governo se reergueu e deslanchou, fazendo do governador hoje um nome cobiçado por importantes forças políticas do estado para as eleições deste ano.

É fato que o governo fez a sua parte, reduzindo o Estado, equilibrando as contas e recuperando a sua capacidade de investimentos. Mas, também é inegável que esse trabalho só passou a gerar resultados efetivos à população a partir do alinhamento político que lhe garantiu governabilidade e a aprovação de projetos importantes.

A flexibilização de regras para repasses a municípios, a valorização dos servidores, a reforma da previdência e até mesmo o investimento de recursos próprios do Estado em obras federais negligenciadas pelo governo federal precisaram do aval da Assembleia Legislativa (Alesc).

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A questão não é “se deve ou não” haver negociação, mas sim “os termos” desse acordo. Isso é que deve ser vigiado e debatido pela sociedade. Moisés manteve as bases técnicas na Fazenda, Administração, Infraestrutura, Celesc e Saúde, negociando politicamente outras áreas, como Educação, Agricultura e Meio Ambiente. Parece ter dado certo.

O fato é que esse rearranjo ocorrido em Santa Catarina mostra, de forma inequívoca, que a política é a única saída e negá-la não é o caminho. No caso do governo federal, o que se deve criticar não é o acordo com o centrão, mas os seus termos, e o fato de ter se dado muito mais para proteção do presidente e sua família do que para a aprovação das reformas necessárias ao país.

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Reportagem recente do site Congresso em Foco mostra que, no governo federal, o centrão já controla R$ 150 bilhões do orçamento, e, com o último decreto, passou a ter poderes que antes eram exclusivos do Ministério da Economia. Esse deve ser o tema do debate, e não o alinhamento em si.

Enfim, é possível dialogar, negociar e compor dentro de valores razoáveis e republicanos, garantindo uma mínima governabilidade que permita o andamento de discussões e projetos. Não se trata de defender velhas práticas. Muito pelo contrário, estas devem ser refutadas, mas o caminho certamente não é demonizar a política, e sim valorizá-la e cobrar dos eleitos que a pratiquem a altura do que a sociedade exige e merece.

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