nsc
nsc

Opinião

Eleito pela antipolítica, Moisés é salvo pelos políticos

Compartilhe

Ânderson
Por Ânderson Silva
07/05/2021 - 14h47
Carlos Moisés da Silva, governador de Santa Catarina
Carlos Moisés da Silva, governador de Santa Catarina (Foto: Mauricio Vieira/Secom)

Até então coronel da reserva do Corpo de Bombeiros, Carlos Moisés da Silva chegou ao cargo de governador de Santa Catarina com um discurso da antipolítica. Ele traduzia o sentimento ao usar o termo "nova política". Condenava, por exemplo, que deputados estaduais assumissem cargos de secretários. Pregava uma gestão técnica. Mas, com dois processos de impeachment em suas costas, Moisés mudou o discurso. Por fim, nesta sexta-feira, foi salvo pelos políticos de uma condenação por crime de responsabilidade no impeachment dos respiradores.

Com Moisés de volta ao cargo, quais são os secretários que retornam

Os deputados estaduais Marcos Vieira (PSDB), Valdir Cobalchini (MDB), Zé Milton (PP) e Fabiano da Luz (PT) foram os responsáveis pelos quatro votos necessários para salvar o governador de um afastamento definitivo. Os quatro poderiam ser enquadrados naquilo que Moisés chamou durante a campanha, e até certo tempo de gestão, de "velha política".

"Não guardo ressentimentos", diz Moisés após absolvição no impeachment dos respiradores

Podemos concluir, então, que o coronel da reserva dos Bombeiros foi salvo por aquilo que ele tanto criticou para se eleger. No primeiro processo de impeachment, sobre o salário dos procuradores do Estado, Moisés contou com cinco votos de desembargadores, mesmo com a reversão do cenário entre os políticos.

Desta vez, não. Agora ele foi salvo pelos políticos, o que dá também mais poder para os quatro parlamentares que evitaram a condenação do governador. A conferir os próximos passos de ambos na relação com o Executivo, inclusive na indicação de nomes para a atuação em secretarias.

Acima de tudo, o episódio do impeachment dos respiradores mostra que qualquer ocupante de cargo eletivo não pode dispensar a política, afinal depende dela. Por ironia do destino, Moisés terá um ano e sete meses para governar graças aos políticos que foram seu alvo. Um aprendizado que poderia ter acontecido sem dois impeachments e dois afastamentos temporários. Mas, como diz o ditado, antes tarde do que nunca.

Leia mais:

Dia D em SC: decisão sobre impeachment será virada de página

Ânderson Silva

Colunista

Ânderson Silva

Colunista da NSC Comunicação, publica diariamente informações relevantes sobre as decisões que impactam o catarinense, sem esquecer dos bastidores dos poderes. A rotina de Florianópolis em texto e imagens também está no radar da coluna.

siga Ânderson Silva

Ânderson Silva

Colunista

Ânderson Silva

Colunista da NSC Comunicação, publica diariamente informações relevantes sobre as decisões que impactam o catarinense, sem esquecer dos bastidores dos poderes. A rotina de Florianópolis em texto e imagens também está no radar da coluna.

siga Ânderson Silva

Mais colunistas

    Mais colunistas