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Nutrição

Ansiedade infantil e a relação com a alimentação

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Carol
Por Carol Bandeira
01/02/2021 - 06h28
criança com bolo na mão
Ao longo da infância vamos aprendendo novas formas de se relacionar com a comida (Foto: Pexels, banco de imagem)

Comer é uma das primeiras experiências de vida que temos, não é mesmo? O bebê já nasce com o instinto da busca pelo alimento, instintivamente sentimos fome e saciedade de maneira perfeita. Ao longo da infância através de outras experiências que nossos cuidadores nos proporcionam, vamos conhecendo outras formas de se relacionar com a comida.

É bem provável que você quando era criança já teve consolo através do alimento. Quem nunca ganhou um docinho para parar de chorar? Ou já tomou água com açúcar para se acalmar e “aliviar” a dor de um machucado? Todo mundo ne?!

Então pensando em todos esses assuntos, convidei a psicólogia Infantil Patricia dos Santos para falar um pouco desse assunto junto comigo.

O fato é que através destas experiências vamos nos distanciando dos sinais de fome e de saciedade que nosso corpo nos mostra, e não consiguimos mais identifica-los tão facilmente, refere Patrícia.

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Quem nunca presenciou uma criança que abre a geladeira o tempo todo e fica procurando comida dentro dos armários?

Muitas vezes os pais não percebem que o que está por trás deste comportamento é a ansiedade! Para que haja a modificação desta forma de se alimentar, é preciso pensar além de receitas e cardápios prescritos, precisamos pensar fora da caixa.

O que é essa tal de ansiedade?

Se trata de um estado emocional, que está ligada a emoção primária do medo. Que causa desconforto, uma sensação desagradável de sentir. Normalmente as pessoas que se sentem ansiosas, não gostam de sentir no corpo os sintomas que ela traz, então acabam apresentando alguns comportamentos de esquiva perante á esse sentimento, relata Patricia.

Essas crianças que são ansiosas possuem uma preocupação desproporcional ao futuro. Um medo do que pode acontecer, um pensamento de que algo ruim pode acontecer consigo mesmas, ou com as pessoas que ela ama. A ansiedade é uma emoção que é sempre dirigida pro futuro. Normalmente é um medo imaginário do que pode acontecer. E essas crianças também são muito sensíveis, e são muito impactadas ao que acontece no ambiente que vivem.

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Para não ter que sentir essas sensações desagraveis no corpo que a ansiedade traz, alguns comportamento de esquiva acabam surgindo para que consigam “fugir” inconscientemente dessas sensações.

É dessa forma, que muitas vezes, as crianças (principalmente) encontram uma maneira de lidar com a ansiedade. Pra que assim elas consigam se adaptar ás situações que estão vivenciando, diz Patricia.

E o que acontece quando as crianças encontram na comida o acalento para essas sensações desagradáveis que a ansiedade traz?

Imagine que a criança que você convive começou a ter pensamentos que algo de ruim poderia acontecer com algo ou alguém que ela ama, e o seu corpo começou a dar sinais dessa ansiedade. Suas mãozinhas começaram a suar, seu coraçãozinho começou a bater descontroladamente, e suas perninhas ficaram bambas.

De repente, sem querer essa criança comeu um chocolate, e sentiu que todas essas sensações foram minimizadas. Ela percebe então que foi tomada por uma certa tranquilidade,e aos poucos esse comportamento começa a se repetir. Essa criança aprendeu que esta estratégia funciona para diminuir as sensações desagradáveis que ela sente quando pensa sobre o futuro.

Mas se ela aprende essa maneira de lidar com este sentimento, que esta estratégia de se adaptar a essas sensações funcionou, pode acontecer dela procurar sempre a comida como uma maneira de minimizar essa emoção, relata a especialista.

Mas e agora, o que eu posso fazer para ajudar essa criança?

É muito importante que saibamos a importância de olhar para a causa deste comportamento. Que apenas levar a criança para uma consulta nutricional e seguir uma dieta ou uma receita prescrita, muitas vezes não irá funcionar sozinha, pois não estaremos olhando para a causa deste comportamento, e somente para o sintoma.

Se esta emoção não for trabalhada, a criança muitas vezes não irá dar conta de extinguir este comportamento, pois foi essa maneira que ela encontrou para minimizar o desconforto que sente devido á ansiedade. E se não sabe outras maneiras de lidar com essa emoção, se não aprendeu outras habilidades para enfrentar a ansiedade, esta talvez foi a única que encontrou procurando sempre nos alimentos este acalento que precisa.

É importante que os pequenos aprendam outras habilidades de lidar com a ansiedade, que não apenas esta de procurar na comida essa maneira de se tranquilizar, de se acalmar, pois uma criança que só aprendeu a se acalmar comendo pode ter muitos prejuízos na sua saúde, como diabetes, colesterol alto, obesidade, triglicerídeos alto.

Existem algo que pode acalmar essa criança?

Sim. É importante mostrar para ela os sinais que o seu corpo mostra que ela está ficando ansiosa. E diante disso procurar alternativas lúdicas para acalmar-se, como:

Bolhas de sabão para aprender a respirar. Ensinar que as emoções são como ondas, que elas vem e vão, não ficam para sempre sendo sentidas, e que, por isso, é importante que consigamos encontrar estratégias mais adaptativas para se acalmar enquanto a emoção está sendo sentida no corpo.

É muito importante se atentar a frequência, a intensidade e aos prejuízos que este comportamento alimentar está trazendo para a vida das crianças e se necessário buscar ajuda de um profissional capacitado para auxiliar na construção dessas habilidades de enfrentamento, para que essa ansiedade seja controlada e um trabalho multidisciplinar nesses casos se faz necessário.

Carol Bandeira

Colunista

Carol Bandeira

Mãe de 3, especialista e uma das referências no país em nutrição materno-infantil. É empreendedora, docente e pesquisadora. Ajuda pais e nutricionistas a nutrir com amor as futuras gerações.

siga Carol Bandeira

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