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    Entre a máscara e o remédio para piolho

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    Por Carolina Bahia
    11/07/2020 - 08h00 - Atualizada em: 11/07/2020 - 10h06
    máscaras
    Use máscara. (Foto: Diorgenes Pandini/NSC)

    Por que determinados grupos de pessoas resistem tanto a usar algo tão simples, como uma máscara, e se entregam de corpo e alma à promessa de medicamentos com eficácia ainda não confirmada pela ciência? Porque estão em busca de um milagre. A história das pandemias mostra o quanto as atenções do ser humano sempre se voltaram para quem prometia uma saída quase mágica para algo complicado e até desconhecido. O mundo vive isso hoje com a Covid-19.

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    Como os negacionistas não podem ignorar os mortos, eles vendem a ideia de soluções mais simples. Enquanto isso, exércitos de cientistas se debruçam sobre mesas de trabalho e microscópios na investigação de medicamentos que possam ser utilizados e, em especial, de vacinas que afastem o pavor da contaminação. Nesse meio tempo, profissionais de saúde repetem à exaustão: respeite o distanciamento, lave bem as mãos, use álcool gel, utilize as máscaras, promovam testes, façam o rastreamento dos casos. Qualquer criança, hoje, repete esse mantra.

    Mas se multiplica nas redes sociais a defesa do uso precoce da cloroquina e, agora, da ivermectina. De acordo com artigo publicado pelo professor Esper Kallás, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, o vermífugo é um ótimo remédio para sarna, piolho e outros parasitas intestinais, não pode ser usado por grávidas e pode causar problemas no fígado.  E o mais importante: ele destaca que não há evidências da eficácia no tratamento do coronavírus. Mesmo assim, o remédio sumiu de algumas farmácias do Distrito Federal e a prefeitura de Itajaí gastou dinheiro público na compra para distribuir para a população.

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    O temor dos especialistas, além dos efeitos colaterais, é que a crença em um tratamento prévio milagroso leve a população a negligenciar medidas realmente eficazes, como o isolamento social. Quem defende essas iniciativas fora do protocolo, argumenta que estamos em uma guerra, portanto, não podemos esperar pelo final das pesquisas. Bem, quem está em guerra não se aglomera em shoppings, nem mesmo faz churrasco, festa ou evento político com abraço e aperto de mão.

    A questão aqui não é ser contra ou a favor esses medicamentos, como os viciados em polarização gostam de cobrar, mas de respeito ao bom senso. A decisão é do médico e do paciente. Por isso é que o presidente da República jamais deveria virar garoto-propaganda da cloroquina. Ele fez pouco caso do vírus e agora está com a doença. É uma boa oportunidade para rever a estratégia, voltar a dialogar com os governadores, e construir uma política nacional de recuperação da economia.

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    Foco na saúde

    Os balanços do Ministério da Saúde voltaram a ser feitos na sede da pasta, depois de uma temporada concentrada no Palácio do Planalto. Há dois motivos: o caso do coronavírus, envolvendo o presidente, que coloca os funcionários sob atenção, e a falta de protagonismo do gabinete de crise. Sob o comando do ministro da Casa Civil, general Braga Neto, o gabinete entrou em campo para substituir os pronunciamentos do então ministro Henrique Mandetta. Sem forte atuação, perdeu o sentido.

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