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    Os idiotas somos todos nós

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    César
    Por César Seabra
    05/09/2020 - 06h00
    Os idiotas somos todos nós
    Os idiotas somos todos nós (Foto: Reprodução/Freepik)

    Nestes últimos seis meses vimos de tudo no Brasil e no mundo. Imagens que farão parte das retrospectivas deste desconcertante ano. As valas comuns, o choro de famílias sem poder se despedir de seus mortos, os caminhões frigoríficos carregados de corpos, a heroica luta dos profissionais da saúde para salvar vidas, a solidariedade e a empatia dos bons cidadãos, as praias e os bares lotados por maus cidadãos, o saxofonista do Titanic de Blumenau... Mas nada é tão ruim que não possa piorar.

    Semana passada o “Jornal Nacional” revelou mais uma pérola de 2020. Um trabalho primoroso de jornalismo. Mostra um grupo de capangas, arrebanhados pelo pseudoprefeito do Rio de Janeiro, atuando na porta de hospitais municipais. O objetivo desses jagunços muito bem remunerados com contracheque oficial: não deixar os cidadãos (que, ironia da vida!, bancam os salários deles) questionarem a qualidade dos serviços desses hospitais e atrapalhar o trabalho dos jornalistas.

    No momento das entrevistas, gravadas ou ao vivo, os celerados do Crivella gritam, hostilizam, xingam, intimidam, ameaçam. As imagens são absurdas, surreais, patéticas - fiel retrato de 2020. Como bom carioca vejo, de longe, minha cidade desmoronar.

    Este ano vimos também outros valentões, por todo o país, agredindo jornalistas e opositores, verbal e fisicamente. Pensa diferente? Porrada. Pluralidade e contraditório? Danem-se.

    Esses outros idiotas defendem o presidente e suas demonstrações quase diárias de incivilidade, a cloroquina, a ema, a hemorroida, o fim do isolamento social, a negação da ciência e da vacina. Atacam pilares básicos da democracia, como a Justiça, o Congresso, a imprensa independente.

    Mas não se iludam. Os idiotas estão por todos os lados e podem, em novembro, reeleger Donald Trump para mais quatro anos na Casa Branca. No fundo, depois de tudo o que vivemos e poderemos ainda viver, os idiotas somos todos nós.

    > Do lado da verdade

    Voltemos ao Rio. Lédio Carmona, amigo que comenta futebol no SporTV, costuma dizer: o Rio de Janeiro é um cenário bonito, mas uma cidade empobrecida que nada oferece de maravilhoso a seu povo e a quem a visita. Bonitinho mas ordinário, o Rio é uma escola de políticos desprezíveis, incompetentes e corruptos que estão conseguindo destruir um paraíso com potencial econômico ilimitado.

    > O poder da arte

    Em meio à pandemia, disseminação de campanhas de desinformação e notícias falsas, teremos as nossas eleições municipais também em novembro. São as eleições mais próximas de todos nós. Escolheremos prefeitos e vereadores, pessoas que devem cuidar das coisas de nosso dia a dia: habitação, saúde, educação, programas sociais, creches, transporte, pavimentação e iluminação de ruas, construção e preservação de espaços públicos, desenvolvimento urbano e ordenamento territorial, meio ambiente, saneamento básico - tudo com dinheiro público. De forma bastante simplista, os eleitos devem garantir o bem-estar dos habitantes de suas cidades, o que raramente acontece.

    > O afeto é revolucionário

    O mote do Tribunal Superior Eleitoral para as eleições deste ano é categórico e preciso: “Seu voto tem poder”. Depois de uma escolha mal feita ou de uma indolente abstenção, não caberão arrependimentos e desculpas. O estrago já poderá ter sido feito. O preço a pagar poderá ser alto, sem direito à devolução. Exemplos de desmandos, desonestidades e incompetências não faltam. A ex-Cidade Maravilhosa está aí para provar e o mundo todo ver.

    Do escritor italiano Roberto Calasso: “A repetividade e a limitação fazem parte de nossa natureza. A verdade é que não conseguiremos jamais variar os gestos que fazemos para levantarmo-nos da cama”.

    Do poeta Carlos Drummond de Andrade: “Uma eleição é feita para corrigir o erro da eleição anterior, mesmo que o agrave”.

    Do líder britânico Winston Churchill: “A diferença entre um estadista e um demagogo é que este decide pensando nas próximas eleições, enquanto aquele decide pensando nas próximas gerações”.

    Pergunta do dia: quando será descoberta uma vacina para combater o negacionismo e a estupidez?

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