nsc
nsc

Opinião

De médico a general, ministros da Saúde resumem tragédia brasileira na crise da Covid

Compartilhe

Dagmara
Por Dagmara Spautz
26/04/2021 - 08h24 - Atualizada em: 26/04/2021 - 08h55
Em Manaus, por onde começou o colapso no Brasil, pacientes morreram por falta de oxigênio
Em Manaus, por onde começou o colapso no Brasil, pacientes morreram por falta de oxigênio (Foto: Junior Matos/A Crítica)

A história da tragédia brasileira na condução da pandemia de Covid-19 pode ser contada pelo desempenho, ascensão e queda dos ministros que conduziram a Saúde na mais grave crise sanitária que o país já enfrentou. Três médicos e um general ocuparam o posto, para o qual a fidelidade ao presidente da República passou a ser o único ativo importante - a despeito de competência e resultados.

> CPI da Pandemia: "Não é Bolsonaro o culpado pelo vírus", diz Jorginho Mello

Os quatro serão ouvidos pela CPI da Covid, que começa esta semana no Senado. Luiz Henrique Mandetta, Nelson Teich, Eduardo Pazuello e Marcelo Queiroga são personagens fundamentais para explicar por que o país chegou atrasado à fila da vacinas, deixou faltar suprimentos básicos para suporte de vida, como oxigênio e remédios do kit intubação, e se tornou celeiro de novas e mais perigosas variantes do novo coronavírus.

O rumo das sabatinas é previsível. Dos quatro ministros, dois caíram por discordar da negação da ciência e da prescrição de remédios que não tinham (e ainda não têm) comprovação de eficácia contra o novo coronavírus. Hoje, sabe-se que também potencializam o risco de morte entre os acometidos pela Covid-19.  

Mandetta defendia medidas de isolamento social. Teich, testagem em massa. Nenhum dos dois sobreviveu a Bolsonaro. 

Os dois ministros mais recentes, por sua vez, notabilizaram-se pela obediência servil ao presidente da República. Uma postura levada às últimas consequências por Eduardo Pazuello, o especialista em logística em cuja gestão o país recusou vacinas e brasileiros foram socorridos por oxigênio da Venezuela. 

> "Um manda, o outro obedece", diz Pazuello ao receber Bolsonaro após crise da vacina

Neste fim de semana, a entrevista do ex-secretário de Comunicação do Palácio do Planalto, Fábio Wajngarten, à revista Veja, deu a letra para que recaia sobre Pazuello a responsabilidade pelos erros do governo federal na gestão da pandemia. Na narrativa de Wajngarten, foi a gestão do general que, por exemplo, se recusou a negociar vacinas - e o presidente Jair Bolsonaro não teve nada a ver com isso.

Pazuello, que passa longe de ser inocente na tragédia brasileira, será o cordeiro imolado para salvar a pele do capitão. "Um manda, o outro obedece" - ele disse quando ainda ocupava o cargo. Um deprimente fim de carreira para um militar que manchou a farda e chegou a ser acusado de ter "ferrado o Exército" pelo ex-comandante Edson Pujol.

O mau exemplo do ex-ministro, usado e descartado, é imitado pela gestão de Marcelo Queiroga. O médico respeitado, que assumiu o Ministério prometendo seguir a ciência e rejeitando a falácia do 'tratamento precoce', virou a casaca. Elevado ao posto para acalmar os ânimos do Centrão em meio à crise de popularidade do governo, Queiroga desisitiu de defender o isolamento social e já não acha tão ruim assim a cloroquina

O desapego do ministro à própria história faz lembrar um texto que recebi outro dia de um amigo, médico também. Dizia que o fanatismo político contaminou setores da sociedade - a medicina, inclusive - porque antecede qualquer outra característica, inclusive a formação profissional. Antes de médico, general ou ministro, o bolsonarista radical é fiel a Bolsonaro. E isso o define.

É em nome da fidelidade ao governo que Queiroga ameaça jogar a carreira pelo ralo com má gestão da pandemia. Pelo seu próprio bem, deveria reparar no exemplo do general Pazuello, cuja cabeça, ao que tudo indica, será servida de bandeija para evitar que o escândalo de uma política de morte recaia sobre o presidente da República.

Participe do meu canal do Telegram e receba tudo o que sai aqui no blog. É só procurar por Dagmara Spautz - NSC Total ou acessar o link: https://t.me/dagmaraspautz​

Leia também:

​Elon Musk decidiu em Florianópolis que iria investir foguetes e revolucionar a corrida espacial​

Ex-ministro José Eduardo Cardozo diz que impeachment de Moisés foi "aberração"

Interrogatório de Moisés: Roesler diz que Tribunal do Impeachment não é "palco inquisitivo"​

Secretário catarinense de Bolsonaro troca o PSL pelo PL

Dagmara Spautz

Colunista

Dagmara Spautz

O que acontece de mais relevante em boa parte do litoral catarinense, especialmente Itajaí e Balneário Camboriú. Fontes exclusivas e informações de credibilidade nas áreas de política, economia, cotidiano e segurança.

siga Dagmara Spautz

Dagmara Spautz

Colunista

Dagmara Spautz

O que acontece de mais relevante em boa parte do litoral catarinense, especialmente Itajaí e Balneário Camboriú. Fontes exclusivas e informações de credibilidade nas áreas de política, economia, cotidiano e segurança.

siga Dagmara Spautz

Mais colunistas

    Mais colunistas