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'Barões do tráfico'

"Balneário Camboriú virou uma lavanderia a céu aberto”, diz delegado de repressão às drogas

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Dagmara
Por Dagmara Spautz
21/09/2020 - 13h45 - Atualizada em: 21/09/2020 - 16h38
Balneário Camboriú
Balneário Camboriú (Foto: Paulo Silvio Pereira, Arquivo Pessoal)

Chefe da Delegacia de Repressão às Drogas (DRE) da Polícia Federal em Santa Catarina, o delegado Nelson Luiz Napp defende um intenso trabalho para identificar o uso de ‘laranjas’ na compra de imóveis e carros de luxo para lavar dinheiro obtido com o crime. No domingo, o Fantástico mostrou como a fama de ostentação fez Balneário Camboriú se tornar o paraíso dos ‘barões’ do tráfico no Brasil.

- Virou uma grande lavanderia a céu aberto, onde as facções acabam lavando dinheiro do tráfico de drogas – diz o delegado.

> Fantástico mostra que Balneário Camboriú virou paraíso para os barões do tráfico

Não se trata de um caso único no Estado, nem no Brasil. Outras cidades também estão na mira dos criminosos, interessados em ostentar uma vida de luxo. Mas Balneário Camboriú chamou atenção devido às recentes prisões de chefes do tráfico internacional, e à descoberta de um patrimônio considerável.

Descobrir o rastro do dinheiro tem sido o alvo de diversas operações recentes da PF no Estado. Segundo Napp, atacar o problema passa por ações conjuntas com a Receita Federal para identificar a aquisição de imóveis e veículos por pessoas que têm um ganho declarado incompatível com a compra. 

> Valorização e anonimato: o que leva os chefões do crime a investir em BC

O delegado citou casos em que apartamentos milionários estão em nome de pessoas que recebem pouco mais de um salário mínimo por mês – são os ‘laranjas’. Os contratos de gaveta, sem formalização de propriedade, facilitam esse tipo de aquisição por parte dos criminosos.

Situação semelhante ocorre com veículos de luxo. O delegado comenta que não há, por parte das concessionárias, preocupação em averiguar se o nome que consta nos documentos de compra e venda é de pessoas que teriam condições de adquiri-los. Recentemente, por exemplo, a PF identificou um desses carrões em nome de uma mulher que trabalha como faxineira, com salário insuficiente para pagar pelo veículo – seu nome foi usado por terceiros.

- Temos as ferramentas (legais), mas comprovar a origem dos bens é um trabalho em conjunto, que sozinhos não conseguimos fazer – diz Napp.

Paraíso para os barões

Anonimato, opções para lavar dinheiro obtido ilegalmente e facilidade logística, com a proximidade de portos, aeroportos e rodovias, fazem parte do pacote que tornou Balneário Camboriú atrativa para os ‘barões do tráfico’. O delegado Napp explica que o fato de haver muito dinheiro circulando na região permite que os criminosos levem uma vida de ostentação, sem chamar atenção.

Isso inclui morar em bons apartamentos, dirigir carros de luxo e manter iates nas marinas da região.

- Eles não têm medo de ostentar e aparecer – avalia o delegado.

A predileção dos barões por Balneário Camboriú levou a cidade a abrigar, ao mesmo tempo, dois dos maiores rivais do tráfico internacional na fronteira com o Paraguai, segundo a polícia: Sérgio de Arruda Quintiliano Neto, o Minotauro, detido em fevereiro de 2019, e Pavãozinho, filho do traficante Jarvis Pavão, preso em 27 de agosto.

O delegado diz que a guerra sangrenta que ocorre na região de fronteira, pelo controle do tráfico de drogas, dificilmente seria trazida para o local onde viviam os chefões. Mas, segundo ele, já ocorreram “incidentes” em Balneário Camboriú relacionados à disputa. O delegado não especificou a que incidentes se refere.

- Os riscos sempre existem – avaliou.

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O que acontece de mais relevante em boa parte do litoral catarinense, especialmente Itajaí e Balneário Camboriú. Fontes exclusivas e informações de credibilidade nas áreas de política, economia, cotidiano e segurança.

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