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    Gaúchos fecham praias e restaurantes na divisa com SC para conter Covid-19

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    Dagmara
    Por Dagmara Spautz
    21/02/2021 - 12h07 - Atualizada em: 21/02/2021 - 16h38
    Movimentação nas praias em SC durante o feriado de Carnaval
    Movimentação nas praias em SC durante o feriado de Carnaval (Foto: Luiz Carlos Souza)

    Cidades gaúchas que fazem divisa com Santa Catarina têm novas restrições a partir deste fim de semana, para tentar conter o avanço da Covid-19. As medidas incluem praias fechadas para permanência na faixa de areia e restaurantes em sistema de delivery ou take away. 

    Os municípios que aderiram às novas regras integram as 11 regiões do Rio Grande do Sul que entraram em bandeira preta, que indica nível gravíssimo de risco para Covid-19 – o equivalente à bandeira vermelha em Santa Catarina

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    Em um comunicado em vídeo, neste sábado (20), o governador gaúcho, Eduardo Leite (PSDB), chamou atenção para o avanço da doença no Rio Grande do Sul. Destacou dados como o aumento de 64% nas internações em leitos clínicos em 12 dias, e 22% de aumento na demanda por leitos de UTI. A resposta do estado foi apertar as restrições: desde a noite de sábado, todas as atividades estão suspensas nos municípios gaúchos entre 22h e 5h da manhã, horário em que têm sido registradas aglomerações.

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    Nas áreas que estão em preto no mapa de risco – o que inclui as cidades vizinhas de SC - além das praias e restaurantes fechados, as aulas presenciais foram suspensas. Eduardo Leite justificou as medidas mais duras dizendo aos gaúchos que a Covid-19 ganhou “velocidade e potência” no estado, e alertou para a presença de novas variantes no país.

    - Chegou o tempo de um remédio mais amargo – afirmou.

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    SC resiste às restrições

    As medidas mais duras adotadas pelos gaúchos contrastam com a resposta de Santa Catarina, que também enfrenta pressão inédita sobre o sistema de saúde. Os dois estados aparecem com o coronavírus em alta no mapa de monitoramento diário que é feito pelo consórcio de veículos de imprensa.

    Santa Catarina vive possivelmente o momento mais grave desde o início da pandemia. Registra colapso hospitalar em Chapecó, iminente falta de leitos na Grande Florianópolis e índice preocupante de ocupação nas UTIs, que neste sábado era de 86,6% em média. O Estado alcançou no fim de semana 26,5 mil casos ativos de Covid-19, com um crescimento de 4,5 mil em 24 horas. Apesar disso, não se fala em novas restrições e a fiscalização ‘enxuga gelo’ para fazer frente às aglomerações que, no papel, estão proibidas.

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    Há uma preocupação do governo catarinense em aumentar a oferta de leitos de UTI e ampliar a vacinação nas regiões mais críticas, o que faz sentido no momento em que a Covid-19 pressiona o sistema de saúde. O problema é que há um limite para a ampliação de vagas, que demanda recursos financeiros e, principalmente, os já escassos recursos humanos. Não se pode deixar de falar, ainda, sobre a dose de crueldade que existe nessa equação, porque pressupõe contaminar mais pessoas e expô-las ao risco de internação e morte.

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    SC adotou para este momento um modelo de gestão diferente não apenas do Rio Grande do Sul mas também de outro vizinho, o Paraná, onde o governo estadual anunciou que avalia medidas mais restritivas e que não descarta nem mesmo o lockdown. Por aqui, a postura do governo, desde o ano passado, tem sido aguardar que as prefeituras tomem as medidas mais duras. O problema é que os prefeitos nada fazem, e ninguém mais faz.

    Depois de quase um ano de pandemia, adotar novas medidas restritivas é um movimento impopular e difícil, especialmente para um governo que se recupera de uma crise de legitimidade, como ocorre em SC. Mas os dados mostram que a situação na saúde é de emergência. Na busca por evitar o confronto, o Estado esbarra na omissão. 

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