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    Mulher de 41 anos morre por Covid em casa nos braços de marido e filhos em Florianópolis

    Família atribui morte à falta de respiradores e vagas nos hospitais da Capital

    19/02/2021 - 19h05 - Atualizada em: 20/02/2021 - 15h03

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    Por Ângela Bastos
    Nara Regina Rosa morreu por coronavírus
    Nara Regina Rosa morreu por coronavírus em casa, no bairro Capoeiras, em Florianópolis
    (Foto: )

    A família de Nara Regina Rosa, 41 anos, está atravessada pela dor. A mulher morreu na manhã desta sexta-feira (19) nos braços do marido e dos filhos, em casa, no bairro Capoeiras, em Florianópolis. Nara era portadora de uma doença pulmonar severa e, no domingo, testou positivo para Covid-19.

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    Como não se sentiu bem, foi levada ao Hospital Florianópolis. Lá, ela foi atendida, medicada e permaneceu em observação das 14h às 23h. Com a pressão arterial controlada, no final daquela noite a paciente retornou para casa. A família foi informada de que não havia vagas disponíveis e que o tratamento poderia ser feito em casa.

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    Mas a medicação para a Covid-19 não fez o efeito esperado e o quadro foi se agravando, segundo relatos de familiares. Nesta sexta-feira, por volta das 6h, os familiares chamaram uma ambulância.

    De acordo com Eliane Frassetto, sogra de Nara, ao saber que se tratava de um paciente com complicações por Covid, o atendente teria dito que não adiantava buscar devido à falta de vagas na rede hospitalar.

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    - Fomos abanando, fazendo o que podíamos por ela. Meu filho telefonou novamente e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) veio, mas não adiantava mais. Ainda assim, foram feitos os procedimentos que eles disseram por telefone, como colocar ela no chão e fazer massagem no peito. Ela faleceu nos braços do marido e dos filhos – conta Eliane.

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    “Ela morreu sufocada”

    Nara deixou marido e três filhos, com 19, 18 e 12 anos. Eliane explicou que a nora tinha uma doença pulmonar grave e estava na fila de um tratamento especializado no Hospital da Universidade Federal de Santa Catarina, o qual não começou por causa da pandemia. Antes de adoecer, Nara fazia faxinas e trabalhou como empregada doméstica. Havia se aposentado por invalidez e morava com a família no bairro Capoeiras.

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    Para os familiares, mesmo com problemas sérios de saúde, Nara estava se tratando. - Ela morreu sufocada. Se tivesse um respirador, poderia estar viva – acredita a sogra.

    Conforme balanço divulgado pelo governo do Estado nesta sexta, Florianópolis é a segunda cidade com mais casos ativos em SC: são 2.108. Na Grande Florianópolis, a ocupação de leitos do SUS é de 82,1%. Oito novas mortes por Covid foram confirmadas na Capital.

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    Samu nega orientação para não atender pacientes em crise com Covid-19

    A Central de Regulação do Samu em SC informou à reportagem que não há orientação a respeito de deixar de atender os pacientes mesmo diante da crise em que se encontra o sistema de saúde na região da Grande Florianópolis.

    O setor explicou, no entanto, que há uma triagem para saber os sintomas do paciente e, dependendo, a indicação é procurar inicialmente um serviço de auto atendimento.

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