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Há duas SC: a que aparece no mapa de risco e a do ‘liberou-geral’

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Por Dagmara Spautz
21/12/2020 - 12h57 - Atualizada em: 21/12/2020 - 19h56
Praia da Joaquina, em Florianópolis
Praia da Joaquina, em Florianópolis (Foto: Diorgenes Pandini)

Um abismo separa as informações do mapa de classificação de risco, divulgado semanalmente pela Secretaria de Estado da Saúde, e a política de ‘liberou-geral do governador Carlos Moisés (PSL). A ponto de parecerem duas versões diferentes de Santa Catarina – uma delas é a que tem praticamente todo o território sob nível gravíssimo de risco. A outra, a que acha razoável estimular o turismo e a movimentação de pessoas em meio ao pico de casos e óbitos causados pela Covid-19.

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Quando foi lançado pelo Governo do Estado, em junho, o mapa de risco deveria servir para nortear as ações dos municípios, que naquele momento passaram a ser parceiros em estabelecer medidas de restrição. Só que as tais medidas apareciam como ‘recomendadas’, e não como imposição. O resultado é que, ao longo do tempo, algumas dessa ‘sugestões’ viraram letra vazia. É o caso das barreiras sanitárias e o fechamento de atividades não essenciais no nível gravíssimo, por exemplo.

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Hoje, o mapa de risco perdeu a função efetiva de balizador e serve como um indicativo de como está a situação da pandemia em determinada região. Para quem o acompanha, com 15 das 16 regiões em vermelho, que indica risco gravíssimo, fica evidente que o Estado optou por um caminho, no mínimo, controverso.

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Ao permitir novas aberturas e cogitar até a dispensa da máscara em alguns espaços públicos abertos, Santa Catarina gira no sentido contrário ao de outros estados e países, onde a pandemia também segue ceifando vidas. Enquanto as autoridades de saúde alertam para o risco de aglomerações nas festas de fim de ano, SC dá às pessoas a sensação de que é possível um recesso quase normal. Só que não é.

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O sistema de saúde está em sobrecarga, com uma ocupação de leitos de UTI adulto que oscila na marca dos 90%. É neste cenário que, de forma irresponsável, o governo abre as portas para os visitantes. Assume, dessa maneira, o risco de ter moradores e turistas sem atendimento médico – e não apenas por Covid-19, mas pela demanda que aumenta naturalmente nesta época do ano.

Em uma nota, emitida nesta segunda-feira (21), o governo trata a temporada de verão e suas consequências como um fato consumado, impossível de reverter. Reconhece que “centenas de milhares de turistas” devem vir ao Estado, e que essa “é uma realidade inexorável, para a qual não se pode fechar os olhos”. A justificativa para o liberou-geral é “inquietação” da sociedade, que beira a “desobediência civil”. Soa como uma tentiva de conter um sangramento abrindo ainda mais a ferida.

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A temporada de verão proporcionada pelo governo entrará para a história como o ano em que o Estado enxergou seus cidadãos como números, estatísticas. E, na ponta do lápis, achou que dar corda a uma pandemia que já ceifou a vida de mais de 4,7 mil catarinenses seria um custo aceitável para o turismo “inexorável”.

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