A sucessão de desgastes enfrentada pelo senador Jorge Seif (PL) nas últimas semanas – com fortes indícios de fogo amigo – levantou uma dúvida: a crise do senador com o eleitorado bolsonarista é capaz de mudar os ventos no Tribunal Superior Eleitoral, onde o julgamento caminha (até o momento) para uma absolvição?

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Para quem não lembra, Seif foi jogado à lona pelos bolsonaristas por ter ido com a mulher, a secretária adjunta de Turismo, Catiane Seif, ao megashow da Madonna no Rio de Janeiro. E por ter, logo depois, aparecido alterado em uma live em que pediu desculpas aos eleitores.

O questionamento, por si, aponta para a normalização da interferência política nas decisões judiciais. O processo, como pontuou um conceituado advogado eleitoral em Brasília ouvido pela coluna, é estático – cabem nele somente as provas e alegações.

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Mas o fato é que o julgamento de Seif no TSE já passou por diferentes momentos políticos. Inicialmente, a hipótese mais provável era de cassação. Agora, a tendência é pela absolvição – reforçada pelo precedente de Sérgio Moro, absolvido na última semana.

O senador catarinense teve apoios importantes para tentar “salvar a pele” – do governador de São Paulo, Tarcísio Freitas, ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco. Até deputados e senadores da base do governo Lula intercederam a favor de Jorge Seif. Para além das repercussões locais de uma eventual cassação em SC, que são extensas e preocupam outros partidos , há um certo corporativismo de gabinete nessas movimentações.

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Em meio às turbulências dos últimos anos, os bastidores indicam que a Justiça Eleitoral, neste momento, estaria disposta a absolver Seif – como fez com Moro – para aliviar as tensões com o Congresso. Um gesto estritamente político.

Perceba que pouco se fala nas provas do processo – ainda que o julgamento tenha sido convertido em novas diligências.

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Afinal, a coligação PSD-União-Patriota tem razão em dizer que houve abuso de poder econômico por parte de Jorge Seif durante a campanha? No Tribunal Regional Eleitoral, a resposta foi ambígua. Teria havido irregularidade, mas não o suficiente para causar desequilíbrio. A defesa de Seif diz que não há ilegalidade e afirma de forma contundente que não há provas de abuso. A coligação que moveu o processo afirma que sim.

Só que a discussão, hoje, é se o momento político aponta para a cassação ou não de um senador da República. O processo virou peça complementar. O único problema, para Seif, é que, ao contrário da Justiça, a política é instável como uma nuvem.  

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