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    Liberar festas 'sem dança' em SC é piada de mau gosto

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    Por Dagmara Spautz
    16/04/2021 - 14h29 - Atualizada em: 16/04/2021 - 16h37
    Festa em Blumenau, encerrada pela PM
    Festa em Blumenau, encerrada pela PM (Foto: Divulgação PMSC)

    As sugestões do setor de eventos para retomar as atividades em Santa Catarina, trazidas em primeira mão pelo colega Renato Igor, incluem uma proposta curiosa: a autorização para apresentações musicais com proibição de dança. Não seria novidade no Estado, já que o governador afastado Carlos Moisés (PSL) emitiu tempos atrás esse tipo de autorização.

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    Foi uma notável contribuição ao rol dos protocolos ‘infiscalizáveis’ de SC, com perdão ao neologismo. Junto com o toque de recolher que não impedia ninguém estar na rua e a máscara recomendável na faixa de areia das praias.

    É compreensível o desespero no setor. Enquanto Santa Catarina brincou de faz de conta na gestão da pandemia, o setor de festas e eventos amarga mais de um ano de prejuízos ininterruptos. A situação é dramática, e aqueles que têm o discernimento de seguir as regras vão ao desespero quando veem baladas abertas com alvará de restaurante e aglomerações em eventos promovidos pelo próprio poder público – quem não lembra da formatura dos agentes da PRF, em Florianópolis, que contou com um show de desrespeito às regras mais elementares de distanciamento social?

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    O problema com propostas como a que pretende autorizar eventos, com dança proibida, é que a falta de efetividade da medida compromete os outros protocolos já existentes. Este foi, desde o início da pandemia, um dos problemas mais evidentes e constantes em Santa Catarina: a insistência em estabelecer regras que só funcionam no papel.

    Quando isso ocorre, todo o conjunto de normas cai em descrédito. O resultado é que, mais de um ano depois do início da pandemia, ainda temos desrespeito aos cuidados mais básicos, como o uso de máscaras. O poder público finge que cobra, o cidadão finge que cumpre.

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    Discutir soluções para o setor de eventos é fundamental diante de uma pandemia que parece não ter pressa para ir embora. As empresas e os trabalhadores precisam de ajuda, e precisam de um norte. Se o Estado avaliar que há meios de retomar a atividade em segurança, que o faça – mas evite a armadilha dos protocolos vazios.

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