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Novo lockdown reduziu em 92% casos de Covid-19 em Portugal

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Por Dagmara Spautz
24/02/2021 - 12h46 - Atualizada em: 24/02/2021 - 13h42
Terreiro do Paço, um dos pontos mais visitados de Lisboa, vazio durante o primeiro confinamento, em março
Terreiro do Paço, um dos pontos mais visitados de Lisboa, vazio durante o primeiro confinamento, em março (Foto: Dagmara Spautz, Arquivo NSC)

Portugal completou nesta segunda-feira (22) um mês do segundo lockdown rigoroso, que inclui restrições à circulação de pessoas, suspensão do comércio não essencial e aulas remotas em escolas e universidades. Os resultados são expressivos: nas últimas quatro semanas, o número de casos diários caiu de 16 mil – o recorde no país - para pouco mais de 1 mil.

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Os números contrastam com a afirmação do secretário de Estado da Saúde, André Motta Ribeiro, em entrevista aos colegas Raphael Faraco e Anderson Silva no Jornal do Almoço, no início da semana. Ele disse que, “se lockdown fizesse sentido, Portugal não estaria do jeito que está, com as pessoas morrendo em casa”.

As novas medidas restritivas foram tomadas depois que o país liderou, no início do ano, o ranking de novos casos e mortes para cada milhão de habitantes. Foram mais de 5 mil óbitos em 30 dias, com pressão crescente sobre o sistema de saúde. Os portugueses, que já haviam enfrentado confinamento na primeira onda de Covid-19, no início do ano passado, já não tinham mais restrições de circulação há pelo menos seis meses - e as aglomerações eram comuns.

Diante da explosão de casos, no dia 15 de janeiro, Portugal voltou a adotar algumas ações de confinamento. Só que as ações, mais brandas do que o primeiro lockdown, não tiveram adesão da população e não surtiram efeito imediato nos índices de contaminação. Por isso, uma semana depois, o governo português decidiu retornar ao confinamento rigoroso. A medida é apontada como responsável pela queda no registro de novos casos. 

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- É muito difícil dizer que reduzir em quatro semanas 92% dos casos novos diários num país não seja uma medida eficaz. E não foi só em Portugal, Alemanha, Itália, Dinamarca, Reino Unido, todos adotaram medidas de restrição. Em todos os casos se percebeu queda de surgimento de casos novos, hospitalização e mortes - diz o epidemiologista Antonio Fernando Boing, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Ele ressalta que, no entanto, a decisão sobre medidas restritivas leva em conta outras variáveis.

- A questão é se o país, o estado ou o município deseja fazer isso. Tem outros ingredientes, conciliação econômica, consideração política para viabilizar, que o gestor tem que pesar no momento da decisão. Mas, do ponto de vista epidemiológico, não há dúvidas de que funciona.

A blumenauense Karolline Krambeck, que vive em Portugal e é professora do curso de Farmácia na Universidade do Porto, no Norte do país, também diz não ter dúvidas de que as medidas tiveram efeito.

- Faz muito efeito, tanto que passamos de 16 mil casos para mil. Um mês depois, os hospitais começam agora a ter uma folga. A situação ficou muito difícil, especialmente na região de Lisboa, onde foi preciso transferir pacientes. Portugal recebeu ajuda de outros países, como Alemanha e Áustria – relata.

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Karolline Krambeck é de Blumenau e leciona na Universidade do Porto
Karolline Krambeck é de Blumenau e leciona na Universidade do Porto
(Foto: )

Comportamento interfere na explosão de casos

Entre as causas para a explosão de casos em Portugal, os especialistas apontam a chegada de novas variantes, com a do Reino Unido – similar à variante brasileira do coronavírus. Karolline avalia, no entanto, que o comportamento das pessoas também foi um fator determinante. Ela lembra que muitos portugueses ‘baixaram a guarda’ a partir das férias de verão, em agosto de 2020. Na época, o país vivia uma redução nas contaminações.

- No ano passado, Portugal foi um exemplo. Todo mundo respeitava o confinamento, o uso de máscaras. Não vejo o mesmo comprometimento, acho que as pessoas estão cansadas – avalia.

Ela também chama atenção para o impacto da volta às aulas no ciclo de transmissão do vírus. 

- Não que os alunos se contaminem nas escolas e universidades, mas eles têm que pegar transporte público, por exemplo. Meus alunos se reúnem para fumar, para almoçar, e aí já são duas horas sem máscara. Pegam o vírus, transmitem uns para os outros e levam para casa, para seus pais e avós – comenta.

Karolline diz que, mesmo com as medidas mais duras, as aulas presenciais deverão ser retomadas em escolas e universidades portuguesas somente em abril. Por enquanto, as medidas mais restritivas seguem até março, com restrição à circulação a partir das 20h, lojas e restaurantes de portas fechadas. 

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O que acontece de mais relevante em boa parte do litoral catarinense, especialmente Itajaí e Balneário Camboriú. Fontes exclusivas e informações de credibilidade nas áreas de política, economia, cotidiano e segurança.

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