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Pandemia minimizada e remédios milagrosos: Fauci, conselheiro na Casa Branca, fala do coronavírus sob Trump

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Por Dagmara Spautz
25/01/2021 - 07h35 - Atualizada em: 25/01/2021 - 07h38
Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Doenças Infecciosas dos Estados Unidos
Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Doenças Infecciosas dos Estados Unidos (Foto: ALEX WONG / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP)

Entrevista do médico Anthony Fauci ao The New York Times, publicada no fim de semana, traz detalhes sobre os bastidores do combate ao coronavírus nos EUA durante o governo Donald Trump. Diretor do Instituto Nacional de Doenças Infecciosas no país, e conselheiro de sete presidentes para assuntos de saúde desde Ronald Reagan, na década de 1980, ele fez contraponto a Trump na gestão da pandemia – o que lhe rendeu uma relação pública conturbada com o presidente e não o poupou do desgaste em meio à polarização no país. 

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Dois aspectos ficam evidentes na fala do médico, que é um dos maiores especialistas em epidemias no mundo: a insistência do ex-presidente norte-americano em minimizar a pandemia e a busca insistente de Trump por soluções milagrosas. Qualquer semelhança com o Brasil, comandado por um fã do trumpismo, não é mera coincidência.  

A conversa foi conduzida pelo jornalista Donald G. McNeil Jr, especializado em ciência e saúde. Uma das perguntas feitas a Fauci pelo repórter foi quando ele notou que as coisas não iam bem na forma como o ex-presidente conduzia a pandemia. O conselheiro diz que desde a escalada de casos na região de Nova York, ainda na primeira onda de Covi-19, Trump não levou a sério os riscos. Não se tratava de negar o problema, mas minimizá-lo – “É mesmo tão ruim assim?”, perguntava.

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Fauci também conta que se preocupava com a tendência do presidente de ouvir pessoas que o procuravam com soluções mágicas, como propostas de tratamentos sem comprovação científica de eficácia. Essas sugestões, diz Fauci, vinham inclusive de pessoas que Trump conhecia do mundo dos negócios. Havia um esforço por criar uma narrativa positiva, uma 'cura'. Donald Trump defendeu o uso de cloroquina - o que acabou abandonando mais tarde - e chegou a sugerir aos norte-americanos ingerir desinfetante para combater o coronavírus.

“Não era apenas a hidroxicloroquina, era uma variedade de abordagens de medicina alternativa. Era sempre: Um cara me ligou, um amigo meu, blá blá blá. Foi quando minha ansiedade começou a aumentar”, relatou o conselheiro.

Fauci contrariava abertamente os posicionamentos de Trump, dentro e fora da Casa Branca. O repórter perguntou se em algum momento ele foi confrontado pelo presidente.

“Houve umas duas vezes em que eu faria uma declaração que tinha um viés pessimista sobre a direção que estávamos tomando, e o presidente me ligou e disse – ‘Por que você não é mais positivo? Você precisa ter uma atitude positiva. Por que você é tão negativo? Seja mais positivo”.

Os embates públicos com Trump coincidiram com ameaças recebidas pelo médico e sua família. Até uma carta com um pó estranho ele conta que recebeu, o que movimentou as equipes de segurança. Não passou de um susto, mas acendeu o sinal de alerta. Fauci revelou que, apesar do clima pesado, não pensou em deixar o posto de conselheiro que ocupa há quase quatro décadas.

“Mesmo se eu não conseguisse mudar a mentalidade de todos, a ideia de que eles sabiam que aqueles absurdos não poderiam ser ditos sem que eu os rejeitasse, eu senti que isso era importante. No contexto geral, senti que seria melhor para o país e para a causa eu ficar e me opor do que ir embora”.

Provocado pelo repórter, Fauci não quis falar sobre a responsabilidade de Trump em relação às mortes nos EUA, que soma mais de 400 mil óbitos. Mas comentou sobre as ameaças públicas de demissão feitas pelo ex-presidente – o que ele garante ter acreditado que nunca, de fato, aconteceria.

“Era apenas, você sabe, Donald Trump sendo Donald Trump".

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O que acontece de mais relevante em boa parte do litoral catarinense, especialmente Itajaí e Balneário Camboriú. Fontes exclusivas e informações de credibilidade nas áreas de política, economia, cotidiano e segurança.

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