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Por que SC nunca chegou à bandeira preta mesmo com colapso na saúde

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Por Dagmara Spautz
20/04/2021 - 15h14 - Atualizada em: 20/04/2021 - 16h35
UTI durante o colapso na região Oeste
UTI durante o colapso na região Oeste (Foto: Reprodução)

Uma diferença fundamental intriga quem acompanha os mapas de risco da pandemia pelo país. Por que no período mais grave da pandemia, com recordes de mortes e falta de vagas nos hospitais, Santa Catarina jamais passou do ‘vermelho’. Nos vizinhos Paraná e Rio Grande do Sul, por exemplo, regiões receberam bandeira preta ou roxa para indicar a fase mais aguda da crise.

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Ocorre que o mapa de risco desenvolvido para Santa Catarina não previu ‘subir’ de classificação em caso de colapso. Por esse motivo o cenário atual, com todas as regiões em vermelho, é idêntico ao do fim de dezembro do ano passado, quando o mapa ‘vermelhou’ por completo pela primeira vez. Naquele momento, não tínhamos a prevalência de novas variantes e o sistema de saúde, embora lotado, dava conta da demanda por internações.

Essa discrepância de cenários prova que o mapa já não serve para retratar com fidelidade a pandemia nas regiões de Santa Catarina. No ano passado, o lançamento do mapa, como recurso, coincidiu com a terceirização da responsabilidade pela gestão da crise. O Estado entregou aos municípios autonomia para aberturas e fechamentos e passou a informar aos prefeitos, semanalmente, qual o cenário em cada região.

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Nos primeiros meses, o mapa trazia uma lista de medidas a serem implementadas de acordo com a classificação de risco. Mas, diferente de outros estados, em SC a adoção das medidas nunca foi compulsória – era opcional para os prefeitos. Como ninguém queria se indispor com os setores econômicos promovendo fechamentos, em período eleitoral, a listinha de regras acabou virando letra morta. Nem mesmo a cobrança de implementação pelo Ministério Público surtiu efeito.

No fim do ano passado, já esvaziado em sua função, o mapa sofreu algumas alterações - inclusive em relação aos parâmetros avaliados. Atualmente, analisa ‘evento sentinela’ (comportamento da pandemia em relação a óbitos e replicação), transmissibilidade, monitoramento e capacidade de atenção. Mesmo com a mudança, no entanto, não consegue ser fiel ao cenário da pandemia no Estado.

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Prova disso é que, na semana passada, o mapa trouxe em ‘laranja’ a Foz do Itajaí-Açu. Uma ‘melhora’ virtual pela redução no número que chegou a ser comemorada por prefeitos da região. Só que os hospitais locais estavam lotados, com fila de pacientes aguardando por leitos de UTI, e o monitoramento feito pelo colega Cristian Weiss, jornalista de dados que acompanha os números da Covid-19 pela NSC, mostrava aumento no número de casos ativos nas cidades da região.

Para além da inconsistência entre o mapa e o cenário real, um novo patamar na classificação de risco, com uma cor específica para indicar sobrecarga no sistema de saúde, poderia ter alertado os catarinenses de forma mais efetiva sobre a dimensão da crise. Para os gaúchos, por exemplo, a bandeira preta significa que o estado em emergência e passa a adotar regras mais duras – como o fechamento de comércio, bares e restaurantes.

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Essa sinalização com cores é importante porque facilita a compreensão e a efetividade das regras, além de tornar mais previsível, para o setor econômico, o caminho a ser percorrido pelo estado na condução da pandemia.

Em Santa Catarina, a política pesou na decisão de não adotar um patamar mais alto para emitir o alerta. O Estado enfrenta a crise sanitária enleado em uma crise política sem precedentes, que levou a duas trocas de governo em cinco meses. Diante da instabilidade no poder, sai em vantagem quem conseguir ‘vender’ um cenário mais favorável. Ainda que irreal.

O resultado é que, sem retratar a realidade da pandemia no Estado nem refletir em mudanças efetivas de acordo com a classificação, o mapa de risco já não passa de formalidade vazia. 

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O que acontece de mais relevante em boa parte do litoral catarinense, especialmente Itajaí e Balneário Camboriú. Fontes exclusivas e informações de credibilidade nas áreas de política, economia, cotidiano e segurança.

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