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Análise

Santa Catarina vive o pior momento da pandemia com indiferença política

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Por Dagmara Spautz
25/02/2021 - 08h11 - Atualizada em: 25/02/2021 - 08h17
UTIs estão cheias em SC e sistema de saúde está sob colapso
UTIs estão cheias em SC e sistema de saúde está sob colapso (Foto: Mario Tama / Getty Images North)

Santa Catarina está na UTI. A doença com a qual o estado trava uma luta inglória há quase um ano, entre altos e baixos, entrou em uma fase aguda. Enquanto escrevo estas linhas, o índice de ocupação de leitos de terapia intensiva é de 95,5%. Em muitas cidades, em diferentes regiões, não há mais vagas para pacientes com Covid-19. Já são mais de 7 mil mortos. Mais de 650 mil contaminados no Estado. 

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A esta altura, ninguém pode dizer que foi surpreendido pela voracidade com que a Covid-19 mina o sistema de saúde – especialmente as autoridades, que foram alertadas pelos técnicos durante meses a fio. Diante do colapso, consumado ou iminente, o remédio é um só: frear a velocidade de contágio. E isso, de acordo com os especialistas, se faz com a restrição de circulação.

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O decreto do Governo do Estado, do qual não se esperavam grandes imposições, conseguiu ser ainda mais leve do que o previsto. Corre o grande risco de resultar inócuo.

Assombrado pelo fantasma do impeachment, que segue à espreita, Carlos Moisés permitiu-se ocupar um papel quase decorativo na gestão da Pandemia.

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O governador resiste em estar à frente das decisões impopulares e não veio a público, até agora, sequer para alertar o quão grave é a situação de Santa Catarina. Preocupado em agradar a gregos e troianos, Moisés deixa de liderar e entrega a responsabilidade aos municípios.

Só que os prefeitos, em sua maioria, tampouco se movimentam. As medidas mais drásticas foram tomadas por Chapecó, impostas pelo colapso no sistema de saúde. Comprometidos com a promessa de “não fechar nada” – uma irresponsabilidade perigosa em tempos de pandemia - os prefeitos se calam. Para maquiar a inércia, prometem comprar doses de vacinas que não sabem quando, nem se poderão aplicar. Cortina de fumaça.

O resultado da política negligente está nas emergências, nas UTIs dos hospitais e nas estatísticas. Cada número a mais nas intermináveis tabelas de óbitos tem um nome, um endereço. São pais, mães, irmãos, avós, filhos. Gente que entrou pela porta da unidade de saúde para nunca mais voltar.

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Médicos em todo o Estado têm relatado o drama que vivem nas UTIs. Internam muito, e sem distinção. Desta vez, junto com nossos idosos, o coronavírus tem levado aos hospitais, em estado grave, pessoas com 30, 40 anos. Mães e pais de crianças pequenas. Tem ceifado a vida de adolescentes e bebês. Há unidades de saúde em que já ventiladores mecânicos e, sem eles, pessoas morrem por falta de ar.  

Os relatos de profissionais cansados, exaustos, têm chegado diariamente à coluna.

“Deixei o plantão com 9 pacientes aguardando vaga em UTI”.

“O sistema esta colapsado”.

“Estamos cansados e muito preocupados. Precisamos de ajuda”.

Para quem está na linha de frente, os dias têm sido um eterno pesadelo e uma luta inglória. Mas, enquanto os profissionais de saúde combatem o inimigo nas trincheiras, o coronavírus se alia, no lado de fora, à indiferença política.

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O que acontece de mais relevante em boa parte do litoral catarinense, especialmente Itajaí e Balneário Camboriú. Fontes exclusivas e informações de credibilidade nas áreas de política, economia, cotidiano e segurança.

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