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    Tríplice viral faz confusão na política e provoca alerta na saúde

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    Dagmara
    Por Dagmara Spautz
    10/03/2021 - 16h11 - Atualizada em: 10/03/2021 - 18h13
    Vacina tríplice viram é usada para prevenir sarampo, caxumba e rubéola
    Vacina tríplice viram é usada para prevenir sarampo, caxumba e rubéola (Foto: Ministério da Saúde)

    A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e a Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis emitiram uma nota, nesta quarta-feira (10), para esclarecer que a vacina tríplice viral não protege contra a Covid-19 e não foi aprovada como prevenção alternativa. O comunicado saiu em meio a uma corrida de pessoas em busca da vacina nos postos de saúde e clínicas particulares. A dose já é vendida por R$ 110 em consultórios privados na Capital. 

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    Na terça-feira (10), o prefeito Gean Loureiro (DEM) divulgou que os resultados da pesquisa feita pela UFSC com a tríplice viral são “animadores” e Florianópolis tem “possibilidade real” de uso. Nesta quarta, postos de saúde publicaram nas redes sociais um alerta de que aguardam a conclusão das pesquisas e que a vacina tríplice viral "não está sendo administrada como método de prevenção contra Covid-19".

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    No início da semana, a coluna publicou que o Estado vem conversando sobre o assunto com as prefeituras, em busca de uma estratégia de vacinação com a tríplice. Seria uma solução ‘paliativa’, para tentar conter a pressão da pandemia sobre o sistema de saúde.

    Os dados preliminares da UFSC – preliminares, porque a pesquisa ainda não foi concluída – apontaram para a possibilidade de que a tríplice ajude a reduzir os sintomas e internações por Covid-19. No entanto, pesquisadores alertam que os estudos ainda são insuficientes para respaldá-la como política pública.

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    A coluna apurou que, tanto na Capital quanto na Secretaria de Estado da Saúde, os técnicos estão sendo pressionados para a adoção da tríplice viral como alternativa e apresentam ressalvas. Além do estudo não ter sido concluído, outros apontamentos foram o risco de aumento de casos assintomáticos e não identificados, que podem potencializar a transmissão do novo coronavírus, e a possibilidade de abandono de outras medidas individuais de proteção, como o uso da máscara. Juntas, essas consequências podem servir como gatilho para um descontrole ainda maior da pandemia no Estado se não forem avaliadas.

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    Sem coragem para decretar medidas restritivas mais duras, que consigam frear a transmissão e a pressão sobre o sistema de saúde, e sem vacinas suficientes contra a Covid-19, a prefeitura de Florianópolis e o Governo de SC trocam os pés pelas mãos e podem fazem a tríplice viral ser rebaixada de promissora para o grupo da cloroquina e da ivermectina, onde estão as promessas de soluções milagrosas. Terá sido um desserviço à ciência.

    Comunicado divulgado pela prefeitura de Florianópolis
    Comunicado divulgado pela prefeitura de Florianópolis
    (Foto: )

    Veja nota da UFSC

    "A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e a Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis esclarecem, quanto à pesquisa “Eficácia da Vacina MMR na Prevenção ou Redução da Severidade da COVID-19″, desenvolvida por pesquisadores da UFSC que:

    1. Não se trata de imunizante equivalente àqueles voltados à vacinação preventiva contra o Coronavírus, produzidos por exemplo, pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e Instituto Butantan;

    2. Também não se configura como “tratamento precoce” da doença, do mesmo modo como alguns medicamentos são divulgados, sem contudo terem sua eficácia cientificamente comprovada;

    3. Trata-se de uma pesquisa preliminar, iniciada em 2020, a partir do uso de imunizante constante do calendário regular de vacinação, a Vacina Tríplice Viral (MMR), que, por ora, demonstra resultados animadores, na estimulação da imunidade inata, com possibilidade de prevenir a infecção pelo novo Coronavírus ou diminuir sua severidade por diminuição da carga viral;

    4. Na fase atual, há respostas animadoras mas que ainda dependem de etapas fundamentais para que venha a ser aprovada e validada, para ser utilizada junto à população.

    Neste sentido, a UFSC e a Secretaria Municipal de Saúde alertam para que não haja qualquer movimento de procura junto a postos de saúde e nem autorizam ou recomendam a procura em clínicas privadas, uma vez que, caso haja a definição por seu uso em meio à Pandemia da COVID-19, haverá campanhas oficiais dos órgãos sanitários no sentido de orientar devidamente a população sobre grupos, datas e locais de acesso.

    Não se deixe levar por notícias falsas ou promessas de tratamento. Confie na Ciência e busque fontes oficiais de informação".

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