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Acidente em Tubarão faz lembrar importância dos trens para o Sul de SC

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Por Denis Luciano
19/09/2021 - 07h16
Ocorrência interrompeu o tráfego de trens no Sul catarinense
Ocorrência interrompeu o tráfego de trens no Sul catarinense (Foto: Divulgação)

Era para ser uma viagem corriqueira pelos trilhos de um dos ramais que a Ferrovia Tereza Cristina (FTC) administra no Sul de Santa Catarina. Mas um susto interrompeu a jornada da composição que passava pelo Bairro Congonhas, em Tubarão, na tarde deste sábado (18). O acidente envolveu descarrilamento e uma carga de carvão mineral.

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A viagem começou em Urussanga, com destino a Tubarão. Ao passar por Congonhas, a composição de 32 vagões sofreu o descarrilamento. Alguns dos vagões saíram dos trilhos e outros tombaram. Com isso, foi necessário isolar a área e a FTC providenciou a proteção à carga.

O trabalho prioritário, então, foi o de restabelecimento do tráfego ferroviário. As linhas servem exclusivamente ao transporte do carvão mineral produzido na região de Criciúma que é transportado em direção ao Complexo Termelétrico de Capivari de Baixo, que é responsável pela compra do mineral para as suas atividades de geração de energia.

Em nota emitida no fim da tarde sobre o acidente deste sábado, a FTC informou que as causas do acidente ainda estão sendo averiguadas. Não houve feridos.

A malha ferroviária do Sul

A FTC administra 164 quilômetros de trilhos no Sul catarinense. A linha troncal, a principal, entre Criciúma e Imbituba, tem 116 quilômetros. São, ainda, 25 quilômetros no ramal Esplanada-Urussanga, 18 quilômetros no chamado ramal Treviso (entre Criciúma e Siderópolis) e 5 quilômetros no ramal Oficinas (entre Tubarão e o Bairro Oficinas, zona ferroviária da cidade). A empresa conta, em sua frota, com 17 locomotivas e 554 vagões de carga.

A indústria carbonífera é a principal cliente da FTC, garantindo o transporte das mais de 200 mil toneladas de carvão repassadas mensalmente pelas mineradoras do Sul para o complexo térmico em Capivari de Baixo. A empresa viabilizou, recentemente, a reabertura do ramal com destino a Forquilhinha, que vinha fora de operação havia 5 anos e retomou suas atividades a partir do começo da venda de carvão para a Engie Brasil, gestora do complexo térmico, pela mineradora South Brasil.

A rede administrada pela FTC entre Criciúma e Imbituba
A rede administrada pela FTC entre Criciúma e Imbituba
(Foto: )

FTC é herdeira de histórica centenária

A Estrada de Ferro Dona Tereza Cristina foi construída ainda no Brasil Império, entre 1880 e 1884, para transportar carvão mineral de Lauro Müller até o porto de Imbituba. A empresa britânica que construiu o ramal e começou a explorar o repassou ao Governo Federal em 1902. 

Entre idas e vindas na gestão, o complexo ferroviário, que é o menor do país em extensão e não está integrado ao sistema nacional, foi concedido à Ferrovia Tereza Cristina em 1997, depois de um longo período de gestão pela extinta Rede Ferroviária Federal (RFFSA).

Como a FTC opera o trecho que interliga as minas de carvão da região de Criciúma ao porto de Imbituba, ela depende diretamente do funcionamento do Complexo Termelétrico Jorge Lacerda, cuja venda da Engie Brasil para o grupo Fram Capital foi anunciada no fim de agosto. Os meses que antecederam a confirmação do negócio foram de apreensão para toda a cadeia produtiva relacionada às minas de carvão.

Trata-se de uma transação de R$ 325 milhões que garante a continuidade das operações da usina, que compra 99% do carvão mineral da região e que, com a Engie, deixaria de funcionar em 2025.

Pátio de manobras da FTC em Criciúma
Pátio de manobras da FTC em Criciúma
(Foto: )

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Jornalista com longa experiência no rádio e no digital, Denis Luciano aborda os principais assuntos do Sul catarinense, uma das regiões mais relevantes no Estado.

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