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Campeonato Catarinense

Na semana da estreia, a luta do Próspera é por um estádio

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Por Denis Luciano
17/01/2022 - 09h28
Um novo gramado está sendo plantado no estádio Mário Balsini
Um novo gramado está sendo plantado no estádio Mário Balsini (Foto: EC Próspera / Divulgação)

Um 2022 diferente no Campeonato Catarinense. A ausência do Criciúma entre os 12 times da elite traz à tona algo inédito. Rebaixado em abril passado, o Tigre estará em uma reunião na próxima quarta-feira (19) para conhecer seus adversários na Série B estadual, cujo início deve se dar em abril. Será a luta do Criciúma para voltar à elite.

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Enquanto isso, o Próspera terá a missão de representar Criciúma na Série A. O clube de 75 anos, de origem nas minas de carvão e que por anos a fio foi mantido por uma carbonífera, cumpriu trajetória ascendente nos últimos anos. Voltou ao profissionalismo em 2018 sendo campeão da Série C estadual. Repetiu o título na B em 2020 e, na temporada de retorno à Primeira Divisão, assegurou outra façanha: a estreia em competições nacionais. O Próspera será um dos catarinenses na Série D do Campeonato Brasileiro neste ano.

Os últimos meses têm sido de muito trabalho fora de campo. Ou nem tanto. Acontece que o estádio do Próspera é o Mário Balsini, propriedade da prefeitura e cedido em comodato há muito tempo ao clube. Cabe ao Próspera cuidar do patrimônio. E quando veio o acesso à Série A já havia o alerta: era necessário trocar o gramado, ampliar as arquibancadas e instalar iluminação. Faltou verba.

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Em 2021, o paliativo foi usar o estádio do primo rico. No Heriberto Hülse, o Próspera fez boa campanha no Estadual, ganhou do próprio Criciúma por 1 a 0 e ajudou o co-irmão a ser rebaixado. - Vizinho só pede emprestado uma vez -. Assim, o presidente do Criciúma, Anselmo Freitas, havia anunciado há alguns meses que o Próspera devia encontrar outro abrigo para 2022. Era hora de arrumar a casa.

Foi o que o clube buscou. Mas demorou a conseguir os recursos. E as obras só puderam iniciar no Mário Balsino no começo de dezembro. - Estamos trocando todo o gramado - confirma o presidente Israel Rocha Alves. Não ficará pronto a tempo do primeiro compromisso em casa. - Nossa meta é reinaugurar nosso estádio em 9 de fevereiro, contra o Juventus - destaca. Assim, o Próspera tem outro problema a resolver: onde jogar nos dias 26 de janeiro e 2 de fevereiro, contra Hercílio Luz e Chapecoense?

Gramado começou a ser retirado no início de dezembro
Gramado começou a ser retirado no início de dezembro
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- Contra o Hercílio, fizemos um acordo para jogar no estádio deles em Tubarão. Mas a Federação acha que isso desequilibra o campeonato a favor do Hercílio e negou - conta o presidente. Assim, o Próspera não sabe onde estrear em casa, na segunda rodada, em pouco mais de uma semana. - Já fizemos contatos até com Florianópolis e Itajaí - comenta. 

Daí, uma turma começou o trabalho para reaproximar Próspera e Criciúma. O prefeito Clésio Salvaro e o deputado federal Daniel Freitas estão no grupo, tentando sensibilizar o Tigre a voltar a emprestar o Heriberto Hülse. E a ideia está sendo considerada. - É, o nosso calendário mudou - lembra o presidente do Criciúma. - Seria uma forma de oferecer dois jogos para o nosso sócio - observa. 

No último Catarinense, o Próspera ganhou do Criciúma no Heriberto Hülse
No último Catarinense, o Próspera ganhou do Criciúma no Heriberto Hülse
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O Criciúma tem feito, desde o acesso à Série B do Brasileiro conquistado em novembro, um trabalho de reestruturação do quadro social. Saltou de 900 pagantes para mais de 8,3 mil, com a meta de chegar a 10 mil até o Nacional, em abril. - De nossa parte, o Criciúma empresta sim. Mas tem um porém - sublinha Anselmo. É que o gramado do Heriberto Hülse vem passando por melhorias nas últimas semanas, e a última palavra sobre liberar ou não será dada pela agrônoma Maristela Khun. - É ela quem vai dizer se podemos deixar o Próspera jogar no Heriberto Hülse sem prejuízos para o nosso gramado - completa o dirigente. A decisão será tomada neste começo de semana.

O tema divide opiniões entre os torcedores do Criciúma. Enquanto muitos acreditam que o clube deve preservar o seu patrimônio e que o Próspera precisa buscar outra alternativa, outros entendem que se trata de um representante da cidade, e que precisa ser acolhido e apoiado.

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Com ou sem o Heriberto Hülse para iniciar o Catarinense, o Próspra vem otimista. Realizou uma boa etapa de preparação, mantém um time jovem e em treinamento desde o começo de dezembro e aposta na revelação de jogadores. O técnico é Emerson Cris, ex-Chapecoense e Concórdia. - Vamos brigar por uma boa posição - garante o presidente Israel. 

No último sábado (15), em jogo-treino, o Próspera venceu o Grêmio por 1 a 0 no CT do clube gaúcho, em Eldorado do Sul (RS).

Próspera ganhou do Grêmio em jogo-treino neste fim de semana
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Um pouco de história

O Próspera começou a surgir no cenário estadual nos anos 60, consolidando-se nessa época como um dos quatro times profissionais de Criciúma ao lado de Metropol, Comerciário e Atlético Operário.

Sua melhor campanha em nível estadual foi em 1971, quando sagrou-se vice-campeão catarinense. Chegou a ser cogitado para representar Santa Catarina no Campeonato Brasileiro em 1973, na época dos convites para a disputa. Depois, coube ao Figueirense a missão. Figurou como o único criciumense na elite estadual entre 71 e 76, quando pediu licenciamento.

Teve algumas participações na Série A do Catarinense nos anos 80 e em 2007, quando envolveu-se em uma polêmica perda de pontos que resultou no seu rebaixamento. Frequentou divisões inferiores do Estadual até licenciar-se novamente, voltando em 2018.

Próspera ganhou C e B do Catarinense com o ídolo Paulo Baier como técnico
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Jornalista com longa experiência no rádio e no digital, Denis Luciano aborda os principais assuntos do Sul catarinense, uma das regiões mais relevantes no Estado.

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