A Praça do Congresso é das áreas mais nobres de Criciúma. Em seu entorno estão algumas das taxas de IPTU mais altas da cidade. E também a moradia de famílias de poder aquisitivo elevado. Essa praça deverá ser cercada nos próximos meses. O debate causa polêmica na cidade.
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O prefeito Clésio Salvaro (PSDB) visitou a praça na manhã de sábado (10). A percorreu acompanhado de técnicos da prefeitura e do deputado federal Daniel Freitas (PSL). Pelo parlamentar, o município tentará captar R$ 3 milhões para revitalizar esta e também a Nereu Ramos, perto dali, que é a praça central de Criciúma.
– Se vier a emenda do deputado Daniel, ótimo. Se não vier, a prefeitura fará intervenções e revitalização com recursos próprios – anuncia o secretário Geral de Governo, Vágner Espíndola. – Irei a Brasília nos próximos dias, representando o prefeito Salvaro, para uma reunião no Ministério do Turismo – adianta. O gabinete do deputado criciumense está agendando uma audiência com o ministro do Turismo, Gilson Machado Neto, para a solicitação dos recursos.

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No projeto, vai ter cerca na praça
Aí vem a polêmica. O projeto de revitalização da Praça do Congresso que está sendo elaborado vai prever o cercamento do espaço. – É, sabemos que é um tema polêmico, mas vamos sim colocar a cerca na praça no projeto. Mas nenhuma decisão será tomada sem a consulta pública. Haverá uma exposição do projeto à população, assim que ele ficar pronto – refere o secretário.
O tema divide opiniões na cidade. Em 2013, o então presidente da extinta Autarquia de Segurança, Trânsito e Circulação (ASTC), Giovani Zappelini, ouviu de moradores da vizinhança a sugestão pelo cercamento da praça. Comentou o tema na imprensa mas logo foi repreendido pelo prefeito Márcio Búrigo, que era contra a providência.

A reclamação dos que defendem o cercamento da praça é que esse investimento trará segurança ao local. – Todo fim de semana tem grupos ali fazendo bagunça, barulho na madrugada, cantando, alguns até consumindo drogas. Toda vez que isso acontece nós chamamos a polícia – conta uma moradora dos arredores, que preferiu não se identificar. – Gente de bem não fica numa praça de madrugada – chegou a dizer na época o então presidente da ASTC.
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Prefeito simpatiza com o cercamento
O prefeito Salvaro, simpatizante do cercamento, consultou moradores do Centro em uma reunião em 2017, mas o tema não evoluiu. Em janeiro de 2020, quando da reinauguração do Parque Centenário Altair Guidi, Salvaro voltou ao assunto. Comentou com algumas pessoas que cercaria a Praça do Congresso e chegou a compará-la ao Central Park, em Nova York, dizendo que lá a conservação da praça melhorou, e a segurança também, com as cercas e horários de abertura e fechamento.
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Além da insegurança, há outra razão que motiva a discussão. É que a Praça do Congresso sofre com problemas de conservação, e o entendimento é que ela estará melhor cuidada se com a disciplina da abertura e fechamento, como ocorre nos parques das Nações, dos Imigrantes e Centenário, inaugurados nos últimos anos em Criciúma. O assunto chegou à Câmara. A vereadora Giovana Mondardo (PCdoB) protocolou requerimento solicitando esclarecimentos à prefeitura sobre os cuidados com a praça.
Animais mortos no lago
Nesse fim de semana, ganharam as redes sociais imagens de animais mortos na Praça do Congresso. Em uma dessas fotos, aparecem três tartarugas e um gambá sem vida, na mureta de um lago. As tartarugas morreram no próprio lago, que está sujo, com mau odor e sem manutenção, e o gambá teria sido envenenado.

– Esse lago, de fato, exige alguma providência diferenciada – reconhece o secretário de Governo. – No projeto que estamos elaborando, a ideia é diminuir o tamanho do lago e a parte que restar nós faríamos uma espécie de cobertura. Acontece que há muitas árvores ali, e a queda das folhas dessas árvores acaba criando uma camada orgânica dentro da água do lago, e isso dificulta a vida dos peixes e animais marinhos que existem ali – detalha.
Outro fator recorrente é que o lago é utilizado para descarte de tartarugas. Algumas pessoas adquirem o réptil como animal de estimação e depois, quando a tartaruga cresce, ela é abandonada no lago. Isso tem gerado uma superpopulação. O mesmo acontece com peixes de aquário lançados no local.
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O projeto de revitalização da Praça do Congresso está sendo elaborado por uma equipe da prefeitura que consultou o arquiteto Fernando Carneiro, o mais antigo de Criciúma na ativa e que foi responsável pela implantação do espaço de lazer. – A nossa ideia é investir na acessibilidade, com calçadas novas, com os caminhos internos pavimentados, com um melhor ajardinamento, parques infantis melhorados – explica Espíndola. O secretário frisa que um projeto de melhorias da Praça Nereu Ramos também será executado.
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Praça de sete décadas
A Praça do Congresso nasceu de um evento religioso. Em 1946, Criciúma foi sede de um Congresso Eucarístico de grande relevância para a Igreja Católica. O prefeito Addo Caldas Faraco determinou o aterramento do terreno, onde foi montada a estrutura do encontro.

Após, o espaço foi delimitado para dar origem a uma praça, passou a ser chamada assim mas ganhou efetivamente a estrutura para lazer nos anos 60, na gestão do prefeito Ruy Hülse.
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