O industrial Franke Hobold assume oficialmente na noite desta quinta-feira a presidência da Associação Empresarial de Criciúma (Acic) para mandato de três anos, sucedendo o empresário Valcir José Zanette. Entre as prioridades da nova diretoria estão a defesa por melhor infraestrutura regional, ampliação da formação técnica de trabalhadores e atração de investimentos porque a economia de Criciúma tem potencial para crescer em ritmo maior.

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O evento de posse, a partir das 19h30min, na sede da entidade, será antecedido de painel com o fundador e presidente do conselho da Granja Faria, Ricardo Faria.

À frente da Acic, Franke Hobold adianta que dará atenção também a atividades diretas para as empresas, como os núcleos setoriais e programas de conhecimento a empresários e levará adiante causas que vão além da Acic, que envolvem a comunidade.

Natural de Forquilhinha, graduado em administração de empresas pela Universidade do Extremo Sul de SC (Fucri-Unesc), casado, três filhos e quatro netos, Franke Hobold é CEO e sócio da Plasson, multinacional israelense que constrói e equipa unidades para produção de aves e suínos. Também é sócio de granja e incubatório de ovos parceira da JBS. Paralelamente, tem atuado no associativismo voluntário. Antes de assumir a Acic, foi presidente do Bairro da Juventude e do conselho do Hospital São José. A seguir, a entrevista:

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O que representa para o senhor o desafio da presidência da Acic? É a primeira vez que preside a entidade?

– Eu já participei de algumas diretorias na Acic. No último mandato, eu estive por três anos como vice-presidente. Então é pela primeira vez que eu estou assumindo a presidência. Aqui em Criciúma, eles mudaram um pouco, não tem mais reeleição, é um mandato de três anos sem reeleição.

Eu acho que é uma responsabilidade bastante grande, pois a Acic é uma entidade que não é mais só dos empresários, acaba sendo muito um porta-voz da comunidade. Assumi essa responsabilidade com muito compromisso, consciente da importância da associação e da responsabilidade que envolve essa função.

Nosso objetivo é trabalhar intensamente nos próximos três anos. Além das necessidades das empresas, a associação desempenha esse papel estratégico de ser porta-voz da comunidade.

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O que nos motiva é a oportunidade de contribuir para a comunidade. Participo há muito tempo desse meio e já tive a honra de presidir outras entidades, como o Bairro da Juventude e, mais recentemente, o Conselho Consultivo do Hospital João José, nosso hospital público regional. Sempre considerei isso como uma forma de retribuir à sociedade tudo o que conquistamos. Podemos devolver esse valor por meio do trabalho.

Diante de todos esses desafios, que não são apenas empresariais ou locais, quais são as prioridades da nova gestão?

– Desde a formação da chapa discutimos e estabelecemos pautas centrais. A Acic já tem um trabalho significativo voltado para a educação e vamos dar continuidade a essa pauta, com ênfase no ensino profissionalizante. Assim como em outras regiões, enfrentamos um desafio relacionado à mão de obra, não apenas em termos de disponibilidade, mas, principalmente, de qualificação.

Outro ponto relevante é a longevidade produtiva. Muitas pessoas entre 45 e 60 anos têm plena capacidade de continuar no mercado de trabalho, mas acabam sendo descartadas. Queremos atuar na requalificação desses profissionais para que possam seguir suas carreiras e atender à grande demanda das empresas por mão de obra qualificada.

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Se queremos que a região de Criciúma e o Sul catarinense continuem crescendo, e até mesmo acelerem esse crescimento, precisamos focar nesse aspecto. Além disso, acompanhamos de perto as obras estruturantes que impactam diretamente o desenvolvimento econômico da região.

No caso, o senhor se refere a obras de infraestrutura?

– Sim. Muitas delas estão em andamento, mas apresentam atrasos significativos. Precisamos intensificar o acompanhamento e a pressão para garantir sua conclusão. Um exemplo claro é a solução para o Morro dos Cavalos, que é urgente. O anel de contorno viário de Criciúma também exige atenção para que seja finalizado o quanto antes.

Outro tema essencial é o Aeroporto de Jaguaruna. Atualmente, ele é muito acanhado e, com a nova privatização, a parceria estabelecida pelo estado, há uma oportunidade de torná-lo mais relevante. Amanhã (19), estarei em Florianópolis para uma reunião com o governador, juntamente com associações empresariais da região para discutir essa questão.

Hoje, temos apenas um voo disponível, o que é insuficiente. Precisamos buscar alternativas para ampliar a conectividade aérea e fortalecer a infraestrutura regional. A Acic, em parceria com outras entidades, como as associações empresariais de Tubarão e Araranguá, continuará mobilizando esforços para viabilizar melhorias no aeroporto e em toda a infraestrutura necessária para o crescimento econômico do Sul catarinense.

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Como vê o desafio do Morro dos Cavalos, na BR-101?

– Esse é um gargalo crítico para o Sul de Santa Catarina, que se torna refém de qualquer problema na rodovia. Em períodos de chuvas intensas, a indústria local enfrenta dificuldades para receber matéria-prima e escoar produtos. Por isso, precisamos manter a pressão para que uma solução definitiva seja implementada, seja um túnel ou outra alternativa viável. Esse tipo de obra não pode cair no esquecimento e precisa ser acompanhada de perto até sua conclusão.

O que é mais importante em termos de infraestrutura para o Sul e para a região de Criciúma?

– Nós temos aqui a SC-108, que vai para Cocal do Sul e Urussanga, que já está licitada e que precisa ser agilizada. Temos a SC-445, que vai de Içara até a BR-101 que está a passos lentos para conclusão. Temos a BR-285 e tantas outras obras aqui no Sul que precisam de atenção.

Como avalia o atual momento da economia de Criciúma e como você vê o potencial dela para o futuro?

Particularmente, acredito que Criciúma pode alcançar um desenvolvimento econômico ainda maior. Nossa região cresce, Criciúma se expande, mas ainda fica atrás de outras regiões do estado. Se analisarmos a arrecadação de ICMS em Santa Catarina, Criciúma está aquém. Precisamos nos comparar com os melhores, não com aqueles que estão atrás. Acreditamos que a economia de Criciúma tem potencial para crescer ainda mais.

Isso depende do governo do estado e de diversos fatores, mas precisamos continuar trabalhando para que nossa região evolua no mesmo ritmo de outras partes do estado. Santa Catarina cresce mais do que outros estados do Brasil. Comparando Criciúma com outras regiões do país, nosso desempenho é positivo, mas podemos atingir o mesmo nível de crescimento das demais regiões catarinenses. Infraestrutura, qualificação da mão de obra e outros fatores são fundamentais para criarmos condições que impulsionem o desenvolvimento da região.

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O senhor acredita que, apesar da economia diversificada, há espaço para atrair mais investimentos para acelerar o crescimento? Quais setores poderiam se fortalecer?

– Temos um polo plástico importante e um polo cerâmico que enfrenta desafios devido ao custo do gás, mas continua relevante. Além disso, contamos com um setor de confecções estruturado, com tecnologia, mão de obra qualificada e know-how. O setor metalúrgico também tem força na região. Há segmentos com potencial de crescimento, pois dispomos de mão de obra qualificada para atender a demanda.

No entanto, já faz tempo que Criciúma não atrai uma grande indústria. Outras regiões conseguiram, e precisamos entender como tornar isso viável. O problema está na infraestrutura? Na falta de mão de obra? Precisamos discutir e buscar soluções.

Precisamos identificar o melhor caminho para isso. Muitas vezes, os investimentos passam pelo governo estadual, que precisa olhar para a nossa região com mais atenção. Empresas que chegam ao Estado buscam apoio do governo. Se conseguirmos demonstrar que Criciúma oferece boas oportunidades, podemos atrair mais investimentos.

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É preciso entrar nessa disputa. Algumas empresas preferem estar próximas a portos, mas Criciúma tem vantagens logísticas, ótima qualidade de vida…

– Criciúma e o Sul catarinense oferecem qualidade de vida diferenciada. Quando falamos disso, nos referimos à educação, saúde e segurança. Criciúma tem escolas de ensino médio de alto nível, além de universidades. Em saúde, dois hospitais da cidade figuram entre os 100 melhores do Brasil: o Hospital da Unimed, particular, e o Hospital São José, público.

Estamos próximos à Serra e ao mar, temos um comércio forte e uma cidade de porte médio com boa qualidade de vida, o que atrai novos moradores e investidores. Esses atributos precisam ser promovidos e explorados. Antes, não tínhamos rodovias adequadas para acessar a região, mas hoje temos estradas duplicadas que conectam Criciúma a Florianópolis e Porto Alegre.

Além disso, temos índices de segurança excelentes. Qualidade de vida envolve segurança, educação e saúde, e Criciúma se destaca nesses quesitos. Se compararmos com diversas regiões do Brasil e até do estado, nossa cidade tem um desempenho muito positivo.

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Quanto aos serviços que a Acic oferece, o que a entidade prioriza para pequenas empresas?

Um dos nossos principais focos é o suporte às micro e pequenas empresas. Queremos continuar e ampliar esse trabalho. Atualmente, temos 23 núcleos dentro da Acic, onde as empresas se reúnem para discutir suas dificuldades e desafios.

Nosso objetivo é manter e fortalecer essa rede de apoio, pois os núcleos são formados majoritariamente por micro e pequenas empresas. Além disso, queremos aproximar a Acic dos bairros, levando nossos serviços a mais empreendedores. Também estamos atentos à reforma tributária, que impactará diretamente essas empresas.

Grandes empresas geralmente contam com departamentos tributários estruturados ou contratam consultorias especializadas. Micro e pequenas empresas nem sempre têm acesso a esse suporte. Nosso compromisso é oferecer assistência para esclarecer as mudanças tributárias e preparar essas empresas para as novas exigências.

Além disso, queremos incentivar a transformação digital e a busca por eficiência. Grandes empresas já têm suas próprias equipes para isso, mas muitas pequenas ainda precisam desse suporte. Vamos trabalhar para levar esse conhecimento a mais empreendedores.

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Quais outros serviços a associação oferece para empresas associadas?

Oferecemos uma ampla gama de serviços. Temos suporte ao crédito, assessoria tributária e programas de privacidade, além de oferecer cartões empresariais. Também disponibilizamos certificação digital, certificado de origem e muitos outros serviços.

Outro ponto forte da Acic é a capacitação. Contamos com uma estrutura robusta para cursos, treinamentos e eventos. Muitas empresas utilizam nosso espaço para qualificação de seus colaboradores. O fluxo diário de pessoas na entidade é intenso, o que demonstra a relevância desses serviços para o empresariado local.

O senhor falou em falta de mão de obra qualificada. Que profissionais são mais necessários e como está a participação de imigrantes no município?

Recebemos mais migrantes de outras regiões do Brasil do que imigrantes estrangeiros. Claro, há presença de imigrantes, mas a maior parte das pessoas que chega vêm de outros estados. O grande desafio não é apenas a quantidade de trabalhadores, mas sim a qualificação.

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Precisamos formar profissionais que possam desenvolver carreiras sólidas nas empresas. A questão da disponibilidade de mão de obra pode ser resolvida por meio da migração, mas a qualificação exige um trabalho estruturado. Estamos atuando junto à prefeitura para fortalecer as escolas profissionalizantes da região e atrair mais alunos para esses cursos. Criciúma possui várias escolas profissionalizantes, mas precisamos aumentar o número de pessoas matriculadas e capacitadas. Hoje, muitas empresas abrem vagas e não conseguem preenchê-las por falta de profissionais qualificados.

Só para dar um exemplo, em nossa região, quando abrimos um processo seletivo, podem se inscrever 80 candidatos, mas apenas 10 ou 12 são contratados porque os demais não possuem a qualificação necessária. Infelizmente, encontramos casos de pessoas que saem da escola sem conhecimentos básicos. Isso impacta diretamente a empregabilidade e a produtividade das empresas.

Muitas empresas têm dezenas de vagas abertas constantemente, mas enfrentam dificuldades para encontrar profissionais preparados. Aqui na Acic, acompanhamos essa realidade de perto e sabemos que a capacitação é um dos caminhos para resolver esse problema.

Hoje, há profissionais técnicos de nível médio ganhando mais do que muitos formados em cursos superiores, como direito, administração e contabilidade. Essa é a realidade do mercado. Por isso, é essencial investir na formação técnica, agregando teoria e prática.

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