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“A gente cresceu 20 vezes na pandemia”, diz Jereissati sobre e-commerce do grupo

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Por Estela Benetti
04/10/2020 - 16h48 - Atualizada em: 04/10/2020 - 17h53
Carlos Jereissati Filho, CEO da Iguatemi, fala de novo e-commerce e retomada na pandemia
Carlos Jereissati Filho, CEO da Iguatemi, fala de novo e-commerce e retomada na pandemia (Foto: Iguatemi, Divulgação)

Desde a última terça-feira (29/09), a Iguatemi Empresas de Shopping Centers passou a atender Santa Catarina na sua nova plataforma nacional de e-commerce de luxo, o Iguatemi 365, que iniciou atividades em São Paulo em outubro do ano passado. Além de Florianópolis, já são atendidas as cidades de São José, Itapema, Balneário Camboriú, Itajaí, Blumenau, Joinville e Criciúma. Até o final do ano, o plano é atender todo o estado, informou em entrevista à coluna o presidente da companhia, Carlos Jereissati Filho.

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Segundo ele, o marketplace 365 é o 17º shopping do grupo. Tem atuação independente das lojas dos shoppings Iguatemi, oferece mais de 14 mil produtos de 350 marcas, das quais apenas 50% estão nos shoppings. Ele afirmou que durante a pandemia, o Iguatemi 365 registrou vendas 20 vezes maiores do que em meses anteriores. O empresário observou ainda que a ajuda que o setor de shoppings do país deu aos lojistas isentando de aluguel nos meses mais críticos da pandemia mostrou a maturidade do setor e isso está ajudando na retomada. Isso não aconteceu em outros países. 

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O grupo está presente em SC com o outlet I Fashion em Tijucas, às margens da BR-101. O shopping Iguatemi Florianópolis ainda leva a marca da administradora, mas a participação de 30% foi vendida para o fundo Vince em outubro do ano passado porque a nova estratégia da Iguatemi é integrar somente empreendimentos quando pode ter participação majoritária. Saiba mais a seguir sobre o que disse Jereissati sobre e-commerce e a nova fase da economia.

O que representa para o grupo Iguatemi o marketplace 365?

- Representa um sonho de muito tempo. Conseguimos fazer nele muitas coisas que gostaríamos de fazer há muito tempo e a tecnologia, agora, está permitindo. Uma é chegar em lugares em que a gente não estava presente. Em Santa Catarina, já estamos chegando em cinco cidades diferentes e a ideia, até o final do ano, é chegar ao estado inteiro. Conseguimos oferecer grande parte da nossa oferta física e mais um conjunto de marcas que a gente não conseguia disponibilizar antes. 

Por exemplo: um cliente do Iguatemi Florianópolis tinha acesso a 30% da oferta de São Paulo. Não tinha acesso a marcas como Ralph Lauren, Tiffany, Dolce & Gabbana, Egrey e A. Niemayer. E também não tinha acesso às melhores marcas nacionais que não saiam muito de São Paulo e Rio de Janeiro. Estavam apenas em multimarcas, mas em oferta reduzida. Eu acho que o Iguatemi 365 não só é capaz de chegar ao cliente onde ele não chegava, mas com produtos que o cliente não podia ter acesso. Essa também é uma grande oportunidade para empresas menores que não tinham condições facilitadas de estar num grande shopping, mas que agora conseguem oferecer seus produtos online para o Brasil inteiro.

Essa nova plataforma foi lançada em outubro do ano passado. Como foi o desempenho dela, agora, durante a pandemia?

- Sem dúvidas, como toda plataforma online, enquanto o varejo físico esteve fechado, principalmente em abril e maio, elas tiveram um crescimento muito acentuado. Depois da reabertura, boa parte do varejo físico voltou, mas o e-commerce seguiu mais alto do que no período anterior à pandemia. Então, a gente cresceu 20 vezes na pandemia e, agora, devemos estar entre 10 ou 15 vezes acima do que era no período pré-pandemia. A gente vinha num crescimento importante mas durante a pandemia estávamos apenas em São Paulo. A partir de julho expandimos para cinco capitais e, numa segunda onda, estamos indo para mais cinco capitais.

Qual é a expectativa de vocês para o mercado catarinense com 365?

- Olha é bem grande, porque além de as pessoas conhecerem bem a nossa marca, o Sul e Sudeste têm um reconhecimento muito forte de marcas. A gente já viu isso no Paraná, estamos vendo agora também em Florianópolis, em outras cidades de Santa Catarina como Balneário Camboriú, Joinville e Blumenau. Estamos sentindo que isso está chegando em outras cidades do interior do Estado. Há interesse grande em acessar grandes marcas.

Santa Catarina sempre teve consumidores de alta renda que viajavam para São Paulo para fazer compras em lojas de luxo. O senhor acredita que o marketplace 365 vai substituir um pouco isso?

- Um pouco, sim. Isso é liberdade. À medida que o Iguatemi 365 passa a ser reconhecido como um e-commerce com uma curadoria bacana, com seleção de marcas e produtos interessantes, as pessoas poderão comprar uma parcela significativa por e-commerce. Isso principalmente das marcas que elas já conhecem. Eu lembro, há 10 anos, que eu estava no Ceará, na praia, lendo a revista The Economist. Anos antes, nem o jornal chegava no Brasil. Esse acesso dá mais liberdade. O consumidor de Blumenau, por exemplo, não tem na cidade a marca Ermenegildo Zegna, mas sabe o seu tamanho, acessa pelo site e terá o produto no seu endereço. É claro que o consumo está atrelado a passeios. Mas o consumo do que a pessoa já conhece, pode ser feito via internet.

Como estão os prazos para entregas do marketplace em Santa Catarina?

- A Iguatemi é muito responsável em todo esse processo. É a gente que recolhe na loja, a gente que embala, faz a expedição do produto e temos transportadora privada responsável para fazer as entregas. A pessoa que adquire um produto, recebe num prazo de três a oito dias em Santa Catarina, dependendo da cidade onde está.

Durante a fase de maior isolamento social muitos esperavam que o comportamento do consumidor mudaria no pós-pandemia. Na sua avaliação, mudou?

- Eu brinco sempre de que eu gosto muito de história. Eu acho que as pessoas têm mania de ver uma fotografia e pensam que viram o filme todo. O comportamento humano é muito difícil de mudar. A vontade de ser validado por seu grupo, de ser reconhecido como pessoa única, essas coisas não mudam de uma hora para outra por causa de uma doença. Acho que as pessoas cansaram da pandemia, estão voltando a circular. 

No início, com certeza, teve uma queda importante do consumo, mas a partir do momento em que as pessoas foram entendendo essa doença, elas começaram a retomar muitas coisas das suas vidas normais. Não completamente, é obvio, mas estão voltando com segurança a se encontrar, saindo para almoçar, para jantar, para comprar, ou seja, muita coisa está voltando a ser o que era antes da pandemia.

Como foi o primeiro semestre para o Grupo Iguatemi?

- Teve um momento bem duro, quando tivemos que fechar em abril e maio, mas depois a gente foi retornando aos poucos, os horários foram sendo ampliados e hoje as vendas já correspondem a 80% ou 90% das registradas no período pré-Covid. Acho que o setor de shoppings foi um dos mais maduros no sentido de perceber que não iria haver uma ajuda rápida do governo às empresas. 

A gente deu capital de giro para os nossos lojistas por meio da isenção de aluguel e redução das taxas de condomínio, principalmente no período fechado, e depois a gente veio estabelecendo uma política de descontos gradativos à medida em que a reabertura foi acontecendo. Essa foi uma dinâmica que funcionou bem, mostrou maturidade do setor e fez a gente passar, relativamente, com baixas taxas de inadimplência e de vacância, mesmo em um momento delicado da economia como um todo. A gente viu os resultados. Estão sendo abertas novas lojas no nosso outlet. Uma nova é a Diesel. 

Quando você olha para o mundo, o Brasil foi um dos pouquíssimos países onde os shoppings deram isenção de alugueis, diferente dos Estados Unidos, Europa e Ásia, onde a maioria foi apenas postergado. Eu até perguntava para alguns lojistas: qual foi o banco que te deu isenção de juros? Qual foi a companhia de energia que deixou de cobrar a conta de luz? O que a gente fez, foi meio único.

A Iguatemi foi uma das empresas fizeram doações para o enfrentamento da pandemia. O que vocês priorizaram?

- A gente decidiu priorizar as localidades onde possuímos mercados, dar um suporte para as comunidades que ali vivem. No começo, estavam se perdendo muitos profissionais da saúde por conta de que não tinha testes, e assim, qualquer sintoma o profissional já era afastado e não tinha uma boa precisão do momento de voltar. Então fizemos largas doações de máscaras e testes para as entidades de saúde. E junto com a Cruz Vermelha arrecadamos agua, álcool em gel, produtos de limpeza, alimentos, essas coisas que no momento eram de maior preocupação.

Vocês atuam também com outlets. Um dos quais, o I Fashion, fica em Tijucas, Santa Catarina. Como a pandemia impactou esse segmento?

- Os outlets têm sido uma grata surpresa nessa pandemia. Foram os primeiros a retomar atividades e também os primeiros a superar a média de vendas do ano passado. Acho que isso ocorreu por uma conjunção de coisas. O fato de serem empreendimentos abertos pode ter ajudado, mas também pode ser porque as pessoas buscavam produtos com preços mais acessíveis por não saberem como ficariam suas rendas após a pandemia.

Estela Benetti

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Especialista na economia de Santa Catarina, traduz as decisões mais relevantes do mercado, faz análises e antecipa tendências que afetam a vida de empresários, governos e consumidores.

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Especialista na economia de Santa Catarina, traduz as decisões mais relevantes do mercado, faz análises e antecipa tendências que afetam a vida de empresários, governos e consumidores.

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