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Acic celebra 75 anos e divulga estudo sobre ferrovia Chapecó-Cascavel

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Por Estela Benetti
10/05/2022 - 11h40 - Atualizada em: 10/05/2022 - 11h46
Presidente da Acic Chapecó lidera comemoração dos 75 anos e posse festiva da nova diretoria
Presidente da Acic Chapecó Lenoir Broch lidera comemoração dos 75 anos e posse festiva da nova diretoria (Foto: Acic Chapecó, Divulgação)

Entidade empresarial mais influente no Oeste de Santa Catarina, a Associação Comercial e Industrial de Chapecó (Acic) celebra 75 anos de atividades na noite desta terça-feira, às 19h30min, na Fasul Eventos, e faz a posse festiva da nova diretoria para os anos de 2022 e 2023, que tem como presidente o industrial Lenoir Broch. Para marcar essa data histórica, a entidade vai entregar o Estudo de Viabilidade Técnico e Econômico do ramal ferroviário entre Cascavel e Chapecó, um projeto da Nova Ferroeste, empresa ferroviária do Paraná, que terá um representante na solenidade desta noite.

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Se acordo com Lenoir Broch, o estudo, feito numa parceira entre oito entidades catarinenses que investiram R$ 750 mil, concluiu que o projeto é viável economicamente e que o Oeste catarinense poderá economizar até 30% dos cerca de R$ 7 bilhões em frete que gasta anualmente hoje para trazer milho de caminhão do Centro-Oeste do país.

O trecho de 263 quilômetros de extensão terá 18 túneis, 32 obras de arte especiais (pontes e viadutos) e vai exigir investimentos da ordem de R$ 6,8 bilhões. Segundo o presidente da Acic, o Rio Grande do Sul, que também precisa de milho, estará no evento porque quer uma extensão do ramal até Passo Fundo.

Em entrevista para a coluna, Lenoir Broch falou sobre a relevância desse ramal ferroviário do projeto paranaense que vai até o Porto de Paranaguá e também de outras demandas do Oeste do Estado. Segundo ele, a grande carência é de infraestrutura.

Natural de Colombo, Oeste de SC, Lenoir Broch é fundador e sócio da Broch Empreendimentos, empresa do setor de construção civil e silvicultura. Graduado em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), ele já foi presidente do Sindicato da Indústria da Construção de Chapecó. Sucede na Acic o empresário Nelson Okimoto, que liderou a entidade por dois anos. Leia a entrevista de Lenoir Broch a seguir:

Por que a decisão de fazer evento de comemoração dos 75 anos da Acic e nele apresentar o estudo sobre o ramal ferroviário Chapecó-Cascavel?

Efetivamente, em primeiro de janeiro a diretoria da Acic é empossada, mas a tradição é fazer a posse festiva no mês de março. Este ano, em função do aniversário de 75 ano da entidade, deixamos para fazer essa posse festiva dia 10 de maio. Além da posse, vamos homenagear ex-presidentes da Acic e conseguiremos apresentar o estudo, já concluso, de viabilidade do ramal ferroviário Chapecó-Cascavel. Será ainda sem o relato final da empresa que promove o mesmo, mas concluso, afinal, queremos comemorar o aniversário de 75 anos da entidade dando este presente ao ‘Grande Oeste’ principalmente, mas também ao Estado de Santa Catarina.

A gente até fez uma entrega parcial do estudo no Paraná em 19 de abril. Também vamos fazer as entregas para o Estado e ao governo federal. São oito entidades que se reuniram para promover esse estudo. Queremos sensibilizar os governos de Santa Catarina, Paraná e até o do Rio Grande do Sul. O Rio Grande também é um grande consumidor de milho, importa bastante e precisa que esse ramal vá até lá, quem sabe até Passo Fundo. Por isso, além da Federação das Indústrias de SC (Fiesc), a do Rio Grande do Sul (Fiergs) também estará no nosso evento desta terça.

Qual a importância desse ramal ferroviário para o Oeste de Santa Catarina?

É extremamente importante. Estamos aprendendo isso, agora, com a pesquisa e análise de viabilidade. Economicamente, ele é viável, o que deve gerar interesse dos investidores para o leilão que deve acontecer no segundo semestre de 2022. Não há, ainda, a data precisa porque depende de audiências públicas nos municípios por onde a ferrovia vai passar, mas esse trecho virá de Maracaju, no Mato Grosso do Sul, e iria inicialmente até Paranaguá, com ramal até Cascavel, que já existe uma parte, e a implementação desse ramal que ligaria Cascavel até Chapecó. 

É extremamente importante para nossa região, principalmente a Região Oeste, mas eu diria também para o Estado de Santa Catarina porque o objetivo é a gente manter e sustentar a agroindústria na região. É mais importante trazer alimentação do que a agroindústria ir embora daqui. Hoje, a nossa região Oeste consome em torno de 7 milhões de toneladas de milho por ano. Nós produzimos menos de 2 milhões de toneladas. Importamos próximo de 5 milhões de toneladas.

Esse produto todo, que antigamente era fornecido pelo Paraná, hoje já não é mais. O Paraná consome praticamente toda a produção de milho, que é o principal produto da ração e logo vai estar importando também do Mato Grosso. A ideia de trazer esse ramal de Maracaju até Chapecó é que a gente consiga trazer esse milho via ferrovia, que é essencial.

Nós gastamos de frete de R$ 6 bilhões a R$ 7 bilhões anuais e a ferrovia viria a colaborar, de acordo com os estudos, com economia de até 30% somente de frete. É muito importante, não apenas para agroindústria, mas temos diversas áreas da economia que dependem desse transporte e a ferrovia viria nos ajudar a cumprir esse objetivo.

Quais são os investimentos previstos para esses projetos?

Para o ramal todo, começando em Maracaju, no Mato Grosso do Sul, até o Porto de Paranaguá, vai exigir investimento próximo de R$ 30 bilhões. O trecho Cascavel-Chapecó vai passar de R$ 6,5 bilhões de investimento, considerando trilhos e todo o sistema montado.

O que está previsto de prazo para conclusão desses ramais?

A princípio, a obra deve começar do Mato Grosso do Sul em direção ao nosso Estado até porque mais do que subir mercadoria vai descer. Um dos objetivos da Ferroeste é ligar Maracaju ao Porto de Paranaguá, com um ramal em Cascavel e outro em Foz do Iguaçu. E ainda esse de Cascavel a Chapecó. 

Então o nosso objetivo, enquanto entidade líder, foi juntar diversas entidades com interesse nesse projeto como a Acic Chapecó, Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Centro Empresarial de Chapecó (CEC), Fiesc, Federação da Agricultura do Estado (Faesc), Federação das Associações Empresariais (Facisc), Organização das Cooperativas de SC (Ocesc) e Sindicarnes SC. São oito entidades que se juntaram para patrocinar esse estudo e presentear os dados de viabilidade técnica para que no momento do leilão, previsto para o segundo semestre deste ano, os dados estejam disponíveis aos investidores.

Com relação ao prazo da obra, ela deve começar do Mato Grosso para baixo. As obras vão acontecendo de acordo com a economia regional. Daqui a pouco, se o trecho Cascavel Chapeco for interessante, talvez os investidores resolvam executar em primeira mão. Caso contrário, o prazo de execução pode passar de quinze anos. 

A gente acredita que pelo menos em dez anos tenhamos o ramal pronto, é um sonho e há um interesse, mas temos a consciência de que não é uma obra rápida e que depende de muitas coisas para acontecer. Então vamos estar brigando para que o Estado de Santa Catarina seja valorizado com a implementação desse ramal.

Além de trazer milho, a ferrovia vai levar produtos para o porto também?

Agora, está sendo feito um estudo sobre a ligação até Lages. Mas esse estudo que foi patrocinado por essas entidades visa viabilidade técnica e ambiental e a manutenção desse ramal ferroviário. A princípio ele viria trazendo milho, soja e farelo de soja, retornando com carne suína, aves e peixes. Com esses itens já é economicamente viável para algum investidor acreditar no potencial desse ramal

O transporte de proteína será ao Porto de Paranaguá?

A princípio sim, o cálculo que seria feito saindo do Oeste de Santa Catarina até Cascavel em direção ao porto levando proteína animal, mas temos outras coisas que podem ser exportadas via Porto de Paranaguá. E o próprio trecho Foz do Iguaçu e Paranaguá se torna economicamente viável. 

A gente observou agora, dia 19 de abril, em Curitiba, que eles já têm plano de viabilidade do trecho de Cascavel até Paranaguá. Ele é economicamente viável, independe do trecho Cascavel Chapecó. Mas o trecho catarinense agrega muito, dá muita importância e valoriza muito o investimento.

Vocês também têm uma demanda muito grande de rodovias no Oeste. Que obras são mais urgentes?

Estamos aguardando a entrega pelo governo federal de um ramal da BR-282, duplicação do trecho Chapecó até o trevo da BR-153, que é a Transbrasiliana até Irani. É um trecho que não chega a 100 quilômetros, mas seria uma oportunidade de investimento para que a gente tenha atendido essa necessidade de transporte que ligaria Chapecó até a 153 e lá trânsito principalmente de caminhões que se divide. Uma parte vai para o Rio Grande do Sul, uma parte segue para BR-282 e vai para SC mesmo e vai se mantendo uma grande parte desse trânsito entra na 153 sentido Paraná.

Para nós o mais urgente é esse trecho que liga Chapecó ao que a gente chama de trevo de Irani até a BR-153. O trecho de Ponte Serrada, da ponte de Irani até a BR-153 tem estado intransitável. É uma rodovia abandonada. Infelizmente, temos problemas graves de manutenção, acidentes, buracos, aguardando manutenção. A notícia que a gente tem do governo federal é que está sendo licitado uma recuperação, um tapa buracos, uma terceira pista. Mas, por enquanto, não temos nada.

Por enquanto é urgente e necessário a melhoria desse trecho da BR-282 quando se fala em rodovia federal, mas temos um problema seríssimo na BR-283 que liga Concordia até o Extremo Oeste de SC, Concordia- Seara-Chapecó. É um trecho que está semi-abandonado, uma rodovia estadual que precisa urgentemente ser trabalhada.

Eu sempre digo que o Oeste de SC tem que ser trabalhado, para que essas obras existam e são muito importantes para economia do Estado. Infelizmente as obras não acontecem de fato, os motoristas sofrem acidentes, atrasos, mercadorias que custam caro, perdemos a competitividade, por isso que brigamos pela competitividade.

Vocês têm o aeroporto que foi concedido para a iniciativa privada. Como estão evoluindo as obras?

O aeroporto foi privatizado agora. A empresa que venceu a licitação está fazendo uma reforma na área de embarque. Está numa situação caótica até porque o aeroporto continua funcionando enquanto as obras precisam andar. Mas a gente está se reunindo com a empresa que venceu a licitação, que está fazendo as obras, para passar a ela as nossas necessidades nessa fase. 

Algumas melhorias nas próprias obras para dar melhores condições aos nossos usuários. Acredito que hoje nós passamos de 1 milhão de passageiros por ano e precisamos urgentemente recuperar o nosso aeroporto. Estamos torcendo para que a obra ande rápido e que logo poderemos ter um aeroporto descente para que possa atender a nossa necessidade. A princípio as obras devem ficar prontas este ano.

Nós temos uma eleição este ano. Vocês vão fazer alguma lista de reivindicação aos candidatos?

A gente promoveu em janeiro quando assumimos a diretoria o que chamamos de manifesto pelo Oeste, esse manifesto coloca realmente e como a gente se sente sendo catarinense até trouxe nas nossa conversas o termos catarinisar o que ainda mostra a divisão no estado, onde a gente ainda pensa como antigamente. 

Temos Lages para cá e de Lages para lá. Pretendemos usar esse verbo catarinisar para mostrar a importância do Oeste para Santa Catarina e vice-versa. Nos sentimos abandonados e temos necessidade urgente das obras. Por isso, a gente não só reclama, mas também ajuda a financiar os projetos para que as obras aconteçam. Nossas reclamações vão desde o transporte, a logística, a energia elétrica, saúde, habitação.

Todas as áreas são deficitárias. Recebemos recentemente uma nova subestação, mas precisamos muito mais na área de energia. Quando falamos de saúde, é muito grave. O nosso Hospital Regional atende uma média de 2 milhões de pessoas e precisa ser melhorado. Tem uma área nova que necessita ser equipada. O nosso hospital tem uma dívida anual que não consegue pagar porque o custo de um paciente do SUS é maior do que o Estado paga.

Qual é a importância da Acic para a economia regional?

Eu sempre digo que, para mim é uma grande honra liderar essa nova diretoria da entidade, até pela longevidade. São 75 anos de empreendedorismo, de antigos presidentes que estiveram à frente. A Acic é uma líder regional porque ela pode capitanear muitos interesses do Oeste catarinense, para que a região seja ouvida. A Acic se propõe a liderar isso para mostrar aos políticos e investidores o potencial da nossa região, tanto econômico quanto de trabalhadores qualificados, com capacidade de trabalho, capacidade empreendedora. 

A Acic lidera esse movimento regional na briga pela defesa do Oeste. Esses 75 anos mostram bem que não é uma entidade jovem, inexperiente. Temos um conselho com ex-presidentes que nos passam as suas experiências e, uma diretoria com uma parte de jovens que têm essa inquietação, essa vontade de mudar, envolvendo toda a região. Por isso, nesse evento vamos homenagear os ex-presidentes e entregar o estudo para que essa obra da ferrovia seja feita o mais breve possível.

Estela Benetti

Colunista

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Especialista na economia de Santa Catarina, traduz as decisões mais relevantes do mercado, faz análises e antecipa tendências que afetam a vida de empresários, governos e consumidores.

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Especialista na economia de Santa Catarina, traduz as decisões mais relevantes do mercado, faz análises e antecipa tendências que afetam a vida de empresários, governos e consumidores.

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