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Banco Central está mais livre para conter a inflação, mas cenário é de dificuldade

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Por Estela Benetti
12/01/2022 - 06h29 - Atualizada em: 12/01/2022 - 09h45
Pressão inflacionária vai continuar em 2022
Pressão inflacionária vai continuar em 2022 (Foto: Iano Andrade, CNI)

O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, enviou ao ministro da Economia, Paulo Guedes, nesta terça-feira, a primeira carta explicativa sobre inflação fora da meta nesta nova fase de BC independente, iniciada em fevereiro de 2021. Ele informou que pesaram principalmente para a inflação do ano passado chegar a 10,06% a alta dos preços das commodities - petróleo, alimentos e minérios -, da energia, desequilíbrios na oferta de insumos e gargalos nas cadeias produtivas globais. Indicou que a expectativa é de inflação de 4,7% para 2022, mas o mercado já projeta mais pelas novas pressões de preços com fatos recentes como a seca e a nova onda da pandemia.

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Em 2021, a economia brasileira teve mais choques de oferta do que a média mundial e isso pesou para as dificuldades enfrentadas pelo BC para conter a inflação. Enquanto o mundo teve o problema da pandemia e suas consequências, o país teve também o choque hídrico, que esvaziou reservatório de geração de energia.

Além disso, na carta, o presidente do BC também pontua a depreciação diferenciada da moeda brasileira, influenciada pela questão fiscal. Embora ele não tenha sido explícito, as dificuldades políticas, incluindo o comportamento do presidente Jair Bolsonaro, têm pressionado o dólar para um patamar mais elevado e mantido assim, apesar do alto valor das commodities exportadas, que normalmente resultavam em valorização da moeda nacional e, portando, em dólar mais barato no país.

Para o vice-presidente executivo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Glauco José Corte, as explicações sobre a evolução inflacionária de 2021, causada sobretudo pelo preço das commodities e da energia, nesse caso pela escassez hídrica, assim como pelos entraves na cadeia produtiva em decorrência da pandemia, fazem sentido.

- Porém, o mais importante são os compromissos reafirmados pelo Banco Central em relação a meta de 3,5% para este ano, 3,25% para 2023 e 3% para 2024. Isso é que é importante o que o país, de fato, precisa perseguir – destacou o líder industrial.

Na carta, o presidente do BC também deixou claro que a instituição seguirá firme nas medidas para colocar a inflação na meta até 2023. Reafirmou, por exemplo, que na próxima reunião do Copom o juro básico vai subir mais 1,5 ponto percentual.

Mas novas dificuldades surgem no cenário e podem seguir gerando pressão inflacionária. O preço do petróleo continua pressionado, a nova onda de Covid pode causar mais desequilíbrio em cadeias produtivas e a seca inesperada no Sul e Centro-Oeste do país já fez a Conab reduzir em quase 7 milhões a nova safra de grãos.

Além da estabilidade nos preços, o consumidor brasileiro, que perdeu mais de 10% do poder de compra no último ano, precisaria de preços em queda. Mas o cenário não indica isso e a instabilidade política em ano de eleição no país deve manter o dólar acima de R$ 5,00. O Banco Central, agora autônomo, terá a garantia de poder trabalhar sem interferências políticas. Mesmo assim, o cenário indica que será um ano de desafios econômicos para a maioria dos brasileiros porque o Brasil seguirá um país caro.

Estela Benetti

Colunista

Estela Benetti

Especialista na economia de Santa Catarina, traduz as decisões mais relevantes do mercado, faz análises e antecipa tendências que afetam a vida de empresários, governos e consumidores.

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