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Riscos logísticos

China fecha porto por um caso de Covid e atrasa o transporte mundial

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Por Estela Benetti
16/08/2021 - 20h00
Porto de Ningbo, no Sul da China
Porto de Ningbo, no Sul da China (Foto: Dreamstime.com, divulgação)

O governo chinês tem sido rigoroso no enfrentamento da Covid-19. A mostra disso foi o fechamento de um dos terminais do terceiro maior porto do mundo, o Ningbo-Zhoushan na última quarta-feira (11/08). Um trabalhador testou positivo para a variante Delta de Covid e cerca de 2 mil portuários foram colocados em isolamento. Menos de uma semana depois, essa decisão chinesa já causava nesta segunda-feira filas de 350 navios, informou o site do jornal O Globo.

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O temor é de que essa paralisação cause estragos semelhantes aos provocados pelo problema do navio Even Given, que encalhou no Canal de Suez em março, por seis dias. O fechamento do terminal agrava a difícil logística mundial ainda não recuperada da primeira onda da pandemia em 2020.

A decisão das autoridades chinesas em Ningbo preocupa a empresária Aline Martins Faraco, diretora da Faracomex, empresa de comércio exterior de Florianópolis. Ela alerta que esse problema deve causar atrasos em cascata e agravar ainda mais as dificuldades do comércio internacional, que enfrenta também demora por falta de matérias-primas na China, falta de contêineres e excesso de demanda dos Estados Unidos em função da retomada econômica.

- O Porto de Ningbo é uma das principais rotas de cargas da China para o Brasil. O fechamento do terminal preocupa porque os navios que atracam em Ningbo que vêm da Índia, que também é uma rota comum, têm que ficar em quarentena. Isso gera um efeito cascata que atrasa todo o rodízio de navios no mundo – alerta a empresária.

Executivos do Porto de Itapoá, no litoral Norte catarinense, estimam que se ocorrerem impactos em Santa Catarina em função desse fechamento na China, eles começarão a ser sentidos daqui a 20 ou 30 dias. Itapoá é o líder em movimentação de contêineres no Estado.

De acordo com Aline Faraco, outro problema é o custo crescente do frete marítimo, que somente no ano passado subiu seis vezes. Ela calculou que nos últimos cinco anos, o frete aumentou 540%. Em função desse alto custo, tem importador que está postergando compras esperando uma queda de custo que não existe no horizonte.

Outros seguem comprando, mas vão repassar os custos maiores ao consumidor. A empresária diz que o ciclo de um navio é de 50 a 60 dias. Depois disso, será possível ter ideia de quanto será o impacto desses problemas logísticos na balança comercial catarinense.

O problema logístico na China que afeta o mundo todo gera efeitos diversos nos preços. Os custos de parte das matérias-primas que dependem de produção chinesa ficaram mais caros e seguem pressionados. Mas o impacto da variante Delta também está levando cidades a decretar isolamento e isso vem reduzindo atividade econômica e os preços de commodites no mundo, em especial do petróleo e de minérios. Apesar disso, o dólar segue pressionado no Brasil em função dos problemas políticos causados pelo presidente Jair Bolsonaro.

Estela Benetti

Colunista

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Especialista na economia de Santa Catarina, traduz as decisões mais relevantes do mercado, faz análises e antecipa tendências que afetam a vida de empresários, governos e consumidores.

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