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Como a eleição afeta a economia: greve no BC e Petrobras são exemplos

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Por Estela Benetti
03/04/2022 - 08h50
Funcionamento do Pix pode ser afetado pela greve do Banco Central
Funcionamento do Pix pode ser afetado pela greve do Banco Central, embora a instituição afirme que tem plano para evitar esse problema (Foto: Marcello Casal Jr. , Agência Brasil)

Além da pandemia e da guerra, que colocaram a inflação a patamares acima do suportável, o brasileiro enfrenta mais riscos na economia em função de decisões de interesse eleitoral, tomadas pelo presidente Jair Bolsonaro, visando a reeleição em outubro. A greve dos servidores do Banco Central, iniciada sexta, pode colocar em risco até o funcionamento do Pix e a troca da presidência da Petrobras foi sem necessidade.

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Informado pelo Ministério da Economia de que não seria possível reajustar salários de todos os servidores da União este ano por falta de recursos, o presidente decidiu repor apenas os vencimentos de policiais federais. Mas servidores da elite, como do Banco Central e Tesouro Nacional iniciaram movimento por reajuste, com crítica à decisão seletiva.

O movimento grevista do Banco Central já estava atrasando uma série de estatísticas e, de acordo com o sindicato da categoria, por falta de equipe até o Pix, serviço que agora lidera as transferências bancárias, pode sair do ar porque não está no grupo de essenciais. A categoria cobra reajuste de 27%.

Na Petrobras, o afastamento de Joaquim Silva e Luna da presidência para contratar Adriano Pires, mantendo o alinhamento de preços do petróleo com o exterior, significa mais do mesmo, para distrair o noticiário contra outros problemas, como o escândalo no Ministério da Educação. A promessa de criação de um fundo para combustíveis, possivelmente usando o lucro da estatal, não requer mudança na presidência da empresa.

No ano passado, decisões do governo com interesse eleitoral elevaram o câmbio e ajudaram a elevar a inflação. Esse risco do Pix mostra que as pessoas têm que ter mais alternativas para serviços bancários, o que eleva custos num país onde 70% têm renda de até dois salários mínimos. Essas crises mostram que a democracia precisa ser aperfeiçoada para evitar perdas à maioria. Fim da reeleição ou adoção de parlamentarismo podem ser alternativas.

Estela Benetti

Colunista

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Especialista na economia de Santa Catarina, traduz as decisões mais relevantes do mercado, faz análises e antecipa tendências que afetam a vida de empresários, governos e consumidores.

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