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    Entrevista

    "A melhora da iluminação pública representa maior segurança, diz empresário, sobre PPPs no setor

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    Por Estela Benetti
    03/07/2020 - 16h26 - Atualizada em: 03/07/2020 - 16h29
    Gilberto Vieira Filho, fundador e presidente da Quantum Engenharia Foto: José Somensi, Divulgação
    Gilberto Vieira Filho, fundador e presidente da Quantum Engenharia, de SC Foto: José Somensi, Divulgação

    Um dos segmentos do setor de infraestrutura que não parou com a pandemia é o de parcerias público-privadas (PPPs) para iluminação pública de cidades. O empresário catarinense Gilberto Vieira Filho, presidente da empresa Quantum Engenharia, de São José, explica que esse avanço ocorre porque a concessão reduz custos para as prefeituras e melhora a atividade econômica. A empresa integra os consórcios QLuz, que assumiu a iluminação de Palhoça em maio, e o IP Sul, que assumiu a de Porto Alegre mês passado, entre outros.

    Graduado em engenharia elétrica pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Gilberto Vieira Filho fundou a Quantum há 30 anos. Com atuação em todo o Brasil e mais de 500 empregos diretos, a companhia também constrói usinas solares fotovoltaicas e subestações de energia, entre outras obras. Atualmente, está fazendo subestação para projeto Lagoa dos Ventos, no Piauí, a maior usina eólica em construção na América Latina. Conforme Vieira, praticamente todo o setor de infraestrutura está sofrendo com os efeitos da pandemia. Saiba mais na entrevista a seguir:

    Apesar da crise da pandemia, prefeituras de diversos portes seguem privatizando a gestão da iluminação pública por meio de editais de PPP. Por que esse movimento?

    Primeiro devido a questões econômicas, como o fato de os contratos de PPPs possuírem grande estabilidade, já que preveem um prazo de 20 a 30 anos; ao grande volume de materiais e serviços empregados, ocasionando ganho de escala; à economia de energia elétrica que as luminárias com tecnologia LED proporcionam, assim como os valores da operação do sistema de Iluminação pública diminuem muito para as prefeituras, ocasionando uma importante redução de despesas; e porque, neste momento de crise, todas as prefeituras estão buscando diminuir seus orçamentos. Segundo, porque a melhora da iluminação pública representa maior segurança pública e, consequentemente, maior atividade noturna, incrementando o comércio e o turismo.

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    Como a pandemia está impactando obras de infraestrutura em SC e no país?

    Devido aos cuidados especiais, tais como medições de temperatura constante, cuidados de assepsia, quarentenas, bloqueios e dificuldade dos fornecedores em manter preço e prazo, as obras têm um aumento de prazo e custo. É preciso ter muito cuidado, reforçar as ações de segurança no trabalho e ambiental, bem como respeitar os protocolos federais, estaduais e municipais vigentes, entender todas as mazelas da pandemia, para manter a integridade dos profissionais que trabalham neste período, pois eles são o bem maior de todas as empresas.

    A sua empresa, a Quantum Engenharia, atua com infraestrutura para energia. Quais segmentos estão sofrendo mais e menos na atual fase?

    Todas as áreas de infraestrutura estão sofrendo, pois todos os esforços estão concentrados na área de saúde pública, como era de se esperar, pela urgência das ações que estão sendo tomadas, já que a vida é o bem maior. O setor de energia elétrica e de iluminação pública como um todo, por ser considerado serviço essencial, sofre um pouco menos que outros setores, mas também sentiu o momento.

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    Como vê a evolução da geração solar no Brasil?

    Entendemos que o maior crescimento futuro da geração no Brasil e no mundo está nas energias renováveis, principalmente eólica e solar. A energia solar, setor que a Quantum atua fortemente, cresceu vertiginosamente nos últimos três anos, atingindo mais de 600% de crescimento neste período em nossa empresa. A matriz termoelétrica, por ser muito poluente, está praticamente em desuso, e a hidráulica, devido às modificações no meio ambiente que são necessárias às obras, está cada vez mais difícil de se consolidar nos novos empreendimentos.

    A empresa que o senhor fundou acaba de completar três décadas de atuação. Quais foram as principais obras realizadas?

    Realmente é um orgulho completar 30 anos de história na área de engenharia. Foram inúmeras grandes e importantes obras executadas. Mas podemos citar na área de iluminação pública a Ponte Anita Garibaldi, em Laguna, bem como as PPPs de Porto Alegre, Palhoça e Ribeirão das Neves (MG), além da operação de importantes cidades como Florianópolis, São Jose, Blumenau, Joinville e Santos (SP).

    Na área solar fotovoltaica, fizemos a Usina de Tacaratu, em Pernambuco, com 11 MW, a maior do Brasil até dois anos atrás e a primeira usina híbrida do Brasil; e, na área de subestações, estamos atendendo o empreendimento Lagoa dos Ventos, a maior usina eólica atualmente em construção na América Latina, no Piauí, com 700 MW.

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