Com uma trajetória reconhecida no Brasil e no mundo, o setor de tecnologia de Santa Catarina quer fazer do ano de 2020 a oportunidade para se apresentar mais na esfera global e se fortalecer com a atração de mais investimentos. O empreendedorismo em startups seguirá forte no Estado, voltados a soluções para empresas e os consumidores. Para o presidente da Associação Catarinense de Tecnologia (Acate), Daniel Leipnitz, o novo ano será de consolidação do ecossistema de inovação do Estado, com os polos regionais trabalhando sob bandeira e governança únicas, da Acate.

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– Isso vai proporcionar um grande ganho para Santa Catarina em relação ao país. Eu vejo também um posicionamento do Estado e de Florianópolis galgando posições e começando a aparecer, mesmo que timidamente, no mapa mundial – afirma Leipnitz.

Para o presidente da Acate, 2020 também será um ano com importante oferta de recursos para investimentos em Santa Catarina. Isso porque a tendência é de que mais fundos de investimentos em tecnologia e agências destinem recursos ao setor de tecnologia e isso proporcionará, também, mais fusões e aquisições.

– O fato de o Softbank e grandes players mundiais deslocarem fundos específicos para a América Latina fez com que o Brasil estourasse em termos de unicórnios. Hoje temos 11 unicórnios, o mesmo número da Alemanha e superior a Israel, que tem seis. Então, começamos a ter um posicionamento maior devido ao aumento de liquidez, um aumento de fundos que estão aqui investindo – afirma o presidente da Acate.

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Qualificação

Com essas perspectivas positivas, Santa Catarina deve se organizar mais fortemente para investir na qualificação das pessoas para atuarem na área de tecnologia e inovação, o que requer também a participação do setor público municipal, estadual e federal. Instituições do Sistema “S” e universidades privadas já oferecem mais cursos específicos de tecnologia, incluindo pós-graduação, o que é muito positivo.  

 

Tendências em TI                                    

O avanço das tecnologias é irreversível e disruptivo para boa parte dos setores. Enquanto algumas atividades, empresas e profissões estão acabando, outras estão surgindo. O desafio é acompanhar isso e o sonho é poder se antecipar. O executivo Rodrigo Werlang, CTO (Chief Technology Officer) da Paradigma Business Solutions, de Florianópolis, afirma que machine learning é um ramo da inteligência artificial para análise de dados que automatiza a construção de modelos analíticos. Foi uma tendência forte em 2010 e seguira relevante em 2020 porque é demandada por diversos setores.

Homem e máquina

Utilizados em sistemas para interação entre homens e máquinas, os chatbots, que também usam recursos de machine learning, seguirão em alta, conforme o CTO da Paradigma Rodrigo Werlang. Em 2020, as tecnologias RPA (Robotic Process Automation), para integração de processos, e a Serverless, para computação em nuvem, também serão muito utilizadas, observa ele.

Internet das coisas

Diversas empresas de tecnologia e startups catarinenses oferecem soluções utilizando internet das coisas (no inglês, Internet of Things – IoT) ou também Indústria 4.0, como também é chamada na Europa. A WEG, de Jaraguá do Sul, recebeu premiações em função de tecnologia que criou para motores elétricos usando IoT. A Hexagon, de Florianópolis, que atua com tecnologias para a agricultura, tem solução de monitoramento de máquinas com internet das coisas, o que permite dados em tempo real, explica o presidente da Divisão de Agricultura da empresa, Bernardo de Castro. A startup PackID, de Chapecó, dos empreendedores Caroline Dallacorte e Thales Akimoto, atua com monitoramento de logística e também utiliza IoT nas soluções que oferece.

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LGPD e digitalização

Entre as ações do setor de tecnologia para facilitar o cumprimento da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que entra em vigor no Brasil em agosto de 2020, está a digitalização. Quem usa assinatura digital tem mais segurança e quem opta por certificados digitais consegue mais mobilidade com o armazenamento em nuvem, explica o diretor comercial da BRy Tecnologia, Rafael Godinho.

Segundo ele, uma das vantagens das assinaturas digitais é que elas permitem acrescentar um carimbo do tempo em que foi feita – data e hora. Isso facilita a rastreabilidade dos documentos.

Disrupção no RH

As pessoas é que fazem a diferença para as empresas. Por isso a Ahgora Sistemas, de Florianópolis, decidiu levar tecnologias disruptivas para o RH das empresas, descentralizando e permitindo uma gestão mais eficaz. O CEO da Ahgora, Lázaro Malta, revela que a empresa investiu em soluções baseadas em internet das coisas (IoT), inteligência artificial (IA) e computação em nuvem para gerenciar colaboradores em tempo real. Empresas que adotaram as tecnologias melhoraram resultados e reduziram custos com pessoal em até 30%. Malta acredita que essa tendência nos RHs será maior em 2020.  

Uso de dados

Também ganha força no mundo digital a Data Science, ou seja, a ciência de dados. Além de verificar números de forma isolada, ela permite análise de dados para negócios e isso é uma importante vantagem competitiva para as empresas, avalia o gerente comercial da Supero Tecnologia, de Florianópolis, Adriano Kasburg.

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Como requer o mundo dos dados, ele explica que a tecnologia de Data Science permite coletar dados, interpretar e analisar, unindo diversas áreas do conhecimento, como matemática, estatística e engenharia.

 

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