Em sua visita a Santa Catarina, o economista belga Gunter Pauli, conhecido mundialmente como o “Pai da Economia Azul”, sugeriu projetos sustentáveis para Florianópolis e região em palestra no Summit Cidades 2026. A lista incluiu desde transporte marítimo elétrico e transporte aéreo elétrico, até estudos sobre a condição do mar para impulsionar a economia e usina para gerar energia a partir do lixo. O presidente da Associação Náutica Brasileira (Acatmar), Leandro Mané Ferrari, disse que o economista está certo ao defender mais estudos sobre o mar e a economia azul.

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– A contribuição de especialistas e referências internacionais é sempre válida e pode trazer novas tecnologias, experiências e conexões. Ao mesmo tempo, essa discussão representa uma oportunidade para reconhecer e incorporar os estudos, projetos e alertas construídos há anos por instituições, profissionais e especialistas de Santa Catarina – disse Mané Ferrari.

O presidente da Acatmar falou principalmente com base na entrevista concedida por Gunter Pauli para a coluna no portal NSC Total. Ele disse que muitas dessas pautas já vêm sendo analisadas e apresentadas aos diferentes níveis de governo. A visibilidade gerada pela entrevista pode ajudar justamente a recuperar esse conhecimento acumulado e impulsionar sua transformação em ações concretas.

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Falta levantamento hidrológico

– Quando ele afirma que Florianópolis não possui batimetria, mapa do mar ou GPS, é necessário fazer uma distinção. Existem cartas náuticas, dados batimétricos, levantamentos pontuais e estudos já realizados. O problema real é que as Baías Norte e Sul ainda não dispõem de um levantamento hidrográfico completo, atualizado e com padrão técnico adequado para atualizar a cartografia náutica e sustentar um verdadeiro ordenamento dos usos das águas – destaca o presidente da Acatmar.

Segundo ele, o que a região precisa é de um Levantamento Hidrográfico Categoria A, executado conforme as normas da diretoria de Hidrografia e Navegação, para que seus dados possam ser analisados e aproveitados pelo Centro de Hidrografia da Marinha.

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Ferrari diz que essa pauta já vem sendo construída há bastante tempo. Desde 2013, a ACATMAR elaborou, apresentou e disponibilizou aos governos municipal, estadual e federal o projeto para a realização desse levantamento, além de estudos sobre pontos de risco e necessidades de ordenamento náutico.
Ele observa que a base hidrográfica ampla das baías Norte e Sul, de Florianópolis, ainda está vinculada a levantamentos realizados em 1957, embora as cartas tenham recebido correções e atualizações posteriores. Isso significa que é necessário de atualizar, integrar e qualificar essa base para as demandas atuais.

Infraestrutura para economia azul

– Esse levantamento seria uma infraestrutura de conhecimento para toda a Economia Azul. Não atenderia apenas à navegação ou ao setor náutico, mas também à pesca, à maricultura, à aquicultura, ao turismo, ao transporte aquaviário, à implantação de terminais, marinas e atracadouros, à segurança da navegação, ao planejamento ambiental e ao Projeto Orla – acentua o presidente da Acatmar.

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Na avaliação de Mané Ferrari, não é possível ordenar adequadamente a faixa costeira olhando apenas para a terra. É necessário conhecer profundidades, canais, obstáculos, acessos, fundeadouros e também as correntes e demais condicionantes de navegação existentes diante dela.

– A ideia de um “metrô do mar” é pertinente, mas também já existem estudos sobre o transporte aquaviário na Região Metropolitana de Florianópolis. O desafio agora é recuperar e atualizar esses estudos, cruzá-los com uma base hidrográfica moderna e transformar o conhecimento existente em um projeto executável, com definição de rotas, terminais, demanda, integração, licenciamento e tecnologia adequada – avalia Mané Ferrari.

Navios de cruzeiro e baleias francas

Mané Ferrari também comentou sobre o conselho de Gunter Pauli para instalar drones marítimos visando captar sons e a harmonia entre baleias e navios de cruzeiro. O empresário catarinense disse que isso não é necessário porque Florianópolis e sua região do Campeche não recebem navios de cruzeiro.

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– Além disso, mesmo em um cenário futuro, as temporadas normalmente não coincidem: os cruzeiros operam principalmente durante o verão, enquanto a presença das baleias-francas na costa, para reprodução e cuidado dos filhotes, concentra-se sobretudo entre julho e novembro.

O presidente da Acatmar falou também que a sugestão de oferta de internet via linhas de rádio precisa de uma checagem técnica. Disse que no mar existem GPS, AIS, radar, VHF e diversos outros sistemas de navegação e comunicação. Já as rádios AM e FM são formas de modulação e não determinam, por si mesmas, se uma comunicação é unidirecional ou bidirecional.

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Aviões elétricos para a Ilha

Sobre o conselho de Gunter Pauli de que a Grande Florianópolis pode ter transporte aéreo por aviões elétricos por ser uma opção mais segura de transporte ao não usar combustível de aviação, o presidente da Acatmar disse que essa opção não está isenta de risco. Isso porque baterias e os sistemas elétricos também exigem protocolos rigorosos de proteção, operação e certificação.

É preciso dar continuidade, diz Acatmar

– O ponto central, para mim, é que Santa Catarina já possui conhecimento técnico, estudos e um projeto estruturado para começar esse processo de forma correta. O levantamento hidrográfico das Baías Norte e Sul foi elaborado e apresentado pela Acatmar desde 2013, mas ainda não foi executado – alerta Mané Ferrari.

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O empresário avalia que o levantamento hidrográfico é a pauta mais importante a ser feita agora para dar continuidade a vários projetos da economia azul. E pergunta:

– Por que um projeto estratégico, capaz de beneficiar a pesca, a maricultura, a aquicultura, o transporte aquaviário, o turismo, o Projeto Orla, a segurança da navegação e toda a Economia Azul, permanece há mais de uma década sem sair do papel?

Para Mané Ferrari, a entrevista de Gunter Pauli reacendeu o debate sobre o tema da economia do mar. O próximo passo é mostrar que Santa Catarina não precisa começar do zero precisa executar aquilo que já foi estudado, estruturado e entregue aos governos.

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