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    Daniela consegue ser a primeira governadora de SC; deve saber o peso do cargo

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    Por Estela Benetti
    24/10/2020 - 09h31 - Atualizada em: 24/10/2020 - 13h09
    Daniela Reinehr na Alesc durante a votação do impeachment
    Daniela Reinehr na Alesc durante a votação do impeachment (Foto: Diorgenes Pandini)

    Na evolução do primeiro processo de impeachment aberto pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), o governador Carlos Moisés foi afastado por até 180 dias pelo tribunal misto, mas a vice-governadora Daniela Reinehr, mais articulada politicamente, conseguiu se manter no cargo. Assim, mesmo interina, será a primeira governadora da história de Santa Catarina desde 1711, quando a Ilha do Desterro passou a ter líder político. Olhando a questão de gênero, é um avanço para o Estado ter uma mulher à frente do governo, mas a gestão política tem um grande peso. Precisa ser exercida com qualidade num ambiente colaborativo para fazer a diferença.

    Outro pioneirismo de Daniela Reinehr é o fato de ser, também, a primeira governadora nascida no Oeste catarinense. O ex-governador Casildo Maldaner, que fez carreira política na região a partir do município de Modelo, nasceu em Carazinho, Rio Grande do Sul.

    Conheça Daniela Reinehr, a primeira mulher a governar SC

    Mesmo interina no cargo, Daniela assumirá o governo numa fase em que o Estado ainda enfrenta grandes desafios nas áreas da saúde e da economia devido à pandemia do novo coronavírus. A economia ainda não retomou o mesmo ritmo pré-pandemia porque alguns setores relevantes seguem fechados – eventos e escolas – e os que voltaram enfrentam instabilidades na oferta de matérias-primas e vendas.

    Na área da saúde, o novo coronavírus continua bastante ativo no estado, crescendo em algumas regiões. Não está descartada nova onda da doença, com mais desafios sociais e econômicos, a exemplo do que está acontecendo na Europa.

    Além dos problemas do presente, a governadora interina, que é afinada politicamente com o presidente Jair Bolsonaro, pode atuar também pensando em projetos estratégicos para o futuro de Santa Catarina. Nesse caso, o maior problema de SC é falta de infraestrutura de transporte, especialmente de boas rodovias na base política de Daniela, o grande Oeste catarinense, e também na base de quem a manteve no governo, o deputado estadual Sargento Lima, que atua em Joinville e no Norte do Estado. O presidente do Tribunal de Justiça de SC (TJSC), desembargador Ricardo Roesler, que deu o voto de desempate, também é do Norte, natural de São Bento do Sul.

    Tanto se ocupar o cargo apenas como interina, quanto se for efetivada caso o governador Moisés seja afastado, Daniela Reinehr terá que fazer um bom governo se quiser entrar para a história. Isso independe de gênero. Precisa ter equipe qualificada, trabalhar de portas abertas, ouvir os parlamentares e as bases. 

    Como vice-governadora, ela sentiu o peso do cargo e aprendeu grandes lições. Se quiser inspiração, os principais exemplos de mulheres no topo da política estão no exterior: a chanceler alemã Angela Merkel e a primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern. Na próxima terça-feira, com o início do afastamento temporário de Moisés, começa o ciclo de Daniela Reinehr. Os catarinenses esperam que ela tenha mais acertos do que erros.

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