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Embaixador dos EUA vê mais oportunidades de negócios com Santa Catarina

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Por Estela Benetti
03/07/2021 - 14h00 - Atualizada em: 09/07/2021 - 08h55
O embaixador dos EUA Todd Chapman (D) e o cônsul Shane Christensen
O embaixador dos EUA Todd Chapman (D) e o cônsul Shane Christensen (Foto: Peterson Paul/ Secom)

Santa Catarina conta com forte relação econômica com o mercado americano, mas os negócios podem ser ainda mais robustos para ambas as partes se houver maior aproximação entre empresas. Essa foi a ênfase da primeira visita oficial do embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Todd C. Chapman, ao Estado, segunda-feira (28), quando assinou memorando de entendimentos (MdE) abrangente com o governador Carlos Moisés da Silva. Entre as oportunidades citadas pelo diplomata na área econômica estão investimentos em tecnologia, exportações e formação de joint ventures.

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- Formamos um grupo de trabalho junto com o governador e sua equipe para avançar em muitos temas como: economia, investimentos, comércio, segurança pública, educação, meio ambiente e direitos humanos. É para aproximar mais, trabalhar em coisas concretas para o bem dos catarinenses e dos americanos. Eu vejo tantas oportunidades aqui, mesmo onde estamos agora, na Acate (a Associação Catarinense de Tecnologia) para aproximar o setor privado americano do setor privado brasileiro, para o bem dos dois – afirmou Todd Chapman.

O embaixador informou que esse trabalho de aproximação maior com Santa Catarina por parte dos EUA será chefiado pelo cônsul geral do país para o Rio Grande do Sul e SC, Shane Christensen, que acompanhou a visita a Florianópolis. Por parte do governo de SC, participam a secretária executiva de Articulação Internacional, Daniella Abreu, e outros secretários de Estado.

Questionado sobre a forte retomada econômica dos EUA, com projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) acima de 6% este ano, o embaixador disse que isso abre possibilidades de mais negócios com SC e o Brasil. Aproveitou para observar que a economia brasileira também está com melhor ritmo de crescimento, com estimativa de até 5% conforme algumas projeções de instituições financeiras. Ele lamentou as muitas mortes por Covid-19 no Brasil e nos EUA, mas avaliou que 2021 será um ano de maior ritmo de crescimento econômico nos dois países.

- Queremos ver esse crescimento não somente de investimentos de fundos americanos interessados em startups de Santa Catarina, mas também nas exportações de produtos manufaturados de valor agregado aos Estados Unidos. Aqui, as indústrias são super sofisticadas, por isso elas têm mercado nos EUA – disse Todd Chapman.

Na conversa com o governador Carlos Moisés, ele afirmou também que vê condições para a realização de mais joint ventures entre indústrias catarinenses médias e pequenas, com indústrias do mesmo tamanho dos Estados Unidos. Segundo ele, essa é uma tarefa do grupo de trabalho. Será preciso fazer um pouco de “meeting” (encontros) entre as empresas a fim de criar as condições para as relações econômicas.

Sobre as questões de preservação ambiental, assunto sensível entre os dois países, Todd Chapman disse que esse é um tema prioritário do presidente dos EUA, Joe Biden, para a melhoria do clima no mundo. Falou também que estão sendo cobradas as promessas do presidente Jair Bolsonaro feitas na conferência do Clima de Washington.

- Desde a chegada do presidente Biden, em janeiro, temos tido muitas conversas bastante produtivas e específicas com o governo brasileiro. Isso é público. Eu estou encorajado com essas conversas. Elas têm sido bastante transparentes e produtivas. Mas continuamos querendo ver a implementação das medidas anunciadas pelo presidente Bolsonaro, no final de abril, na Cúpula do Clima do presidente Biden. Elas incluem redução de desmatamento ilegal e outros temas. Vamos continuar as conversas. Temos tido a mudanças em relação ao meio ambiente no Brasil com a troca de ministro, mas vamos continuar nossas conversas – disse o embaixador.

Quanto à tecnologia 5G, assunto que tem gerado polêmica no mundo e no Brasil e torcida dos países ocidentais para os brasileiros não optarem pela solução chinesa, o diplomata disse que as conversas tem sido transparentes e produtivas. Ele alertou que essa tecnologia será importante para a economia do país e do mundo e que a decisão será totalmente brasileira.

- Nós simplesmente estamos interessados, como maiores investidores, de longe, neste país, que a economia continue crescendo de maneira segura e para proteção de dados e segurança econômica, esperamos que vá com os fornecedores confiáveis. E nós sabemos quais são – afirmou.

No início da entrevista exclusiva à Revista DC, Todd Chapman disse estar feliz ao visitar Florianópolis pela segunda vez como embaixador. A primeira foi em novembro, quando esteve de férias acompanhado dos filhos que vieram dos EUA. Contou que ficaram quatro dias em Jurerê Internacional aproveitando as atrações da Ilha de SC, incluindo “restaurantes fantásticos”, com ostras.

Segundo ele, essa visita oficial faz parte de um trabalho de maior aproximação dos EUA com os estados brasileiros. Ele reconhece que existe uma boa relação, mas o objetivo é fazer mais. Além de reuniões no governo de SC, os diplomatas tiveram reuniões com lideranças empresariais. O café da manhã foi com os presidentes das federações da indústria do Estado (Fiesc), Mario Cezar de Aguiar; da Agricultura e Pecuária, José Zeferino Pedrozo; e com o vice-presidente da Fecomércio, Emilio Schramm. À tarde, eles estiveram na Associação Catarinense de Tecnologia, onde foram recebidos pelo presidente Iomani Engelmann, e no Sapiens Parque, em reunião com presidente Daniel Leipnitz.

Balança comercial SC-EUA

Após décadas como principal destino das exportações catarinenses, os Estados Unidos, atualmente, oscilam com a China no posto de número um do faturamento mensal do Estado no exterior. Em janeiro e fevereiro deste ano, SC vendeu mais para os americanos do que aos chineses.

No período de janeiro a maio deste ano, as vendas do Estado aos EUA somaram US$ 679,84 milhões, 35% mais do que no mesmo período de 2020, segundo apuração do Observatório Fiesc. Os itens mais exportados foram obras de carpintaria para construção (madeiras), outros móveis, madeira compensada, partes de motor e madeira serrada. A maior expansão, de 206,4% foi em madeira compensada.

As importações dos EUA somaram US$ 598,91 milhões, com alta de 45,8% no período de janeiro a maio. Os itens mais relevantes da pauta são polímeros de etileno, coque de petróleo, reagentes de laboratório, carros e sangue humano ou animal. As maiores altas no período foram de coque (305,8%) e polímeros (146,8%).

Estela Benetti

Colunista

Estela Benetti

Especialista na economia de Santa Catarina, traduz as decisões mais relevantes do mercado, faz análises e antecipa tendências que afetam a vida de empresários, governos e consumidores.

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Especialista na economia de Santa Catarina, traduz as decisões mais relevantes do mercado, faz análises e antecipa tendências que afetam a vida de empresários, governos e consumidores.

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