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Empresa de SC planeja transformar lixo em combustível sintético a partir de 2022

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Por Estela Benetti
18/06/2021 - 05h00 - Atualizada em: 21/06/2021 - 08h04
Tecnologia transforma lixo em petróleo que pode vir
Tecnologia transforma lixo em petróleo que pode virar gasolina (Foto: Salmo Duarte, NSC, BD)

A BNPetro, empresa de Santa Catarina, planeja iniciar a produção de combustíveis sintéticos a partir de lixo até o final de 2022. Ela informa que detém tecnologia inédita no mundo para transformar lixo urbano e outros em petróleo sintético, gás sintético e coque siderúrgico. A invenção é do pesquisador e presidente da BNPetro, Jonny Kurtz, que fez a descoberta em Caçador, mas optou por instalar a sede da empresa em Itajaí, por questões logísticas.

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- Somos a única empresa do mundo que consegue fazer combustíveis sintéticos altamente hidrogenados através de resíduos com a qualidade que nós temos. A gente minera os lixões e aterros sanitários. Pega todo lixo junto, misturado e, sem a necessidade de desidratar, põe dentro de um reator que foi desenvolvido por nós, também único no mundo. Isso que a natureza levou milhões de anos para fazer, nós conseguimos em alguns minutos, nesse reator, transformar resíduos em petróleo sintético, gás sintético e coque siderúrgico – explica Aristides Bertuol Netto, diretor financeiro.

Com reconhecimento dos produtos e registro como Empresa Estratégica de Defesa Nacional (EED), a BNPetro planeja instalar sua primeira unidade processadora em Teresópolis, Rio de Janeiro, onde já tem unidade registrada. O início das atividades está previsto para o final do ano que vem, informa Aristides Netto.

Atualmente, a BNPetro, que também se posiciona como uma startup de óleo e gás, está formando seu conselho consultivo e um dos primeiros integrantes é Eduardo Marson Ferreira, ex-presidente da Airbus Defence. Ele aceitou o convite esta semana. 

A tecnologia exclusiva resultou de mais de 25 anos de pesquisas de Jonny Kurtz. Aristides Netto conta que, com o objetivo de separar o alumínio da embalagem tetrapack ele e outros pesquisadores chegaram à conclusão de que isso só seria possível em nível molecular. Então Kurtz passou a trabalhar com o processo de pirólise e conseguiu um método que separa o alumínio, mas os produtos finais ficaram melhores. O alumínio integra do coque, carvão siderúrgico.

A atividade da startup consiste no craqueamento térmico contínuo que permite aumento de temperatura e pressão, gerando três derivados: gás, petróleo e coque. Isso é feito sem desidratar, com água no processo, por isso os produtos altamente hidrogenados. Segundo o diretor, o modelo de negócio consiste em instalar unidade da empresa junto a lixões. 

-Vamos com plantas de 120 toneladas diárias de resíduos a 30 mil toneladas. São quantidades grandes, expressivas, que fazem com que a gente gere um impacto ambiental significativo. Um dos nossos planos é instalar usina junto ao lixão de Gramacho, em Duque de Caxias, Rio de Janeiro – observa o diretor.

O planejamento da BNPetro prevê unidades em diversos estados brasileiros e também no exterior. Por isso, já abriu uma empresa em Portugal. Os produtos podem ser usados como combustível, geração de energia outras finalidades. O valor de mercado da empresa, estimado por um escritório de Mônaco, é de R$ 600 milhões, que pode dobrar assim que as usinas iniciarem operações.

Estela Benetti

Colunista

Estela Benetti

Especialista na economia de Santa Catarina, traduz as decisões mais relevantes do mercado, faz análises e antecipa tendências que afetam a vida de empresários, governos e consumidores.

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