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Comércio exterior

Entenda porque SC tem déficit apesar das exportações em alta

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Por Estela Benetti
16/09/2021 - 05h00
Porto de Itapoá, no litoral Norte de SC
Porto de Itapoá, no litoral Norte de SC, se destaca na movimentação de contêineres (Foto: Itapoá, Divulgação)

As exportações de Santa Catarina em agosto somaram US$ 856,6 milhões e as importações, US$ 2,014 bilhões. O saldo mensal foi o déficit comercial de US$ 1,158 bilhão, o maior para agosto desde 1997, apurou o observatório Fiesc, que acompanha essa estatística. Embora alguns analistas da área econômica considerem esse déficit comercial catarinense um problema, a Federação das Indústrias do Estado (Fiesc) não avalia assim porque predominam nas importações os insumos industriais.

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Os produtos mais importados no mês passado foram cobre refinado (US$ 136,3 milhões), aço (US$ 61,4 milhões), fertilizantes (US$ 59,8 milhões) e automóveis (US$ 48,1 milhões).

Santa Catarina tem registrado déficits comerciais em quase todos os meses pelo menos na última década. Mas em agosto a diferença foi maior porque o Estado importou mais matérias-primas e insumos industriais. A falta de produtos e os altos preços no mercado interno influenciaram.

Um exemplo é o aço, que teve alta de preço superior a 100% no Brasil em função da elevação dos preços de commodities no mundo. Por isso, várias empresas recorreram a importações porque lá fora estava mais barato. E as compras de automóveis lá fora aumentaram porque a Ford do Brasil fechou e a produção foi concentrada na Argentina. Agora, os automóveis da marca vêm do país vizinho.

- O déficit comercial do Estado representa claramente uma demonstração do grau de importação de componentes, insumos e matérias-primas destinados à transformação da indústria de manufatura e itens para a agroindústria – explica a presidente da Câmara de Comércio Exterior da Fiesc, Maria Teresa Bustamante.

Ela alerta que o déficit também sinaliza a necessidade de maior investimento no desenvolvimento de fornecedores nacionais desses insumos. Maitê observa, no entanto, que o mais importante é o fato de o Estado ser um importador de insumos para transformação. Isso não se converte tudo em exportações diretas porque são fabricados produtos para o mercado nacional.

Apesar das importações maiores, as exportações do Estado também cresceram em agosto. Frente ao mesmo mês do ano passado, elas tiveram alta de 17% e os Estados Unidos foram o maior mercado. Os produtos mais exportados foram carnes, soja, motores elétricos e madeiras.

A pauta de importações de SC mostra que existem oportunidades para investir em indústrias de matérias-primas e produtos para fornecer ao setor produtivo nacional. Basta definir a produção e encontrar os fornecedores certos. Importar também faz bem para a economia porque significa internacionalização de negócios.

Estela Benetti

Colunista

Estela Benetti

Especialista na economia de Santa Catarina, traduz as decisões mais relevantes do mercado, faz análises e antecipa tendências que afetam a vida de empresários, governos e consumidores.

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