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Falta de definição sobre futuro auxílio a pessoas de menor renda gera apreensão

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Por Estela Benetti
14/12/2020 - 10h47 - Atualizada em: 14/12/2020 - 20h09
Auxílio emergencial foi recebido em outubro por quase 23% das famílias de SC
Em Santa Catarina, quase 23% das famílias receberam o auxílio emergencial em outubro (Foto: Pixabay, Divulgação)

A indefinição do governo federal e do Congresso Nacional sobre o futuro da renda das pessoas que contaram com o auxílio emergencial durante a pandemia causa apreensão tanto a esse grande grupo de brasileiros, quanto para a economia como um todo. Isso porque a doença continua com elevada intensidade, em nova onda no país, ao mesmo tempo em que a economia sabe que não poderá contar em 2021 com injeção de recursos semelhante a de 2020, que chegará a quase R$ 322 bilhões com o auxílio emergencial.

Neste domingo, a Caixa começou a pagar a última parcela da ajuda, no valor de R$ 300. Em todo o país, mais de 66 milhões de pessoas foram beneficiadas com o auxílio. Em muitos estados, mais de 50% das famílias foram contempladas.

Setor de serviços cresce 1,8% em outubro em Santa Catarina, informa IBGE

De acordo com o último dado divulgado pelo IBGE, em Santa Catarina, onde a taxa de desemprego é a menor do Brasil, no mês de o outubro, 22,9% das famílias receberam o benefício. Esse é o menor percentual do país, seguido pelo Rio Grande do Sul, com 28,8%.

Após estudar o pagamento de uma renda mínima permanente e concluir que não teria recursos, o governo federal prometeu fortalecer o Bolsa Família, programa que contempla, atualmente, cerca de 14,3 milhões de famílias, abrangendo mais de 45 milhões de pessoas. A expectativa é de que uma decisão seja aprovada até o fim do ano. Conforme o senador Jorginho Mello (PL/SC), a opção deverá ser mesmo um acréscimo ao valor pago no Bolsa Família porque o governo está com dificuldades para elevar gastos. 

Caso as pessoas sem renda realmente ficarem sem um socorro federal, mais trabalhadores sairão em busca de emprego em janeiro, o que vai elevar ainda mais taxa de desemprego do país, que ficou em 14,6% em setembro.

Para o setor produtivo, a expectativa é de que a economia perderá ritmo de crescimento a partir do início do ano que vem em função da interrupção do pagamento do auxílio emergencial. A economia catarinense, embora registre um ritmo de atividade maior que a média nacional, também sentirá esse impacto porque a maioria das indústrias locais vende sua produção para outros estados do país.

O ideal seria que o congresso tivesse a coragem de fazer reformas que cortem privilégios de quem ganha altos salários no setor público e elevem a tributação de grandes fortunas. Assim, o país poderia compor um orçamento para pagar auxílio a mais brasileiros que ainda não têm renda suficiente.

Estela Benetti

Colunista

Estela Benetti

Especialista na economia de Santa Catarina, traduz as decisões mais relevantes do mercado, faz análises e antecipa tendências que afetam a vida de empresários, governos e consumidores.

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