O acirramento da guerra no Oriente Médio que envolvendo os Estados Unidos, Israel e Irã, sem prazo para terminar, começa a impactar custos e cenários do setor agroindustrial de carnes de Santa Catarina. A informação é do diretor-executivo do Sindicarne (Sindicato das Indústrias da Carne e Derivados no Estado de SC) e da ACAV (Associação Catarinense de Avicultura), Jorge Luiz de Lima.

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De acordo com o dirigente, um dos impactos é no frete marítimo. Devido ao fechamento parcial do Estreito de Ormuz, o custo para transportar cada contêiner refrigerado subiu até US$ 4 mil. Também houve aumento no tempo de transporte das cargas, o que gera redução da validade dos produtos. Além disso, ocorre até suspensão de reservas em navios com destino para a região.  

Outro desafio, de acordo dom Jorge Lima, é a falta de infraestrutura portuária em alguns destinos, agravada por problemas energéticos, o que compromete o armazenamento de cargas refrigeradas e gera o chamado “rollover” (quando mercadorias ficam retidas sem embarque).

A guerra também está causando volatilidade no preço do milho, que é um insumo relevante com preço cotado em dólar, que representa 70% do custo da ração para aves e suínos. Nos últimos dias, teve mercado com alta de 6% nesse insumo.

A situação do Oriente Médio e da Ásia é acompanhada com atenção porque é um mercado estratégico para Santa Catarina. O Oriente concentra dois terços da população mundial e as projeções são de que chegará a três quartos até 2040, o que significa uma expansão potencial para demanda por proteína animal.

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Santa Catarina exporta proteína para mais de 150 países, tem certificações para vender quem quase todos os mercados. Atualmente, os maiores mercados de proteína do estado no exterior são Japão, China, Filipinas, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Reino Unido.

BNDES oferece crédito para empresas

Com o objetivo de seguir apoiando empresas exportadoras afetadas negativamente por conflitos internacionais, o governo federal, por meio do BNDES, editou a Medida Provisória 1.345/2026, que ampliou o Plano Brasil Soberano, com mais R$ 15 bilhões de orçamento.

O plano é gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). No mesmo dia, em Brasília (DF), foi sancionada a Lei Federal nº 15.359/26 que cria o Sistema Brasileiro de Crédito Oficial à Exportação, cujo projeto de lei (nº 6139/23) foi aprovado no início deste mês. As duas leis foram sancionadas pelo presidente Lula.

Os recursos do Brasil Soberano são para apoiar empresas exportadoras que enfrentam dificuldades com a guerra no Oriente Médio e também para fornecedores dessas empresas. São linhas de crédito com recursos mais acessíveis.  

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