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Falta de recursos

Hospital Regional do Oeste busca ajuda para dívida de R$ 53 milhões

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Por Estela Benetti
19/05/2022 - 05h38
Hospital Regional do Oeste acumula dívida devido à defasagem da tabela do SUS
Hospital Regional do Oeste acumula dívida devido à defasagem da tabela do SUS (Foto: Divulgação)

Principal instituição que presta serviços médicos de alta e média complexidade para 1,3 milhão de pessoas, o Hospital Regional do Oeste, de Chapecó, busca ajuda para pagar dívida de curto prazo de R$ 15 milhões. Os débitos, que cresceram com a pandemia, somam R$ 53 milhões porque o déficit mensal é de R$ 4,5 milhões, explica o presidente voluntário do conselho da instituição, Reinaldo Lopes.

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- Da dívida de R$ 15 milhões, que vence em cerca de 30 dias, R$ 8 milhões precisamos para pagar salários atrasados de médicos e R$ 7 milhões para débitos junto a fornecedores. Temos uma dívida parcelada de R$ 33 milhões, que estamos pagando junto ao SUS em 48 prestações – informa Reinaldo Lopes.

O Hospital Regional Oeste, embora tenha sido construído pelo Estado, é uma instituição filantrópica, gerida pela Associação Hospitalar Lenoir Vargas Ferreira, integrada por lideranças locais. Assim, tem custo de gestão menor do que se fosse administrado totalmente pela Secretaria de Estado da Saúde.

Só que para ser autossuficiente em recursos, deveria ter uma média de atendimento pelo SUS de 70% e 30% por convênios ou particular. Mas o Regional atende 95% SUS, que não tem reajustes na tabela há cinco anos enquanto todos os custos sobem constantemente.

Conforme o presidente, serviços de alta complexidade como radioterapia, hemodinâmica (cardiologia), neurologia e obstetrícia são prestados para região que vai de Joaçaba até a divisa com a Argentina. Ele destaca que, apesar da dívida, os serviços continuam sendo prestados com alta qualidade.

A única limitação importante para a região é a falta de autorização do SUS para uso de cateter para desobstruir AVC, por ser um procedimento caro. É um pleito antigo e necessário para a região, que precisa ser aprovado pelo Ministério da Saúde. Doentes que necessitam desse procedimento precisam ser levados até Blumenau ou Florianópolis, o que não dá para fazer o procedimento no tempo certo.

Para resolver o problema da dívida mais urgente, a diretoria do hospital espera contar com a ajuda do governo do Estado, que deverá fazer mais uma reunião com secretários sobre o assunto nesta quinta-feira. Conforme Reinaldo Lopes, o secretário de Saúde do Estado, Aldo Batista Neto, está buscando uma solução dentro do governo.

Mas como a gestão do SUS prevê outras colaborações, a associação que administra o hospital espera negociar e receber colaborações mensais de municípios que utilizam os serviços. O modelo de referência para isso deve ser o adotado pelo Hospital Regional Alto Vale, de Rio do Sul, adianta o presidente.

A propósito, a situação do Hospital Regional do Oeste se repete em quase todas as instituições hospitalares do Brasil, diante da falta de reajuste das tabelas do SUS. As dificuldades crescem à medida que a inflação alta persiste.

Estela Benetti

Colunista

Estela Benetti

Especialista na economia de Santa Catarina, traduz as decisões mais relevantes do mercado, faz análises e antecipa tendências que afetam a vida de empresários, governos e consumidores.

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