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Consumo em queda

Inflação assusta consumidor e varejo de SC recua 10,1% em agosto

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Por Estela Benetti
06/10/2021 - 19h36
Consumidor comprou menos em função da inflação alta
Consumidor comprou menos em função da inflação alta (Foto: Patrick Rodrigues)

Os dados sobre o desempenho do comércio varejista em agosto vieram pior do que o esperado em Santa Catarina e no Brasil, o que afetou empresas do setor na bolsa e reduziu o otimismo sobre a retomada econômica pós-vacina. A Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) feita pelo IBGE apurou que em SC o volume de vendas do varejo restrito teve queda de 10,1% em agosto frente a julho, na série com ajuste sazonal. O varejo ampliado, que inclui materiais de construção e veículos, recuou 6,5% no período. No Brasil o varejo restrito caiu 3,1% frente a julho e o ampliado recuou 2,5%.

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A Federação do Comércio e Serviços (Fecomércio-SC) atribuiu a queda à aceleração das altas de preços que corroem o poder de compra dos consumidores. Segundo o economista da entidade, Alison Fiúza, a pesquisa sobre o nível de consumo atual das famílias de SC mostrou redução de 17,9% frente a julho, o que comprova esse comportamento.

Na sondagem, 90% dos consumidores informaram que estavam comprando menos. Uma prova dessa acomodação é que somente 36,5% das famílias estavam endividadas em agosto. Isso permite concluir que o consumidor parou de comprar, mesmo tendo condições de gastar um pouco mais.

Mesmo com esse recuo, segundo Fiúza, o varejo restrito de SC segue 6,3% acima do período pré-pandemia. No acumulado de 12 meses, o volume de vendas cresceu 5,8% e, entre janeiro e agosto, teve alta de 4,6%. Nos últimos 12 meses até agosto, SC registrou alta de 5,8% no varejo restrito e 11,6% no ampliado.

Em agosto frente ao mês anterior, em receita nominal, SC teve queda de 8% no varejo restrito e de 4,8% no varejo ampliado. Frente ao mesmo mês de 2020, a receita cresceu 15,4% no varejo restrito e 24,1% no ampliado. No acumulado do ano, a receita nominal do varejo restrito cresceu 18,6% e do ampliado, 29,1%.

Um dado destacado pela Fecomércio é o desempenho do setor de hipermercados, supermercados, bebida e fumo, que teve queda de 2,1% em agosto frente ao mesmo mês de 2020 após fechar 2020 com alta de 14,2%. No ano, o setor registra recuo de 1,9% nas vendas.

Boa parte dos setores teve queda em agosto frente ao mesmo mês de 2020: tecidos vestuário e calçados (-11,8%), móveis (8,3%), eletrodomésticos (-5,7%), outros itens de uso pessoal e doméstico (-0,5%). Nessa mesma comparação, tiveram alta livros, jornais, revistas e papelaria (36,7%), equipamentos e materiais de escritório e informática (32,6%), artigos farmacêuticos (16,7%), combustíveis e lubrificantes (1,8%). Os veículos e peças tiveram alta de 43% e materiais de construção, de 40,3% frente ao mesmo mês do ano anterior.

Como a inflação continua alta, o ritmo de consumo seguiu baixo em setembro. Em SC, os setores que mais tiveram alta na arrecadação de impostos no mês foram automóveis e peças, têxteis e materiais de construção, o que dá para concluir que apresentarão crescimento também no levantamento do IBGE.

Estela Benetti

Colunista

Estela Benetti

Especialista na economia de Santa Catarina, traduz as decisões mais relevantes do mercado, faz análises e antecipa tendências que afetam a vida de empresários, governos e consumidores.

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