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Investidor de SC aceita correr mais riscos, dizem especialistas

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Por Estela Benetti
23/10/2020 - 05h16 - Atualizada em: 23/10/2020 - 07h48
Jorge Barbato Neto, fundador da JB3 Investimentos
Jorge Barbato Neto, fundador da JB3 Investimentos (Foto: Fernanda Rodrigues, Divulgação)

Entre as mudanças mais expressivas deste período recente da economia brasileira está a queda da taxa básica de juros Selic para 2% ao ano. Essa nova realidade tirou do conforto o investidor do mercado financeiro que, quando a Selic estava em 14% ao ano, conseguia facilmente rendimento de 1% ao mês. Agora, que está difícil obter 1% ao ano, eles decidiram correr mais riscos na renda variável, informam os empresários do setor financeiro, Jorge Bartato Neto, CEO da JB3 Investimentos, de Florianópolis, e Juliano Custódio, CEO da EQI Investimentos, de Balneário Camboriú.

Para dar uma ideia de como o investidor está correndo mais riscos, o economista Jorge Barbato, fundador e CEO da JB3, empresa credenciada da XP Investimentos, diz que no final de 2018, do total da carteira administrada pela JB3, 8% estavam aplicados em ações. Hoje, 30% estão em ações.

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- O apetite por aplicações mais arrojadas aumentou muito, mesmo a gente tendo um perfil mais conservador com os clientes. A maioria prefere não ter aquela reserva financeira de três a cinco meses na renda fixa. As pessoas estão tomando mais risco – diz, Barbato.

A mudança foi provocada pela redução da Selic. Nem a pandemia, que gerou um choque nas famílias e empresas e reforçou a necessidade de ter uma reserva financeira forte para pagar as contas está fazendo mudar a disposição do investidor. Os investimentos em renda variável são principalmente em ações, debêntures (títulos de empresas privadas) e em fundos imobiliários.

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Essa nova realidade também está gerando uma forte procura por serviços mais técnicos na área financeira. Muitas pessoas estão preferindo serviços de uma empresa de investimentos do que o serviço bancário para ajudar a decidir o que fazer com o dinheiro.

A JB3 acelerou crescimento diante da maior demanda por serviços especializados. Além da matriz, em Florianópolis, ela tem escritórios em São José e em Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul. Segundo Jorge Barbato, a JB3 alcançou R$ 1 bilhão sob custódia em setembro, tem uma carteira de quase 2 mil clientes e equipe de 50 profissionais. Até o final do ano, serão abertos mais dois escritórios em SC, no Sul do Estado e Vale do Itajaí.

- Fomos batalhadores para chegar até aqui em 10 anos. O sonho é atingir R$ 10 bilhões em custódia nos próximos 5 anos – afirma Barbato, ao destacar que os clientes são de todo o Brasil.

Segundo ele, essa marca foi alcançada com qualidade e confiança no atendimento. Prova disso é a nota internacional para serviços financeiros, a NPS. A da JB3 é 94,1, uma das mais altas do Brasil. O reforço na liderança também ajudou, com a inclusão de Thiago Pinotti na diretoria, como CFO.

Juliano Custódio, fundador da EQI Investimentos
Juliano Custódio, fundador da EQI Investimentos
(Foto: )

Na EQI Investimentos, empresa fundada pelo engenheiro eletricista Juliano Custódio em Balneário Camboriú, os investimentos em renda variável também consistem na opção da maioria dos clientes. Mas considerando a pandemia, que deixou clara a importância da reserva de emergência para empresas e pessoas, a EQI reforça essa necessidade.

- As pessoas estão começando a tomar mais risco. Isso é muito legal. A gente está começando a viver o sonho americano ao contrário. Os americanos investem muito em renda variável. E renda variável não é só ações. É fundo imobiliário, uma debênture, ou até comprar imóvel. Eu não lido com imóveis, não sou construtora, mas eu tenho indicado para clientes meus que o momento é bom para comprar imóveis – afirma Custódio.

Segundo ele, muitos afirmam que não é preciso recomendar compra de imóvel, as pessoas, normalmente, não investem em imóveis, mas o momento é bom porque as taxas de juros nunca estiveram tão baixas.

Custódio explica que dá para investir o mercado imobiliário mesmo com pouco dinheiro. Nesse caso, a pessoa compra uma parte de fundo imobiliário. Em São Paulo, na famosa Avenida Faria Lima, a maioria dos prédios pertence a fundos imobiliário.

Sobre a necessidade de reserva de emergência, Juliano Custódio recomenda tanto para pessoas, quanto para empresas. Ele observa que um dos problemas preocupantes é são as retiradas feitas nas empresas por seus acionistas.

- Existe uma frase, que eu não sei bem quem cunhou que é “O caixa é rei”. Isso eu falo a minha vida toda. Mesmo eu sendo um empresário jovem perto de outros em Santa Catarina, eu sempre deixei a minha empresa muito rica – afirma Custódio.

Num momento de crise, o empresário tira dinheiro da sua reserva para usar na empresa. Na pandemia, muitos se depararam com a necessidade de tirar dinheiro da conta pessoal para fortalecer a empresa. Mas se os recursos estão aplicados em imóveis, é difícil vender numa crise, quando todo o mercado está em dificuldades. A próxima opção para o empresário é pegar dinheiro no banco, mas o banco não empresta. Por isso, uma das coisas que as empresas devem ter aprendido na crise é que “o caixa é rei”.

Estela Benetti

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Estela Benetti

Especialista na economia de Santa Catarina, traduz as decisões mais relevantes do mercado, faz análises e antecipa tendências que afetam a vida de empresários, governos e consumidores.

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