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Entrevista

“Nosso foco é consolidar na América Latina”, diz VP da RD Station

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Estela
Por Estela Benetti
06/12/2020 - 06h28
Bernardo Brandão, vice-presidente de Marketing
Bernardo Brandão, vice-presidente de Marketing da RD Station (Foto: RD, Divulgação)

Com o propósito de acelerar atuação em marketing digital no exterior, a empresa de tecnologia Resultados Digitais, de Florianópolis, mudou a sua marca para RD Station. A transição, liderada pela consultoria FutureBrand, transformou em nome global a denominação do principal sistema da empresa, o RD Station Marketing, que a colocou como líder no Brasil e América Latina no segmento, explica o vice-presidente de Marketing da empresa, Bernardo Brandão.

A novidade foi anunciada durante a primeira edição totalmente virtual do RD Summit, realizado de terça a quinta-feira da última semana (de 1 a 3 de dezembro). A RD inovou na pandemia e segue com planos ousados para crescer na oferta de tecnologia para marketing e vendas às médias e pequenas empresas. Saiba mais a seguir, na entrevista de Bernardo Brandão.

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Por que a mudança de marca e a escolha por RD Station?

A escolha RD Station se deu muito por a gente entender que precisava reorganizar nossas marcas dentro de uma nova arquitetura para os próximos 10 anos. A RD Station vai completar 10 anos agora, em janeiro de 2021. Esse trabalho que a gente está anunciando começou há cerca de dois anos, com uma consultoria de marcas que contratamos, a Future Brand.

É um trabalho voltado à nossa inserção no mercado internacional. Há cerca de três anos, quando entramos no México e na Colômbia, nos apresentamos como RD Station porque o nome Resultados Digitais não dava para ficar traduzindo para vários idiomas. A partir disso, sentimos necessidade de ter uma arquitetura de marca que pudesse sustentar não só nossos planos de expansão internacional, que fosse uma marca global, mas também que pudesse nos posicionar como uma empresa de tecnologia, que realmente somos.

Quando a Resultados Digitais começou, os fundadores queriam que esse nome fosse praticamente um manifesto, que provocasse as pequenas e médias empresas a entender que o marketing digital poderia ser de fato algo que desse resultado, que fosse mensurável. Que permitisse às pequenas e médias empresas usar marketing digital para atrair novos clientes, aumentar a sua receita e suas oportunidades.

Há 10 anos, o mercado não era, nem perto, o que é hoje. Então, antes de lançar um produto, a RD Station lançou um blog. A partir do momento que os fundadores entenderam que era necessário educar o mercado, começaram a desenvolver um blog, que começou a atrair pessoas e gerou as primeiras demandas de consultoria.

Através dessas consultorias, perceberam que as dores das empresas eram similares e o produto foi uma decorrência desse processo. Então, lançaram o RD Station Marketing. A primeira versão dele foi um software que pudesse endereçar essas dores e ajudar os profissionais de pequenas e médias empresas a fazerem marketing digital.

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Com o passar o tempo, a gente criou outras marcas. Entre elas estão o RD Summit, que virou o maior evento de marketing digital e vendas da América Latina, e um braço de educação chamado RD University. Quando chegamos nesse momento de expandir internacionalmente vemos que é importante a gente organizar e reestruturar a nossa arquitetura de marca.

RD Station já era o nome do produto para nos apresentarmos no México e na Colômbia. Também era o nome da nossa plataforma, do nosso produto de marketing e vendas. Então foi uma escolha muito natural, até para reforçar que a RD é uma empresa de tecnologia de software com produtos que ajudam as pequenas e médias empresas

E o que vocês esperam com essa mudança de marca?

A gente espera, por um lado, nos posicionar cada vez mais como uma empresa de tecnologia. Mas como mantivemos as marcas Resultados Digitais, RD Summit e estamos lançando mais uma, a Agência de Resultados, estamos reposicionando essas marcas para que sejam ligadas a conteúdo e educação.

A gente quer, cada vez mais, fazer conteúdo, ajudar o mercado a consumir conteúdo e educar sobre marketing e vendas. E, no outro lado, como empresa de tecnologia, a gente que ter produtos para ajudar nesse processo. Então, vamos investir muito em produto. A gente quer melhorar, cada vez mais, a experiência de produtos em marketing e vendas, que melhoram todo esse processo de conquista de novos clientes.

A RD começou essa mudança com foco no exterior. Quais são os planos de expansão da empresa no mercado internacional?

A nossa ambição é ser líder em plataforma de crescimento para médias e pequenas empresas em mercados emergentes. A gente começou esse processo com operações no México e na Colômbia, e a gente está nesse momento, no que chamamos de ‘prova de modelo’. A gente está provando nosso playbook, testando o mercado e entendendo como a gente deve trabalhar. Como podemos exportar o que fizemos no Brasil para outros mercados, começando pelo México e Colômbia. Primeiro, precisamos garantir que o nosso modelo é replicável nesses países, construir autoridade, desenvolver conteúdo e adaptar produtos para as necessidades locais, para depois pensar em expandir.

Queremos consolidar esse processo nesses dois países. Já temos uma base com mais de 600 clientes, com pessoas locais atendendo nossos clientes, com o produto sendo tropicalizado. A gente quer consolidar esse processo até 2021, para depois pensar em expansões para outros países.

O modelo de negócio que vocês adotam lá fora é semelhante ao do Brasil?

Sim. A gente tem o RD Station Marketing localizado para atender o México e Colômbia e o modelo é basicamente o mesmo. A gente fornece os produtos para as pequenas e médias empresas, oferece suporte para que os clientes consigam montar suas campanhas e avaliar seus resultados e retornos para suas empresas. A gente olha para outras regiões, mas o nosso foco mesmo é consolidar na América Latina.

A RD tem uma presença forte no Brasil. Como ela facilitam a vida das empresas?

Primeiro, que a gente tem mais de 25 mil clientes. A gente conquistou essa base com os nossos produtos, mas acima de tudo com o nosso suporte. A gente tem, na verdade, uma metodologia que ajuda as empresas a implementar o Inbound Marketing. A plataforma também permite que a empresa faça atração de leads, coloque o conteúdo no seu site, posicione esse conteúdo organicamente em mídia de busca, gere mídia paga, visitas para atrair clientes. Assim, o time de vendas pode trabalhar melhor. O que os clientes gostam muito é da simplicidade, fácil acesso e melhorar o relacionamento com seus públicos.

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Como foi a pandemia para a RD?

Como toda empresa, no começo sofremos um pouco, e definimos três focos. O primeiro foi garantia à saúde e segurança dos nossos funcionários e de seus familiares. Tivemos que mover quase 700 pessoas para o modelo de home office. A segunda prioridade foi ajudar nossos clientes e parceiros. Nós temos mais de 1.500 agências digitais parceiras.

Nós desenvolvemos muito conteúdo digital porque, nesse momento, o único contato que você tem com os clientes é o contato digital. Desenvolvemos uma grande campanha chamada Fortalecer para crescer, onde a gente realizou algumas iniciativas não só liberando cursos de marketing e vendas na nossa plataforma de educação, mas também baixando o preço do nosso produto de entrada para R$ 19 por mês, para as pequenas empresas já irem construindo seu negócio digital.

Nós também fizemos uma grande pesquisa sobre o impacto da pandemia nas médias e pequenas empresas, lançamos essa pesquisa com os principais resultados, fizemos web falando das tendências, falamos o que que as empresas estavam fazendo como plano de contingência. E por último, em termos de prioridade, a gente focou muito em se planejar, até para o pior, mas também para aproveitar as oportunidades que viessem.

Além disso, procuramos acelerar o desenvolvimento de alguns produtos. Um deles foi a integração com WhatsApp, que nessa pandemia virou a principal forma de relacionamento de medias e pequenas empresas, lojas, empresas dos mais variados seguimentos. Então, a gente lançou um botão de WhatsApp que as empresas podem colocar nas suas páginas, permitindo uma conversa mais direta e aumentando as chances de conseguir um cliente.

Uma outra novidade é a vitrine virtual.Ela permite que a empresa que trabalha com Instagram pegue seu catálogo que está no Instagram e leve para uma página fora. Nessa página, o consumidor pode escolher o que quer, e a partir daí começar o processo de compra.

Quanto ao número de pessoas, equipe de trabalhadores, vocês conseguiram manter ou tiveram que reduzir?

Em função dos nossos planos de contingência, e do nosso crescimento, a gente não precisou fazer nenhum corte, nenhuma redução, o número praticamente se manteve no mesmo patamar, e com certeza em 2021 a gente vai voltar a crescer, a contratar.

A RD enfrenta dificuldades para encontrar pessoas qualificadas?

Olha, fácil nunca é. O mercado de tecnologia é muito grande, com uma alta demanda, e a competição pelos profissionais qualificados é alta. A gente foca que as pessoas fiquem aqui.

Sobre expansão, vocês pretendem crescer mais organicamente ou por meio de aquisições?

A gente deve olhar as oportunidades de mercado, inclusive a gente fez uma rodada de investimentos no final do ano passado (aporte de R$ 200 milhões).As aquisições são possibilidades que a gente estuda.

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Com a empresa trabalha a inovação?

Nós temos um time bem robusto de produto, de engenharia, que trabalha no desenvolvimento dos produtos. Mas temos um case de aquisição que foi a Plug, que compramos em 2018, uma empresa de CRM. A gente adquiriu essa empresa, lançamos a RD Station CRM a partir dela e hoje a gente tem uma base grande de clientes usando tanto o sistema de marketing quanto o CRM. Então eu acho que a inovação pode vir tanto de forma orgânica quanto de aquisições de novas competências, habilidades ou produtos.

O RD Summit foi realizado, pela primeira vez, totalmente virtual. A edição do próximo ano deve ser híbrida?

O RD Summit se tornou o maior evento de Marketing e vendas da América Latina sendo presencial. Foram 12 mil pessoas na edição de 2019 e a gente faria este ano um evento ainda maior aqui em Florianópolis. Tivemos que cancelar por conta da pandemia, mas estamos olhando aqui, trabalhando dentro de um cenário de uma possível volta no formato físico, se as condições permitirem, se houver vacinas e se os protocolos permitirem. Mas provavelmente, ele será uma mistura para que possa ser visitado por quem quer está perto de nós, e também dando a oportunidade para pessoas do Brasil inteiro participarem de suas casas.

Estela Benetti

Colunista

Estela Benetti

Especialista na economia de Santa Catarina, traduz as decisões mais relevantes do mercado, faz análises e antecipa tendências que afetam a vida de empresários, governos e consumidores.

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