Após mudanças no secretariado até o início de junho em função das eleições municipais, o governador Jorginho Mello (PL) fez nova alteração no primeiro escalão do governo: empossou quinta-feira (04) Paulo Bornhausen na Secretaria de Articulação Internacional e Projetos Especiais. Ex-secretário de Desenvolvimento Econômico de SC e ex-deputado federal, Bornhausen informa que recebeu como desafios fazer projetos com foco no futuro, em especial da economia.

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Em entrevista para a coluna, o novo secretário informou que o governador Jorginho Mello pediu a ele priorizar três áreas: atração de investimentos, projetos regionais e atenção à inteligência artificial. Bornhausen vai integrar a missão internacional a Portugal, liderada pelo governador, que começa nesta segunda-feira (08) e vai até o próximo domingo (14). A pauta será voltada ao turismo, segurança pública, saúde e logística.

Paulo Bornhausen disse que aceitou o convite porque, com sua experiência, acredita que pode colaborar para os novos desafios do Estado no atual momento. Quando secretário de Desenvolvimento de SC, atuou na atração da regata Volvo Ocean Race, na criação do programa dos centros de inovação e na atração da BMW. Recentemente, na presidência do conselho da InovAmfri, Associação dos Municípios da Foz do itajaí-Açu, articulou projeto de mobilidade para a região. Saiba mais na entrevista a seguir:

Por que o senhor aceitou o convite para ingressar no governo de Jorginho Mello?

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– O governador fez um convite a partir de um pressuposto que, além de verdadeiro era necessário. Durante um ano e meio, ele se dedicou a arrumar o Estado, que estava bagunçado, vindo de uma pandemia e de gastos mal organizados, de locação de verba pública malfeita pelo governo anterior e que desarrumou as contas públicas.

Ao arrumar as contas públicas, o governador se sente animado, e com toda a razão, de poder proporcionar outros momentos para Santa Catarina, dar atenção a outras questões importantes na agenda do nosso Estado. Estrategicamente falando, é acender o farol do Futuro.

Aí buscando oportunidades através de investimentos, mas não só isso. É com projetos bem-feitos, projetos que possam realmente criar uma visão futura do Estado para o cidadão catarinense, uma visão de prosperidade.

Ele me chamou também em função da experiência que tive no governo em algumas áreas, como a de turismo náutico com a Volvo Ocean Race, na construção dos centros de inovação quando passamos a ter o Programa Catarinense de Inovação que hoje é modelo mundial, ele também buscou o exemplo da BMW, que é importante e, ultimamente, nós atacamos com o InovAmfri (consórcio dos municípios da região de Itajaí) um planejamento regional que está saindo do papel.

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As pessoas não acreditavam muito, mas hoje nós estamos com o Banco Mundial (Bird) de parceiro e essa parceria pode ser levada para regiões catarinenses que eu digo que estão “infartadas” na mobilidade pública e que precisam de solução.

E nós estamos com a solução caseira “made in Santa Catarina” feita pelos catarinenses, que é a única no mundo de um modelo 100% elétrico com um VLP (veículo leve sobre pneus), em Itajaí como travessia em túnel, mas, principalmente, humanizando as cidades, transformando-as em cidades de classe mundial quando se fala em transporte coletivo interurbano.  

Então, o desejo do governador é criar oportunidades para o Estado. Eu tenho disposição, aceitei o desafio. A liderança é dele e eu vou estar trabalhando para que ele possa fazer um governo de muitas realizações nessa área e que o catarinense seja o grande vencedor.

O senhor disse que, quando aceitou ser secretário, o governador lhe deu três missões: atração de investimentos, desenvolvimento Regional e atenção à inteligência artificial. Como vai trabalhar a atração de investimentos?

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– Parceria internacional e projetos especiais com as secretarias do governo. Então, vamos trabalhar em parceria com os secretários das áreas para que a gente defina alguns projetos estratégicos especiais.

Com relação à atração de investimentos é ouvir o setor produtivo catarinense. Eu diria que a indústria, agroindústria, comércio exterior e tecnologia são quatro áreas fundamentais para que a gente possa ter uma agenda internacional. Essas quatro áreas são responsáveis, provavelmente, por mais de 80% de tudo o que é produzido em Santa Catarina, de tudo o que é exportado ou mesmo importado, o que faz de SC uma potência em termos de comércio internacional e produção.  

Então, é o momento de fazer essa sintonia fina entre a agenda do governo e a do setor privado. O governador já tem feito isso, mas a missão é melhorar para ter mais resultados.

E com relação a projetos especiais?

– Sobre projetos especiais, a gente entra na questão de levar um projeto exitoso, o InovAmfri, que hoje se chama Promobis. Ele é uma parceria da região de Itajaí com o Banco Mundial que criou uma solução inusitada mundialmente com relação ao desenvolvimento a partir de reunião de municípios. Isso para resolver problemas que antes eram atacados só pelo Estado e pela União e, portanto, não eram atacados pelas dificuldades que tanto o Estado quanto a União têm para investimentos.

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Então, o Estado entra como parceiro, como foi no projeto de Itajaí, com recursos. A região decidiu o que queria fazer e a partir daí o Estado agora entra assumindo a parte do túnel, para fazer a parceria público-privada (PPP) do túnel.

A partir disso, a gente tem um projeto benchmarking mundial. É um projeto que vai ser feito e que pode ser replicado em várias regiões. A região de Blumenau está adiantada no processo. Iniciamos lá atrás, eu ainda fora do governo. Sou presidente do conselho consultivo da Região do Vale Europeu, então nós vamos reativar rapidamente.

E agora o governador vai determinar as outras regiões que vamos trabalhar na sequência. Não dá para trabalhar tudo do mesmo jeito, mas nós vamos fazer uma visita, explicar o modelo e ver que interesse existe nisso.

O que o governo pensa em priorizar sobre inteligência artificial?

– Colocamos a inteligência artificial na agenda. Ela ainda é um desconhecido, não conseguimos ainda definir. Eu passei este ano pelo banco escolar novamente, fiz um curso de curta duração na Universidade de Chicago para tentar entender um pouco mais a IA (inteligência artificial) e te juro que saí de lá sabendo menos do que eu achei que sabia.

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Isso porque as fronteiras ainda não estão delimitadas. É um programa civilizacional, é diferente o poder que a máquina está assumindo. Ela vai transformar não só a produção, mas a forma de as pessoas viverem. Isso tudo é fruto da internet, da geração de dados, da capacidade de fazer a projeção desses dados e ter a máquina inteligente para poder fazer essas coisas acontecerem.

Então nós, em Santa Catarina, temos uma tecnologia bastante avançada, mas não é uma questão de tecnologia, mas uma questão de costume, de aprendizado.

Então, eu pretendo discutir isso com as áreas afins do governo para que a gente saia na frente. É necessário que Santa Catarina se posicione bem nesse mundo da inteligência artificial, não podemos esperar as coisas acontecerem.

Não é desenvolver as tecnologias porque isso está centralizado nas Big Five (as cinco maiores empresas de tecnologia do mundo: Amazon, Apple, Google (Alphabet), Meta (Facebook) e Microsoft). Podemos buscar parcerias com elas.

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Mas é para a utilização da IA. É para que o cidadão catarinense, os pequenos empresários, estudantes e profissionais possam dar um salto em inteligência artificial primeiro para não ficar para trás, e segundo, para avançar rapidamente e estar na crista da onda para para a gente poder manter a liderança nacional. Eu falo muito em “pular” o Brasil.

Como isso acontece?

Santa Catarina é um estado que vem pulando o Brasil em tudo, sem deixar de amar o país, mas pulando as mazelas dele. A gente consegue preservar uma segurança boa, preservar um crescimento bom, desemprego baixo. Isso tudo é fruto de uma organização mínima da sociedade. Se você já tem isso, imagina se traz parceria internacional?

Você consegue pegar as melhores práticas que estão disponíveis no mundo, principalmente o mundo ocidental, que é a nossa fronteira, e incrementar isso, sem deixar de ir à Ásia ou a outros continentes. O mundo ocidental é muito próximo da gente e é fácil fazer essa interação.

É isso que a gente pretende fazer, é o que o governador quer que se faça. É criar esse panorama para os próximos 20 anos ao nosso Estado e, a partir daí, seguirmos essa grande construção de uma sociedade líder, de um Estado Líder que quer continuar sendo Líder. Então, é um grande desafio, mas é um desafio viável e possível.

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