Com o objetivo de facilitar a vida dos consumidores, a Casan, Companhia Catarinense de Águas e Saneamento, lança nesta segunda-feira (21) três novas modalidades de pagamentos digitais das faturas de água e/ouesgoto. Serão disponibilizadas as opções de pagamento por Pix, em até 24 vezes pelo cartão de crédito e a alternativa de pagamento também pelo cartão do Bolsa Família.

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O presidente da Casan, Laudelino Bastos, explica que o objetivo é facilitar as formas de pagamento porque a empresa tem registrado aumento da inadimplência. Os cortes de fornecimento de água devido a atrasos de mais de 30 dias no pagamento da fatura dobraram no mês de julho frente a janeiro deste ano.

A companhia avalia que esse aumento resulta da maior dificuldade que mais famílias estão enfrentando para pagar as contas. Mas acredita que se facilitar os pagamentos, incluindo parcelamento, menos pessoas terão dificuldades. Para disponibilizar esses novos serviços digitais a empresa fez uma parceria com a empresa Flexipag, que atua nesse setor no Brasil. O usuário pode obter informações sobre faturas e sobre abastecimento de água na sua região pelo aplicativo Casan.

Segundo Laudelino, de janeiro a julho deste ano foram executados 81.298 cortes de água, que resultaram no pagamento de R$ 41,3 milhões em contas em atraso. Na entrevista a seguir, ele detalha as opções de pagamento e fala dos investimentos previstos em saneamento. Confira:

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Por que a Casan decidiu ampliar as alternativas de pagamento das faturas de água e esgoto?

– O Objetivo da Casan é disponibilizar canais de cobrança que sejam mais acessíveis, mais atuais para o nosso consumidor. E nós temos observado um aumento do número de cortes por inadimplência. Por conta desse aumento a gente quis criar novos caminhos que facilitem a vida do consumidor.

Vamos oferecer as opções de pagar por Pix, em até 24 vezes pelo cartão de crédito e também pelo cartão do programa Bolsa Família. De repente, a pessoa não tem a fatura na hora, nem sabe que está vencendo naquele dia. Então ele vai poder acessar o site da Casan, gerar o código de barras ou QR Code para fazer o pagamento.

A alternativa de parcelar no cartão de crédito é interessante para a Casan. Numa dificuldade, numa emergência financeira, o consumidor poderá parcelar em até 24 vezes.

Ele poderá fazer isso diretamente no cartão de crédito sem precisar vir na Casan, sem pedir autorização, sem ter que fazer uma negociação separada. Nosso objetivo é facilitar ao máximo os pagamentos.

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Como estão os atrasos nos pagamentos?

– Em janeiro, registramos 10 mil contas em atraso. Fizemos 10 mil cortes de água. E, agora, no mês de julho, fizemos 20 mil. O número de cortes de água dobrou.

Quais são as causas de tantos atrasos?

– Está havendo um crescimento no atraso de pagamentos. As pessoas estão com menos dinheiro. Em média, o valor das contas dos clientes da Casan estava em R$ 97 em junho.

Nós começamos o ano com 10.142 contas em atraso, aí fizemos uma ação e caiu para 5.904, em junho subiu para 14.976 e aí fomos para 20.859 em julho.

Como a alternativa de pagar por Pix vai facilitar para os clientes?

– Essa é uma das modalidades mais novas. A partir de segunda-feira, a gente vai estar com o sistema operacional. Nessa alternativa, será gerado um QR Code para fazer o pagamento. Não ofereceremos pagamento por Pix no CNPJ a empresa.

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Isso porque o QR Code permite pegar a matrícula do consumidor e gerar o código. Aí, saberemos qual é a conta que foi paga. Isso porque tem gente que tem mais de um imóvel. Estamos adotando um processo tecnológico para que a gente possa localizar o pagamento quando ele for feito e poder dar baixa no sistema.

As lojas da Casan também terão maquininhas. Quando começam a funcionar?

– As maquininhas começam no início de setembro. Teremos totens nas lojas físicas da Casan para esses pagamentos com cartão de débito ou crédito. Poderemos incluir no totem também a opção de QR Code, para o pagamento por Pix.

Existe a tarifa social para as famílias de menor renda. De quanto é essa tarifa?

– Nossa tarifa social fixa está em R$ 6,96. Esse é o valor mínimo. Não existe tarifa zero. É proibido por lei. Temos 2% dos clientes da Casan enquadrados na tarifa social. Em média, essas famílias pagam R$ 19 por mês. Para quem consome 10 metros cúbicos por mês de água, a tarifa social fica em R$ 11,66.

A Casan enfrenta quanta de perda de água tratada? Quanto é estimado por ligações clandestinas?

– Além de reduzir a inadimplência, a gente pretende intensificar a fiscalização das ligações clandestinas, os chamados “gatos” de água. Atualmente, perdemos um total de 39% da água tratada.

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Disso, praticamente 20%, isto é, a metade dessa perda, é devido a ligações de águas clandestinas. Só em Florianópolis, existe uma perda financeira calculada de R$ 20 milhões por mês da arrecadação em função de ligações clandestinas. São cerca de 130 mil ligações das quais a gente deixa de receber com tarifa média. Nosso segundo município em perdas com ligações clandestinas é São José.

Do total, 19% são perdas operacionais. Isso ocorre por vazamentos, limpezas de filtros, uso de água pelos bombeiros para apagar incêndio.

O que a Casan vai fazer para reduzir essas perdas?

– Vamos fazer uma licitação, agora, para implementar o serviço caça-fraude. Essa licitação vai permitir que tenhamos várias equipes de fiscalização observando a regularidade de todas as ligações.

Vamos iniciar o trabalho em Florianópolis e São José, e, depois vamos para as demais cidades do Estado atendidas pela Casan. Levaremos isso pelo menos para os 30 maiores municípios atendidos pela Casan.

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Temos identificado o problema em residências e, também, em prédios. Normalmente, as ligações clandestinas são feitas quando começa a construção do imóvel, embora nessa fase já seja feita a ligação também com a Casan. São construções regulares, mas com uma ligação normal da Casan de um lado e outra irregular, no outro lado.

Vamos contratar um prestador de serviços que conta com um equipamento chamado Sonar. Esse equipamento consegue identificar se debaixo da terra existe ligação irregular de água.

Além disso, vamos lançar um outro projeto chamado Se liga na água. O objetivo é reduzir a burocracia e facilitar aos clientes fazer a ligação de água.

Como é feito o cadastramento do usuário da tarifa social?

– Vamos facilitar esse cadastramento do usuário como tarifa social. A gente pretende enquadrar automaticamente todos os moradores das comunidades, que são zonas especiais de interesse social. Hoje, o cadastro é feito com comprovante de renda do Cadastro Único (CadÚnico) do governo federal. Se a pessoa recebe o Bolsa Família, a gente não pede comprovante de renda. Em média, o valor pago em SC pelas pessoas que têm tarifa social é R$ 19. A taxa fixa é de R$ 6,96.

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O governo federal vai lançar o Desenrola para contas em geral em setembro. Como a Casan vai participar?

– Estamos vendo umas soluções. Vamos apresentar em tempo. Temos alguns devedores com valores maiores, que poderão ser beneficiados. Por exemplo, hospitais filantrópicos e escolas, não podemos cortar o fornecimento de água. Então, instituições desses setores que estão devendo poderão negociar no Desenrola.  

Quais são os planos de investimentos da Casan para os próximos anos?

– O número é público. O governador Jorginho Mello tem anunciado planos regionais no programa Santa Catarina Levada a Sério + Perto de Você. Ao todo, nossa previsão gira em torno de R$ 4 bilhões até 2028.

Além disso, estamos negociando com BNDES a implantação de PPPs para os 38 maiores municípios maiores atendidos pela Casan, exceto Florianópolis e São José (que têm outra negociação). Vamos investir via PPPs para garantir a universalização da oferta de água e de 90% de esgoto sanitário, conforme as exigências do novo marco do saneamento nacional. 

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Para isso, nós estamos com um projeto aprovado nos comitês técnicos do BNDES, com estimação de investimento da ordem de R$ 5 bilhões. Entre os municípios grandes que atendemos estão, também, Criciúma, Tubarão, Chapecó, Concórdia, Rio do Sul e Mafra. A primeira licitação deverá ser lançada em nove meses.

Como a Casan vai atender as pequenas cidades com esgoto sanitário?

– Nós temos hoje 154 municípios com menos de 15 mil habitantes. Estamos estudando junto com a agência reguladora Aresc a implantação do modelo de esgotamento sobre rodas. É nada mais do que ter uma estação de tratamento de pequeno porte sempre em área centralizada, onde a gente vai entender no raio de 60 quilômetros. Um caminhão limpa fossa recolhe o esgoto de residências e leva para a estação de tratamento da região.

Nós vamos implementar mais de 50 estações de tratamento dessas para atender esses 154 municípios de forma regionalizada. O investimento será da ordem de R$ 500 milhões. Algumas cidades de médio e grande porte poderão ser atendidas de forma híbrida, isto é, com estações de tratamento e com esse sistema de coleta. Com esse sistema poderei atender também comunidades rurais.

Quem já usa esse modelo de coleta para centralizar tratamento de esgoto?

– Nós recebemos recentemente a visita de uma missão da agência japonesa JICA (instituição financiadora de projetos de água e esgoto). Eles informaram que um modelo assim é usado na área rural de Tóquio. E quem sugeriu para a gente fazer isso foi a instituição alemã KFW. Na Alemanha também é usado caminhão limpa fossa nas periferias de cidades.

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