Santa Catarina é sinônimo de férias para milhares de argentinos, mas para o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Scioli, nome forte para disputar a presidência do seu país em 2023, SC é local de trabalho intensivo. Ele esteve no Estado no último dia 10 para cumprir maratona de reuniões visando ampliar exportações, com o objetivo de reduzir o déficit comercial com o Brasil. Enquanto eles exportaram US$ 2,56 bilhões a mercado brasileiro, as vendas daqui para lá alcançaram US$ 3,17 bilhões.

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Questionado sobre quando haverá maior intensidade de visitantes argentinos no Estado e mais catarinenses na Argentina, ele disse que sempre haverá mais argentinos aqui porque eles amam Florianópolis. Destacou que o fluxo de visitantes entre os dois países antes da pandemia era em torno de 4 milhões por ano, com mais argentinos aqui.

Atento a todos os temas econômicos, Daniel Scioli disse que entre os dados da economia argentina que mostram retomada após a chegada da Covid está o crescimento de 11% da indústria em 2021 e a taxa de desemprego de apenas 7% atualmente. Ele ficou animado com a agenda que fez em SC, com visita ao governador Carlos Moisés, reunião com empresários, assinatura de acordos e criação de câmara de comércio entre SC e a Argentina.

Daniel Scioli, 65 anos, é um nome forte na Argentina desde quando disputava motonáutica e, depois, ingressou na política. Peronista, foi vice-presidente na gestão de Néstor Kirchner de 2003 a 2007, em 2007 assumiu o governo da província de Buenos Aires e hoje é embaixador no Brasil, um dos parceiros comerciais mais importantes do seu país. Perguntado se disputaria a próxima eleição, disse que a eleição este ano é no Brasil e, por enquanto, trabalha como embaixador. Leia mais na entrevista exclusiva que ele concedeu à coluna em Florianópolis. 

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Qual é a importância dos acordos firmados entre Argentina e SC?

É importante fortalecer parcerias entre Argentina e Santa Catarina porque o Estado é uma grande porta de entrada das importações do nosso país no Brasil a partir de incentivos fiscais do governo catarinense. Tivemos reunião com o governador Carlos Moisés e uma rodada de negócios entre empresários argentinos e brasileiros com muito êxito. Abrimos uma filial da Câmara de Comércio Argentino-Brasileira (Camarbra), algo que já temos em São Paulo, para aumentar o comércio bilateral. Fizemos também um acordo com a Associação Catarinense de Supermercados e outro para reduzir o custo de logística para a Argentina.

O senhor convidou o governador Carlos Moisés para visitar a Argentina. Ele aceitou?

Nesse momento de campanha ele falou que é difícil. Esperamos em um outro momento. Eu disse a ele que seria muito importante a visita por tudo o que significa a agenda bilateral entre Santa Catarina e Argentina.

As importações de produtos da Argentina pelos portos de Santa Catarina tiveram um salto, em especial as de automóveis. Como o senhor avalia esse crescimento?

Nós olhamos o total do Brasil. Nós temos um déficit muito importante. A maneira de equilibrar o comércio internacional é trabalhar junto com o setor privado, com diferentes setores. Hoje, o setor de agronegócio ainda é o grande protagonista (das exportações ao Brasil).

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O governo catarinense tem incentivo tributário para o comércio da fronteira SC-Argentina. A região também conta, agora, com aduana privatizada. Como o senhor avalia essas mudanças para o transporte terrestre?

Tudo o que facilita a conectividade, a integração de serviços, é bom.

SC e Argentina têm forte integração turística. A expectativa é de termos mais visitantes argentinos aqui e mais brasileiros na Argentina?

Sempre vai ter mais argentinos aqui do que brasileiros lá. Os argentinos amam visitar Florianópolis pela hospitalidade, pela infraestrutura, por tudo. É muito importante porque a Aerolíneas Argentinas (empresa de transporte aéreo do país) criou mais conectividade com o Brasil. O fluxo de visitantes entre os dois países é de aproximadamente 4 milhões por ano, mas são mais argentinos.

Recentemente, o Brasil reduziu impostos de importação sem respeitar as normas do Mercosul. Como vocês, da Argentina, avaliam esse movimento?

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Num momento de recuperação da economia, devemos ser muito cuidadosos em qualquer modificação para que não prejudique os setores produtivos. A Argentina já realizou uma redução de impostos em determinado momento. Somos defensores da integração e do Mercosul.

O Uruguai também está se aproximando bastante da China. Como o senhor vê essa mudança?

Nós acreditamos que juntos somos todos mais fortes. O mundo está mudando. Eu só posso falar da relação Brasil-Argentina. De China e Uruguai, quem pode falar é o embaixador da Argentina no Uruguai.

A economia da Argentina teve dificuldades e, no ano passado, teve inflação mais alta do que a média. Como está a economia do país agora?

A inflação é um fenômeno mundial. Aqui no Brasil aumento também. A guerra aumentou os preços das commodities que impactaram nas taxas inflacionárias. A economia da Argentina está crescendo fortemente. A indústria cresceu 11% em 2021. Na área do trabalho, estamos com a melhor taxa de ocupação, com uma taxa de desocupação (desemprego) de apenas 7%. Estamos trabalhando para melhorar ainda mais a economia.

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Como é o setor de tecnologia da informação na Argentina?

Muito bom. De vanguarda. Temos muitas iniciativas para agregar valor por meio de tecnologia e matéria prima. A tecnologia é que vai dar mais soberania ao país, novos empregos e oportunidades para os jovens.

O senhor vai se candidatar a presidente da Argentina?

Este ano não teremos eleição Argentina. A nossa será no próximo ano (2023). Vocês, aqui no Brasil, é que terão eleição este ano. Eu serei embaixador argentino no Brasil, com muito trabalho (risos). Mas quem vai ganhar, a eleição no Brasil: Bolsonaro ou Lula?

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