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    Pesquisa mostra cenário de retomada econômica em SC

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    Por Estela Benetti
    29/07/2020 - 14h24 - Atualizada em: 29/07/2020 - 14h36
    Nível de atividade por porte de empresas em SC. MEIs têm mais dificuldades. Fonte: Pesquisa Sebrae-SC, Fiesc e Fecomércio
    Percentual de atividade por porte de empresas em SC. MEIs têm mais dificuldades. Fonte: Pesquisa Sebrae-SC, Fiesc e Fecomércio (Foto: Reprodução)

    O pior da crise do novo coronavírus ficou para trás para a economia catarinense, que retoma empregos e investimentos, apesar da falta de crédito. A situação continua crítica para atividades que envolvem público e, por isso, estão com baixa atividade ou suspensas. É o que mostra a quarta pesquisa realizada pelo Sebrae-SC junto com as federações estaduais da indústria (Fiesc) e comércio (Fecomércio-SC), divulgada nesta quarta-feira , que ouviu 1,7 mil empresas.

    Empresários catarinenses vão investir em meio à crise do novo Coronavírus

    Uma das estimativas do levantamento é que o setor produtivo catarinense teve perda de faturamento de R$ 36,7 bilhões durante a pandemia. Isso equivale a 8,4% do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado. O lavantamento mostra que os microempreendedores individuais (MEIs) e as microempresas enfrentam mais obstáculos para voltar a operar. 

    A constatação mais positiva envolve a retomada de novos empregos. Na terceira pesquisa, divulgada em 12 de maio, 41,4% das empresas revelaram ter feito demissões em função da pandemia. Na atual pesquisa, 36,9% informaram ter reduzido quadro de pessoal recentemente enquanto 10,1% voltaram a contratar. São números em sintonia com os dados do Caged, que registraram saldo positivo de 3.721 em junho, após perda de mais de 100 vagas entre março e maio.

    As medidas de proteção ao emprego como a MP 936 ajudaram. Na pesquisa anterior, 39,4% das empresas haviam recorrido a acordos previstos na MP e, agora esse número subiu para 43,3%. Um fato importante é que a nova pesquisa mostrou otimismo, diferente do pessimismo do levantamento do início de maio, que previu uma tempestade no mercado de trabalho.

    Naquele período, a pesquisa, que é por estimativa, apontou a perda de 530 mil vagas no Estado, o que acabou não se concretizando, pelo menos no mercado formal. Os números do Caged mostraram que SC fechou pouco mais de 107 mil empregos formais durante a pandemia. Aquele dado da pesquisa de maio pode ter ficado perto da realidade se incluirmos estimativa com base na média brasileira de geração de 3,5 ocupações informais para cada emprego formal (IBGE). Fazendo essa projeção, SC teria perdido no período 374 mil postos informais.

    Mas agora a prorrogação da MP do emprego, permitindo a suspensão de contrato de trabalho por mais dois meses e a redução de jornada e de salário por mais um mês, trouxe ainda mais tranquilidade para boa parte dos empregadores.

    A medida foi prorrogada por menos tempo porque o governo está atento à recuperação da atividade econômica, observou o presidente da Fiesc, Mario Cezar de Aguiar, que concedeu entrevista sobre os números da pesquisa juntamente com o diretor de Inovação da entidade, José Eduardo Fiates, o superintendente do Sebrae Carlos Henrique Ramos Fonseca e o superintendente da Fecomércio Renato Barcellos.

    - A nossa grande esperança é que a própria atividade econômica cresça e não haja necessidade de outros mecanismos para corrigir essa distorção que ocorreu em função da pandemia. Esperamos que a retomada da economia seja o agente regulador do emprego em Santa Catarina – afirmou Aguiar.

    Barcellos também considerou favorável essa graduação do tempo da MP de acordo com a retomada econômica, mas alertou que, dependendo do setor, a necessidade pode ser maior.

    - Outros mecanismos, como a própria portaria que o governo federal emitiu permitindo que para as demissões realizadas durante a pandemia seja suspenso o período de carência para a recontratação, vão ajudar na retomada – disse Barcellos.

    Na avaliação de Fonseca, do Sebrae, a MP do emprego foi importante para as empresas reterem talentos porque o custo para requalificar pessoas é caro, além de ser demorado.

    Outra informação animadora da pesquisa envolve a retomada de investimentos. Das empresas que responderam ao questionário, 18,9% procuraram crédito bancário para realizar novos projetos. Os recursos foram para incorporar novas tecnologias ou ampliar a oferta de produtos ou serviços.

    No caso das indústrias, 23,8% procuraram crédito e conseguiram, 24,6% procuraram e não conseguiram. Das que procuraram crédito, 21,8% tinham como objetivo usar para investimentos, o que normalmente resulta em mais emprego e renda.

    Considerando os dados gerais da pesquisa, os serviços é que enfrentam maiores dificuldades na pandemia. Isso porque, do total de empresas do setor, 19,4% estão fechadas. Dessas, 17,7% aguardam retomada de atividades e 1,7% fecharam definitivamente. Entre as que aguardam atividade estão empresas de eventos, turismo e educação, que oferecem serviços para grupos e, por isso estão impedidas no momento por conta da difusão do coronavírus.

    Por agregar muitas pessoas, essas atividades também movimentam diversas cadeias produtivas. Paradas, inibem vendas de serviços e produtos, por isso a economia de Florianópolis, forte em turismo de eventos e educação, está sofrendo mais que a média no Estado, especialmente na oferta de empregos.

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