Nos quatro trimestres encerrados em setembro – 12 meses – o Produto Interno Bruto (PIB) catarinense registrou crescimento acumulado de 2,2% frente aos quatro trimestres anteriores. A estimativa é da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico Sustentável (SDE), e ficou abaixo da expansão brasileira no mesmo período, apurada pelo IBGE, que alcançou 3%.

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A alta menor de SC mostra continuidade da acomodação após crescimento projetado de 8,3% em 2021 e impacto de diversos fatores que estão inibindo a atividade. Na mesma estimativa de quatro trimestres até junho último, a economia catarinense cresceu um pouco mais, 2,7%.

De acordo com o economista da SDE Paulo Zoldan, responsável pelo estudo que é divulgado no Boletim Indicadores Econômico-Fiscais, entre as razões desse menor ritmo estão os juros básicos elevados e efeitos internacionais da continuidade da guerra na Ucrânia e da pandemia.

– O resultado do Valor Adicionado desses quatro últimos trimestres no Estado decorreu dos desempenhos da Agropecuária (-1,2%), da Indústria (+0,9%) e dos Serviços (+3%). Observa-se, de modo geral, que o crescimento do setor de serviços, ainda que em desaceleração, exerceu destaque no resultado global no período – informou Paulo Zoldan na publicação.

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Ele destaca que após a pandemia, os serviços tiveram efeito positivo nos segmentos de transporte e armazenagem, com alta de 9,2% no período de 12 meses, serviços às famílias subiram 23,4%, informação e comunicação 10% e despesas públicas 8,6%. Somente os serviços profissionais e administrativos, que dependem mais das empresas, tiveram retração, de -15,6%.

Maior segmento dos serviços, o comércio sofreu desaceleração em função dos juros altos. Nos últimos 12 meses até setembro, segundo o IBGE, o varejo ampliado cresceu 2,5% em Santa Catarina. Durante 2021, teve alta maior, de 8,7%.

Nos últimos 12 meses, chamaram a atenção retrações nos segmentos de móveis e eletrodomésticos de -10,4%, tecidos, vestuário e calçados -7,1%, outros artigos de uso pessoal -11% e materiais de construção -5,6%. Supermercados e hipermercados retraíram 0,1%. Tiveram altas maiores os setores de veículos e peças com 11,5%, combustíveis e lubrificantes 10,1%, artigos farmacêuticos 8,8% e produtos para escritório e comunicação 22,3%.  

A indústria de transformação teve retração nesse período anualizado após crescer em 2021 um pouco mais de 10%.  O setor sofreu com a inflação alta e redução do poder de compra das famílias, que são, principalmente, efeitos dos problemas econômicos do exterior.

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Os maiores recuos na produção industrial nos 12 meses considerados ocorreram nos setores: têxtil, que caiu -18,3%, seguido por máquinas e aparelhos elétricos -17,3%, produtos não-metálicos -8,7% e de borracha e plástico -8,6%. Os destaques positivos foram a produção de alimentos, com alta de 3,2% e veículos automotores 2,4%.

Outro setor que impactou negativamente o PIB foi a agricultura e, pelo quinto ano, foi problema climático. SC teve perdas nas produções de milho, soja, atroz, trigo, tomate e fumo. O índice do setor recuou 4,3% no período anualizado.  A pecuária, impulsionada pelas exportações, cresceu 2,1%, sendo a quarta alta anual.

Apesar do dinamismo e diversidade da economia catarinense em todos os setores e do bom ritmo dos últimos meses, este ano o crescimento de SC será menor do que nos últimos anos. Além disso, o cenário para 2023 não permite muito otimismo porque o mercado interno está frado e a economia internacional enfrenta período de fraca expansão, com projeção de recessão em alguns países ricos, em especial os Estados Unidos.

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