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Presidente da EDP defende privatização da Celesc em palestra a industriais de SC

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Por Estela Benetti
23/07/2021 - 15h27 - Atualizada em: 23/07/2021 - 15h36
O presidente da EDP, João Marques da Cruz
O presidente da EDP, João Marques da Cruz, fez apresentação da empresa na Fiesc (Foto: Filipe Scotti, Divulgação)

Em palestra na reunião da diretoria da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), nesta sexta-feira, o presidente da multinacional portuguesa EDP, João Marques da Cruz, voltou a defender a privatização da Celesc, companhia de energia do Estado, da qual a empresa que lidera é a maior acionista considerando capital total. Segundo ele, a Celesc vem recebendo investimentos aquém do necessário e, se a EDP assumisse, teria condições de superar essa defasagem, como faz nas concessionárias que controla no Espírito Santo e em São Paulo.

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- Nós somos acionistas minoritários. Não controlamos a Celesc. Gostaríamos de controlar. Por isso eu diria que está mais nas mãos dos senhores do que na minha a melhoria da qualidade dos serviços de energia no Estado de Santa Catarina. Em qualquer parte do mundo, privatização é solução. Não faz sentido o Estado ter empresa de eletricidade – afirmou Cruz.

Esta é a segunda vez que o executivo defende abertamente a privatização da Celesc em SC. Fez isso também dia 11 de junho, quando visitou subestação no Sul do Estado, feita por consórcio integrado pela EDP. Para Cruz, a privatização proporcionaria uma melhora expressiva na qualidade dos serviços da Celesc. Ao falar para industriais de SC, ele fez até uma comparação com a situação do Aeroporto Internacional de Florianópolis.

- Minha filha estudou engenharia há 13 anos em Florianópolis. Vim muitas vezes para a cidade. Me recordo do velho aeroporto, provavelmente um dos piores aeroportos de capitais do Brasil. Agora, provavelmente, Florianópolis tem um dos melhores aeroportos de capitais do país. Com a Celesc pode acontecer o mesmo – afirmou.

Nos últimos anos, a EDP adquiriu ações da Celesc, inclusive a participação da Previ. Com isso, detém hoje 29,29% do campital total da empresa, enquanto o governo do Estado tem 20,20%. Mas como é o governo o detentor de pouco mais de 50% das ações ordinárias, com direito a voto, ele acaba controlando as principais decisões da companhia. 

Segundo ele, Santa Catarina é um dos estados que estão no topo do Brasil, mas quando se olha para o fornecimento de eletricidade, vê-se uma empresa subcapitalizada, que não tem capacidade de fazer os investimentos que são necessários para manter a qualidade dos serviços.

A EDP atua há 25 anos no Brasil. Tem oito lotes de transmissão, é sócia de seis hidrelétricas e é a terceira maior empresa de comercialização de energia do país. Segundo Cruz, os investimentos previstos para as concessionárias do Espírito Santo e São Paulo até 2025 estão sendo o dobro do montante dos últimos cinco anos. A EDP é empresa listada na B3, a bolsa de valores do Brasil. Entre as de energia, é a que mais tem acionistas pessoas físicas.

Tema polêmico

A privatização de estatais de Santa Catarina poderia avançar considerando a realidade do mercado brasileiro, mas, no Estado, é um tabu falar na venda da Celesc e da Casan. Em época de campanha, os políticos temem perder votos e, depois, se preocupam com eventuais greves. Contudo, a campanha para governador do ano que vem será uma nova oportunidade para abordar o assunto abertamente.

Com a vitória de Carlos Moisés em 2018, na onda de Jair Bolsonaro, que prometeu privatizações, a expectativa era de que projetos com esse objetivo para a Celesc e Casan fossem encaminhados em SC, mas não foi o que ocorreu. Quanto à qualidade dos serviços, a maior capacidade de investimentos do setor privado deve fazer diferença para melhor.

Estela Benetti

Colunista

Estela Benetti

Especialista na economia de Santa Catarina, traduz as decisões mais relevantes do mercado, faz análises e antecipa tendências que afetam a vida de empresários, governos e consumidores.

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