Santa Catarina fechou em abril 899 vagas nos segmentos de alimentação e hospedagem, praticamente 900 postos de trabalho a menos, o maior saldo negativo entre os estados do Brasil, conforme dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego. O estudo que mostra esse resultado é da Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (Facisc), que aponta como causas principais o cenário econômico mais difícil para o consumidor e o temor das empresas sobre custos em função do fim da jornada 6X1.
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Além de Santa Catarina, apenas Rio Grande do Sul (-132 vagas), Pernambuco (-35) e Ceará (-32) apresentaram saldo negativo nos segmentos de alimentação e hospedagem.
A análise mostrou que o segmento de hotéis e outros meios de hospedagem foi o que teve maior impacto, com a perda de 577 vagas no mês. Esse resultado é mais que o dobro do registrado em abril de 2025, indicando que a sazonalidade não é a única causa.
O setor de alimentação, incluindo restaurantes e lanchonetes, fechou 515 vagas enquanto em abril do ano passado teve saldo positivo.
Cenário econômico impacta
– A elevação dos juros, o aumento dos custos de alimentação, a inadimplência das famílias e a restrição ao crédito reduzem o poder de compra da população. Os primeiros setores a sentir esse impacto são justamente os ligados ao turismo, hospedagem e alimentação fora do lar, que dependem diretamente da renda disponível das famílias – analisa Allan Edgard Kreutz, diretor do Programa Empreender da Facisc e empresário de hotelaria em Dionísio Cerqueira.
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Santa Catarina também recebeu menos turistas do que esperava no primeiro trimestre. O setor de alojamento e alimentação teve retração de 10,3% no período enquanto a média nacional cresceu 1,6%.
– Os setores de hospedagem e alimentação têm papel estratégico para a geração de empregos em Santa Catarina. Quando o estado lidera o fechamento de vagas no país, o dado exige atenção. É fundamental criar condições para estimular o turismo, fortalecer os pequenos negócios e preservar a competitividade das empresas que sustentam milhares de postos de trabalho – afirma Silvia Fernandes, diretora Financeira da Facisc e empresária do setor hoteleiro em São Francisco do Sul.
Pequenos negócios demitem mais
O estudo da Facisc mostrou também que os pequenos empreendimentos turísticos foram os mais impactados. Isso porque mais de 80% das demissões foram em empresas com até 49 empregados, perfil mais registrado em empresas de alimentação e hospedagem.
Além disso, mais de 40% dos desligamentos foram por demissão sem justa causa, o que indica que foi redução de vaga pelo cenário econômico. A sazonalidade, ou seja, por contato temporário, ficou em 17% do total.
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Fim rápido da escala 6X1 preocupa
Uma das maiores preocupações do setor está ligada com o futuro imediato. A expectativa de aprovação do fim da escala 6X1 para a entrada em vigor em apenas 60 dias da escala 5X2 preocupa porque as empresas não têm recursos para fazer essa transição imediata, observa a Facisc.
– A implementação em prazo tão curto ampliaria custos operacionais justamente em um momento de desaceleração econômica. Existe o risco de aumento da informalidade, redução de postos de trabalho e perda de competitividade dos pequenos negócios – alerta Allan Edgard Kreutz.
Na avaliação da Facisc, é preciso maior debate sobre o fim da jornada 6X1. É necessário também considerar as particularidades das micro, pequenas e médias empresas, bem como das atividades essenciais e dos setores que necessitam de operação contínua para garantir a prestação de serviços e o atendimento à população.

