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    Entrevista

    “Somos quase um ecossistema de inovação”, diz CEO de cooperativa médica

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    Por Estela Benetti
    03/10/2020 - 15h34
    Richard Oliveira, CEO da Unimed Grande Florianópolis
    Richard Oliveira, CEO da Unimed Grande Florianópolis (Foto: Unimed GF, Divulgação)

    A Unimed Grande Florianópolis é um exemplo de cooperativa médica que decidiu mergulhar na tecnologia para ser mais eficiente. O CEO da organização, o administrador Richard Oliveira, revela que a cooperativa conta quase com um verdadeiro ecossistema de inovação integrado por soluções de 21 startups que cuidam de quase todas as áreas. Uma estrela é a robô Laura, startup paranaense que ajuda a cuidar doentes com infecção e abriu um Pronto Atendimento digital para atender casos de Covid-19, solução usada pela Unimed e prefeituras da região. Confira a seguir os principais trechos da entrevista de Richard de Oliveira.

    Quando a Unimed iniciou essa ênfase de maior uso de tecnologia?

    Estamos caminhando para 50 anos de história em 2021 e, lá em 2015, nos projetos de recuperação da Unimed, um dos pilares era a transformação digital. Naquele momento, eu brincava que a gente tinha um ‘trilema’ que era ‘exteligência’, isto é, a inteligência para transferir aos equipamentos móveis, software que gerasse compartilhamento com compartilhamento, e a diversidade do nosso universo de vidas, porque cuidamos de 220 mil vidas. Então, a transformação digital seguiu a obsessão pelo cliente e inovação baseada em problemas.

    “A Covid-19 demonstrou a importância da saúde suplementar no Brasil”

    Como essas inovações estão ajudando no enfrentamento à pandemia?

    - Primeiro, nós fizemos um movimento muito grande dentro do hospital com uma das startups, a Laura. Hoje, a Unimed é quase um ecossistema de inovação. Trabalhamos com 21 startups. A Laura primeiro entrou no nosso hospital para detecção antecipada de infecção. Mas ela se desenvolveu, pivotou e foi para um Pronto Atendimento Digital (PA Digital). A Unimed, para dar um retorno maior à sociedade, contratou essa tecnologia para doar a todos os municípios da Grande Florianópolis. Falamos às prefeituras: vocês peguem esse PA digital, é um robô, usem a inteligência artificial para atender a população frente à Covid-19. Hoje, 1,2 milhão de munícipes da região podem utilizar o PA Digital Laura gratuitamente. Dentro do nosso hospital, o PA Digital também virou um robô. No caso das vidas atendias pela Unimed nós é que acompanhamos os pacientes por meio desse PA Digital. Quando o robô percebe alguma inflexão, algum problema ligado à Covid-19, ele chama para o atendimento médico. Esse alerta também é feito às prefeituras e o paciente é encaminhado a uma unidade do serviço público de saúde.

    De que forma vocês foram incluindo todas essas startups?

    - Essa trilha nossa de evolução digital começou dentro do nosso departamento de tecnologia de informação. Depois, fizemos um passo relevante quando abrimos uma capsula de inovação no Link Lab da Associação Catarinense de Tecnologia, a Acate São José. Aí a beirada de inovação da Unimed amplificou consideravelmente. E no começo deste ano aderimos à inovação aberta. Trouxemos para liderar esse processo um executivo que foi responsável por programa com esse objetivo numa multinacional automotiva no Brasil. Sobre a missão dele eu brinquei que, se no currículo ele tivesse todas as ferramentas de ensinam como se morde pescoço a exemplo do seriado The Walking Dead, o objetivo dele era morder pescoços. Tivemos a intenção de permear e horizontalizar a inovação e a adesão digital como um todo. Ele seria um ‘cozinheiro’ a fazer boa comida e a fumaça se espalharia pela empresa. Essa tem sido a grande diferença. A Unimed Grande Florianópolis, pensando em se tornar mais jovem, mesmo com 50 anos, trabalhando com 21 startups, é um orgulho para nós. Nosso ecossistema é bastante considerável. Somos aceleradora, incubadora, mantenedora...

    O senhor pode citar algumas dessas empresas?

    Essas startups nos ajudam dentro do nosso slogan de obsessão pelo cliente. Usamos tecnologia como meio para melhorar serviços. Para nós, disrupção só tem sentido se traz melhorias aos clientes. Entre as 21 startups estão seis catarinenses: Nina, Blendus, Bioaps (Softplan), Evoluum, Exact Sales e UpFlux. A Laura é a que nos ajuda no hospital e com o PA Digital. A Nina, por exemplo, ajuda a evitar que o cliente falte a uma consulta e, se falta, busca outro para por no lugar; a DOC 24 é a nossa plataforma de interação com a telemedicina; e a Planium é uma plataforma online para venda de planos de saúde. O Contractor ajuda na formatação de contratos, época de vencimento e cotações. Entre as soluções estão ainda duas que nos ajudam com recursos humanos, uma que auxilia nas contas a receber e outra, a identificar quais processos podem ser realizados por robôs. É um ecossistema bastante considerável. Um dos nossos planos estratégicos, dentro da inovação aberta, é alimentar um espaço de contradição para a implantação de um núcleo da Unimed Digital. Esse núcleo, completamente fora do muro, teria a função de criar uma startup para acabar com a Unimed.

    Como está o uso da telemedicina durante a pandemia?

    A pandemia foi e ainda está sendo muito difícil para a saúde e a economia. Mas uma crise também acelera processos. A telemedicina foi impulsionada de forma sem precedentes com a pandemia. A startup DOC 24 nos ajudou. Hoje, a telemedicina está disponível aos médicos da Unimed da Grande Florianópolis para atendimentos à Covid-19. Mas é um processo sem volta e quando a pandemia encerrar vamos amplificar a telemedicina para todas as especialidades aderentes a esse tipo de consulta e para os nossos usuários que não estão nessa região. Instalamos a plataforma e e colaboramos com os médicos para eles terem a segurança necessária para fazer receita, prontuário e ter a certificação digital.

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