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Startup catarinense Portal Telemedicina triplica crescimento na pandemia

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Por Estela Benetti
25/07/2021 - 15h39 - Atualizada em: 25/07/2021 - 21h02
Rafael Figueroa, cofundador e CEO da Portal Telemedicina
Rafael Figueroa, cofundador e CEO da Portal Telemedicina (Foto: Divulgação)

Entre as tecnologias aceleradas pela pandemia está a digitalização dos serviços de saúde. Um exemplo é a startup Portal Telemedicina, de Florianópolis, que triplicou faturamento durante esse período no Brasil e avançou no exterior. A informação é do cofundador e CEO da empresa, Rafael Figueroa. Segundo ele, o número de colaboradores da startup subiu de 30 para 100 e o de médicos prestadores de serviços pela plataforma superou 3 mil. Os serviços já alcançam 390 cidades brasileiras e, também, a Angola, na África.

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O êxito da Portal Telemedicina está no uso de tecnologias como inteligência artificial e internet das coisas (IoT) para conectar pessoas e equipamentos, o que permite diagnósticos e tratamentos com mais rapidez e preço menor, independentemente das distâncias. Um dos resultados que chamam a atenção para o impacto positivo da digitalização adotada pela empresa é a redução de 41% no número de óbitos por problemas cardíacos e queda de 30% nos custos do serviço público de saúde (SUS) do município de Tarumã, no interior de São Paulo.

A eficiência resultou na inclusão da Portal pela Organização das Nações Unidas (ONU) como uma das 10 empresas para acelerar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentáveis 2030. Além disso, o CEO Rafael Figueroa, economista graduado pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e especialista em design thinking pela Berkeley University, é reconhecido pelo Google como uma das 40 autoridades do mundo em Machine Learning (aprendizado automático de máquinas).

Fundada em 2013, a Portal Telemedicina atua em três verticais: acesso a teleconsultas e serviços hospitalares, saúde cooperativa e atendimento ao SUS. Um dos maiores diferenciais da startup é a oferta de plataforma com tecnologia única que integra diretamente equipamentos médicos, inclusive aparelhos offline por meio da internet das coisas para o compartilhamento de informações. Isso evita erros de digitação de informações e permite diagnósticos com mais rapidez.

- Existem várias tecnologias modernosas, inteligência artificial e tal, mas se eu for escolher uma, que é o nosso diferencial, é essa integração. Nós desenvolvermos uma ferramenta de integração completamente agnóstica, no sentido de que não importa a marca, o modelo, o aparelho, se ele tem cinco ou 10 anos, não importa a interface, o protocolo, a gente tem que criar um esqueleto de integração que consiga inserir dados de qualquer prontuário e harmonizar esses dados. Então esse foi o nosso trabalho dos últimos cinco anos, montando essa ferramenta que em uma clínica eu instalei em um dia; em um município numa semana; e em uma rede igual a Amil, muito grande, em três semanas, mais ou menos. Com essa tecnologia, a gente consegue montar um banco de dados sem trocar os sistemas. A gente mostra ao paciente onde está o histórico dele e pergunta se quer integrar em um só arquivo. Queremos ser um facilitador, empoderar, e não substituir o que já existe – explica Figueroa.

A primeira vertical, de oferta de telemedicina assistencial, inclui teleconsultas, serviços de clínicas, hospitais e laboratórios e o serviço da plataforma que permite compartilhar informações para o atendimento a distância. A segunda vertical, sobre saúde cooperativa, consiste na instalação de enfermarias em empresas, onde uma enfermeira atende colaboradores e, conforme as demandas de saúde, ela acessa médicos a distância transmitindo as informações.

A terceira vertical é o SUS. A Portal atende o Estado de São Paulo, com a integração de várias bases de dados, suporte a médicos de postos de saúde e análises de exames por inteligência artificial. Os exames são encaminhados para robôs que fazem a primeira triagem, ao detectar doenças como Covid, câncer, pneumonia e outras. Depois o médico faz uma nova análise e encaminha para atendimento conforme as urgências.

Um exemplo disso é o de Tarumã, município paulista com mais de 15 mil habitantes epoucos médicos especialistas, onde o serviço do SUS depende muito da rede básica de saúde. O uso da inteligência artificial pelo setor de enfermagem e integração com médicos especialistas a distância permitiu reduzir em 41% o número de óbitos por problemas cardíacos. Além disso, o custo dos serviços de saúde por habitante foi reduzido em 30%. O período considerado foi de 24 meses. Segundo Rafael Figueroa, a inteligência artificial ajudou a identificar casos de cardiopatias mais graves pelo eletrocardiograma. Esses pacientes foram atendidos antes e tiveram melhor recuperação.

Questionado sobre quais são os principais desafios para o avanço da telemedicina, o empresário disse que, por parte dos médicos, é a adoção de ferramentas e se capacitarem para essa forma mais inovadora de atender. Do lado do paciente, o maior obstáculo é de um grupo de pacientes, principalmente da terceira idade, que tem dificuldades para usar smartphone. Para superar um pouco isso, a Portal montou um 0800 para a pessoa ligar e falar com a enfermeira no telefone, que auxilia para baixar o aplicativo. Mesmo assim, existem dificuldades e a empresa busca outras soluções.

Para Rafael Figueroa, outro obstáculo ao avanço da telemedicina o Brasil é a legislação, que precisa ser aprimorada. Na opinião dele, uma das mudanças deveria focar maior rapidez para o setor público contratar soluções tecnológicas e outra teria que facilitar o compartilhamento de dados de pacientes, o que envolve a Lei Geral de Proteção de Dados. Pela lei atual, se o paciente está desacordado, outra pessoa não pode autorizar o compartilhamento de dados dele, o que poderia acelerar o tratamento e a cura do mesmo.

A Portal Telemedicina tem matriz em São Paulo. Também tinha filiais em Alphaville (SP) e Florianópolis, mas a unidade catarinense foi fechada com a pandemia porque a equipe, maioria da área de desenvolvimento de sistemas, passou a atuar em home office. Em SC, por enquanto, a Portal Telemedicina conta somente com clientes do setor privado de saúde.  

Estela Benetti

Colunista

Estela Benetti

Especialista na economia de Santa Catarina, traduz as decisões mais relevantes do mercado, faz análises e antecipa tendências que afetam a vida de empresários, governos e consumidores.

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