A audiência pública de dois dias realizada nesta semana pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) sobre o plano de taxar em 25% importações do Brasil pela Seção 301 foi acompanhada pelo representante do escritório de SC nos EUA, Rodrigo Prisco Paraíso, e por representantes de indústrias de SC como a WEG, Portobello e Schaefer Yachts, e também da Klabin, que tem fábrica em SC. Se a taxação for adotada a partir do dia 15 deste mês, a economia catarinense será uma das mais afetadas.

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Rodrigo Prisco informou para a coluna que o setor privado brasileiro usou na audiência diversos argumentos para evitar a nova tarifa, destacando a complementaridade das economias dos dois países e que partes industriais e produtos agrícolas não deveriam ser taxados. As empresas brasileiras pediram exceções para seus produtos como plano B caso a seção 301 seja aplicada pelo governo de Donald Trump.

– Os painéis foram muito técnicos, com algumas discussões aprofundando aspectos do fornecimento de matérias primas e dos custos operacionais de eventuais mudanças de supply chain. A impressão dos participantes é de que a aplicação da tarifa vai depender das negociações entre os governos federais americanos e brasileiros, mas de que alguns produtos devem ter seus pedidos de exceção aceitos – avaliou Rodrigo Prisco.

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Rodrigo Prisco, representante de SC, considerou importante defesa das empresas de SC contra taxação (Foto: Arquivo Pessoal)

O representante de SC achou importante o fato de a defesa das empresas catarinenses, WEG, Portobello e Schaefer ter sido feita diretamente pelos executivos americanos dessas companhias nos EUA. Segundo ele, isso trouxe um peso maior na importância das importações dessas empresas para a manutenção das operações industriais nos EUA.

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Na audiência, Peter Barry, CEO da WEG EUA, disse que produtos chineses irão ocupar o espaço dos produtos fabricados pela empresa de SC caso as tarifas sejam aplicadas.

O CEO da Portobello nos EUA, James Durbin, afirmou que a unidade da companhia precisa de produtos e a matéria prima que vem das outras empresas do grupo Portobello no Brasil. São itens essenciais para a manutenção dos empregos gerados pela planta no Tennessee.

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De acordo com o representante de SC, a principal pergunta dos integrantes do governo americano na audiência foi sobre alternativas para fornecimento a empresas americanas hoje atendidas por empresas brasileiras. E vários industriais americanos presentes informaram que diversos produtos seriam substituídos por fornecedores baseados na China.

Veja quais produtos mais exportados de SC aos EUA

Governo federal tem apoio de outras empresas em defesa do fim das tarifas

O Brasil teve representação pública do governo federal, mas o setor privado foi o que mais defendeu o país na audiência porque o governo participa das negociações diretas com o governo dos EUA.

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Do setor privado, participaram representantes da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e da Câmara de Comércio Estados Unidos-Brasil (Amcham).

Os representantes dos setores afetados foram divididos em 14 painéis sendo que cada um tinha 5 minutos para resumir sua defesa. Após os resumos a bancada podia fazer perguntas.

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Conforme Rodrigo Prisco, a Amcham destacou que tarifas não são a melhor maneira de garantir melhora no comércio bilateral e partes industriais e produtos agrícolas não deveriam ser taxados.
O Brasil enfatizou que o Pix é uma infraestrutura e que nesse caso é preciso uma parceria entre os dois países e não conflitos.

Conforme o representante de SC, o setor cerâmico destacou que as tarifas conflitam diretamente com o programa de habitação do governo federal americano.

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Como representante da CNI, Roberto Azevedo, ex-presidente da Organização Mundial do Comércio (OMC) destacou a complementariedade das economias do Brasil e dos EUA, o superávit bilionário dos EUA com o Brasil e a cooperação para o setor de terras raras.

Depois dessa audiência pública de dois dias, o escritório de comércio (USTR) vai finalizar seus estudos e fazer as recomendações de tarifas para o presidente Donald Trump. Ele vai decidir se adota ou não.

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